Afroturismo vai além de viagens e aborda representatividade negra

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É preciso falar de afroturismo o ano inteiro, o tempo todo, todo o tempo. Este foi o tema da LIVE PANROTAS - Retomada das Viagens de hoje (19), que reuniu profissionais que fizeram do seu desejo por uma sociedade mais igual e da vontade de viajar uma união de fatores para exaltar as raízes do povo negro brasileiro.

Reprodução
Mediada por Filip Calixto, da PANROTAS, live com Cintia Ramos (Diaspora.Black), Heitor Salatiel (Black Bird Viagens), Solange Barbosa (Rota da Liberdade) e Tânia Neres (Salvatur Viagens e do coletivo ao Afroturismo) abordou importância do afroturismo
Mediada por Filip Calixto, da PANROTAS, live com Cintia Ramos (Diaspora.Black), Heitor Salatiel (Black Bird Viagens), Solange Barbosa (Rota da Liberdade) e Tânia Neres (Salvatur Viagens e do coletivo ao Afroturismo) abordou importância do afroturismo
Com uma enorme quantidade de roteiros que mostram a presença negra por todo o País, é fundamental divulgar as diferentes possibilidades e dar voz às ações realizadas em prol do Turismo afrocentrado, com o intuito de desenvolver, cada vez mais, esse nicho.

“É preciso potencializar nossa voz, dar mais valor e consumir nossos produtos. Não somente em novembro, mas nós trabalhamos, resistimos e oferecemos produtos de qualidade o ano inteiro. A nossa existência por si só, nossa escolha de trabalhar com o afroturismo, já é lutar pela causa. Precisamos de um apoio para que as pessoas respeitem nosso trabalho. É assim que a gente se mantém”, diz a diretora de Negócios e Vendas da Diaspora.Black, Cintia Ramos.

Oferecer produtos para que negros se reconheçam, mergulhem na cultura afro-brasileira e entendam suas ancestralidades é um dos objetivos da Rota da Liberdade. O programa turístico cultural mapeia os passos dos negros africanos e seus descendentes na construção da cultura na região do Vale do Paraíba, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira no Estado de São Paulo.

“Em Pindamonhangaba, por exemplo, toda a riqueza dos barões de café quem ergueu foi uma mão negra. Nas comunidades tradicionais, como em Guaratinguetá, temos o jongo, temos um roteiro religioso em Aparecida, demonstrando como o negro africano faz uma antropofagia dos cânones. No litoral norte temos opções com quilombos, em Ubatuba, e temos até mesmo roteiros para coach. Nós trazemos toda essa presença negra por meio dos nossos roteiros”, explica a fundadora do projeto, Solange Barbosa.

ALÉM DE VIAGENS
O afroturismo vai além do ato de viajar. Além de ser uma busca por ancestralidade, é também ver uma recolocação do mercado produtivo, de inclusão de negros em cargos de gestão. É trabalhar para ser antirracista e criar um Turismo antirracista. Criar espaço para profissionais negros e consumir seu trabalho.

“Se você for um operador ou agente de viagens e estiver interessado nesses produtos, procure por pessoas negras que já trabalham com isso e sabem do que estão falando. Dê atenção e respeito a esses profissionais. Precisamos também tomar cuidado com a questão de imagem e publicidade. Temos uma dificuldade enorme dentro do marketing de não nos enxergarmos. E, se eu não me vejo, eu não compro. Se o agente de Turismo não começar a colocar imagens diversas e respeitar o afroturismo como um produto muito importante de venda, tanto receptivo quanto emissivo, poderemos ter problemas futuros. Este é um dos produtos mais inovadores do mercado”, pontua a supervisora na Salvatur Viagens, Tânia Neres.

Tânia deu de exemplo como dificuldade de representação a ferramenta de busca do Google. Ao digitar o termo “afroturismo”, ele corrige automaticamente e sugere resultados de “agroturismo”. Diante disso, ela reforça a necessidade de se utilizar uma hashtag, como #afroturismo, ao visitar destinos no Brasil e Exterior, para que o Google comece a entender que o produto existe e precisa ser respeitado.

“Precisamos criar potenciais dentro de cada universo, dar valos aos profissionais que trabalham nessa área. Tanto na gestão e contratação, quanto na questão de nós mesmos como turistas. É necessário falar dos negros como passageiros protagonistas de Turismo e como, muitas vezes, somos tratados em alguns lugares”, diz.

PESSOAS NÃO-NEGRAS

Um questionamento recorrente em relação ao afroturismo é: pessoas brancas podem praticar? A resposta, segundo o produtor cultural na Black Bird Viagens, Heitor Salatiel, é que não só podem, como devem ir em busca deste produto.

“O Turismo movimenta a economia. Quando promovemos uma experiência, movimentamos os pequenos negócios, o guia local... Uma conexão com as pessoas engajadas nesse assunto é criada. A partir do momento que você incorpora táticas antirracistas nas suas ações naturalmente, como ir comer em um restaurante local de uma mulher preta em vez de fast food, a experiência passa a ser muito mais transformadora. Estamos em uma visão capitalista e é no empoderamento financeiro que as coisas vão evoluir. E o Turismo tem esse combo. Você sai com uma bagagem cultural muito potente e ainda aproveita e se distrai, cuidando do seu bem-estar.”

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