Beatriz Contelli   |   23/03/2026 08:03

Fórum de Hospitalidade Acessível debate inclusão como estratégia de negócio

Empresários trataram dos desafios e das oportunidades da acessibilidade em bares, restaurantes e hotéis


Divulgação
Joaquim Saraiva, líder executivo da Abrasel, Ana Salles, líder de Parcerias Institucionais Abrasel em SP, Marcos da Costa, secretário Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, e Nelson Rocha, líder da Campanha Hospitalidade Acessível
Joaquim Saraiva, líder executivo da Abrasel, Ana Salles, líder de Parcerias Institucionais Abrasel em SP, Marcos da Costa, secretário Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, e Nelson Rocha, líder da Campanha Hospitalidade Acessível

O Fórum de Hospitalidade Acessível 2026, realizado na última quinta-feira (19), reuniu empresários, especialistas e representantes do poder público para discutir caminhos práticos para tornar o setor efetivamente inclusivo. O encontro contou com apoio institucional da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD).

Empresários do setor de hospitalidade já começam a perceber que a acessibilidade deixou de ser apenas uma exigência normativa para se tornar um diferencial competitivo capaz de impactar diretamente faturamento, reputação e fidelização de clientes.

Donos de bares, restaurantes e hotéis relatam que investir em inclusão amplia o público, fortalece a marca e antecipa uma demanda crescente, impulsionada, inclusive, pelo envelhecimento da população. Mais do que rampas ou cardápios acessíveis, a mudança envolve cultura, atendimento e uma nova forma de enxergar o cliente.

O secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, lembrou que a acessibilidade é uma condição primária para o exercício pleno da cidadania e para a efetivação dos direitos fundamentais. Mas além disso, é um ativo cada vez mais competitivo dentro do mercado da hospitalidade.

“Trata-se de uma mudança cultural que envolve muitos elementos, desde modificações estruturais de acesso, elevadores adaptados e pisos táteis, até atitudinais, como as equipes que recebem e fazem o atendimento de pessoas com deficiência de forma digna e respeitosa, com protocolos baseados na autonomia, perguntando sempre se o cliente gostaria de ajuda antes de agir”, detalhou o secretário.

No setor hoteleiro, os desafios vão além do óbvio. "Você já pensou que uma cama envelopada pode ser uma barreira para uma pessoa com deficiência?", questionou Alessandra Trigo, consultora em acessibilidade e sócia na Pedalando pela Diversidade Desenvolvimento Humano.

"Consiste em despertar no outro a sensibilidade para as nossas dificuldades. Altura da cama, posição do interfone, direção da água do chuveiro, até o local do travesseiro fazem diferença. A acessibilidade está no cotidiano da operação e envolve todos os profissionais”, explica.

"É preciso assimilar a potencialidade de consumo da pessoa com deficiência. O receio de investir e não ter o retorno leva muitos a não quererem virar essa chave. No entanto, acessibilidade e inclusão também são negócios, e a nossa sociedade precisa se dar conta disso", conclui.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Anhembi Morumbi com pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela FAAP. Entrou na PANROTAS em 2019, com foco especialmente em Branded Content, e, desde 2024, atua como repórter da redação.