Da Redação   |   25/03/2026 15:41

A hotelaria é a nova vocação dos edifícios corporativos, opina especialista; leia artigo

Segundo especialista, movimento ganha ainda mais relevância em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro

Reprodução/LinkedIN
Gerson Rodrigues, sócio-diretor responsável pelos negócios de hotelaria e pelo departamento de Tenant Representation da RealtyCorp
Gerson Rodrigues, sócio-diretor responsável pelos negócios de hotelaria e pelo departamento de Tenant Representation da RealtyCorp

Em um mercado cada vez mais dinâmico, a capacidade de adaptação se torna um diferencial competitivo. Nesse sentido, olhar para a hotelaria como uma extensão possível para ativos corporativos pode ser o caminho para transformar desafios, como a vacância, em oportunidades reais de crescimento.

É o que sugere o sócio-diretor responsável pelos negócios de hotelaria e pelo departamento de Tenant Representation da RealtyCorp, Gerson Rodrigues. O especialista revela, em seu artigo, as vantagens desse modelo de negócio e também os desafios que ele enfrenta atualmente. Confira abaixo o texto na íntegra.

A nova vocação dos edifícios corporativos: a hotelaria

"A retomada do Turismo no Brasil não apenas reaqueceu o setor de hospitalidade, como também abriu uma janela estratégica para o mercado imobiliário repensar o uso de seus ativos. Em um cenário de ocupação elevada em hotéis e demanda crescente, especialmente em grandes centros urbanos, a conversão de edifícios corporativos em empreendimentos hoteleiros deixa de ser uma hipótese distante e passa a se consolidar como uma alternativa concreta de geração de valor.

Esse movimento ganha ainda mais relevância em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, onde a hotelaria já opera, em alguns casos, com taxas próximas de 90% de ocupação. Trata-se de um modelo que, diferentemente do mercado corporativo tradicional, oferece uma dinâmica mais constante de receita, sustentada pela alta rotatividade de hóspedes. Enquanto contratos de locação podem levar meses para serem fechados (e ainda estão sujeitos a rescisões), a hotelaria apresenta um fluxo mais previsível e contínuo.

Apesar disso, ainda existe uma barreira importante a ser superada: a forma como investidores analisam seus ativos. O mercado corporativo historicamente se orienta pela lógica da receita por metro quadrado, enquanto a hotelaria utiliza indicadores como o RevPar (receita por quarto disponível). Essa diferença de métricas, muitas vezes, dificulta uma comparação justa entre os modelos. É fundamental, portanto, traduzir esses indicadores para que investidores possam tomar decisões mais informadas ou, como dizemos no jargão do mercado, comparar “banana com banana”.

Ao observarmos o cenário atual, fica evidente que há um espaço relevante para esse tipo de estratégia. Dados recentes mostram que o estoque de escritórios corporativos em São Paulo ultrapassa os 12 milhões de metros quadrados, com uma taxa média de vacância próxima de 16%. Ainda que haja sinais de recuperação, parte desses ativos segue com desempenho abaixo do esperado, especialmente em determinadas regiões ou padrões construtivos, além de edifícios entregues há mais tempo e que, para continuarem competitivos, precisariam de um retrofit.

É justamente nesse contexto que a conversão para hotelaria se apresenta como uma alternativa inteligente. Edifícios com alta vacância ou baixa atratividade no mercado corporativo podem encontrar uma nova vocação, alinhada à dinâmica atual da economia urbana. Mais do que uma simples mudança de uso, trata-se de um reposicionamento estratégico, capaz de destravar valor e gerar novas fontes de receita para investidores.

Naturalmente, essa transição exige planejamento, análise criteriosa e entendimento profundo das particularidades de cada ativo. Não se trata de uma solução universal, mas de uma alternativa que, quando bem estruturada, pode trazer resultados consistentes no médio e longo prazo.

Diante de um mercado cada vez mais dinâmico, a capacidade de adaptação se torna um diferencial competitivo. E, nesse sentido, olhar para a hotelaria como uma extensão possível para ativos corporativos pode ser o caminho para transformar desafios, como a vacância, em oportunidades reais de crescimento".

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