Alexandre Sampaio fala sobre os cancelamentos do carnaval de rua

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Em artigo sobre o cenário do carnaval diante da ômicron, o presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação, Alexandre Sampaio, fala a respeito do impacto dos cancelamentos das festas de carnaval nos setores de comércio e serviços, trazendo dados de quedas e possíveis perdas. Com discurso que pede cautela e ressalta o cumprimento às normas sanitárias para frear o aumento do número de casos pela nova variante, Sampaio aponta que os cancelamentos são um mal necessário no momento, para que no futuro o Turismo tenha uma recuperação mais estável e crescente.

PANROTAS / Emerson Souza
Alexandre Sampaio, presidente da FBHA
Alexandre Sampaio, presidente da FBHA
"Cautela e sensatez para o Carnaval

Fevereiro se aproxima e, com ele, o Carnaval - a maior festa popular de nosso País, que arrasta milhões de brasileiros e estrangeiros para as ruas. Mas, novamente, nos deparamos com um cenário semelhante ao de 2021: aumento absurdo de casos de contaminação. Após muitas especulações, tudo indica que o Carnaval de rua, que ocorreria entre os dias 25 de fevereiro e 5 de março deste ano, está oficialmente cancelado em várias cidades do Brasil, entre as quais: Belém, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, João Pessoa, Maceió, Manaus e os mais famosos, como Rio de Janeiro e Salvador, também estão na lista de cancelamento.

A notícia não abala somente os foliões saudosos, que anseiam por retomar a folia e celebrar a vida, mas também prejudica os setores de comércio e serviços, especialmente aqueles ligados ao turismo, o que inclui os setores de hospedagem, alimentação preparada e bebidas. Já podemos projetar queda de 20% a 25% no faturamento deste ano, o que é considerado um valor alto, pois, em muitos pontos turísticos, o ápice de arrecadação anual e a maior oportunidade de novos negócios para micro, pequenos e médios empresários são oriundos das festas de Carnaval. Na hotelaria, os preços vão baixar para tentarmos reverter a situação, mas, ainda assim, não teremos boa ocupação. A preocupação é constante, principalmente onde temos muito turismo de folia, como Salvador e Rio de Janeiro.

E nos bares e restaurantes estima-se queda de 50% a 70% com relação ao período pré-pandemia. Para dimensionar as perdas, podemos observar que, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Carnaval é responsável, tradicionalmente, por 30% de todo o faturamento do turismo em fevereiro. O economista da CNC, Fábio Bentes, explica que este ano o prejuízo acaba sendo ainda maior porque o setor já vem perdendo receita desde o início do ano passado. A CNC calcula ainda, que o segmento já tenha perdido cerca de R$ 261,3 bilhões, entre março e dezembro do ano passado — o equivalente a mais de quatro meses de faturamento, sendo que apenas o setor de turismo perdeu cerca de 400 mil vagas formais de trabalho em 2020, em decorrência da crise sanitária.

Apesar dos prejuízos financeiros, que são muitos e inestimáveis, a inquietação com a possibilidade de contágio acelerado de Covid-19, da variante ômicron e da influenza em decorrência do Carnaval resultou nestas medidas severas para o período. São muitas incertezas sobre o risco representado pela nova cepa do coronavírus à economia global. Portanto, esses cancelamentos são um mal necessário neste momento. Devemos buscar obedecer às normas sanitárias e incentivar à vacinação para que tão logo retomemos as festividades brasileiras e, consequentemente, a economia do nosso país. A situação nos exige cautela e sensatez para que futuramente possamos trilhar novos caminhos de recomeço e comemorações.

Entretanto, ressalto que é importante que sejam adotadas, pelas autoridades, medidas compensatórias para os setores envolvidos. Destaco que, em efeito cascata, um dos cenários será a diminuição de postos de trabalho e a retração da renda da população, uma vez que o Carnaval ajuda a girar a economia."



*Fonte: Alexandre Sampaio

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