Fórum de Hospitalidade Acessível debate inclusão como estratégia de negócio
Empresários trataram dos desafios e das oportunidades da acessibilidade em bares, restaurantes e hotéis

O Fórum de Hospitalidade Acessível 2026, realizado na última quinta-feira (19), reuniu empresários, especialistas e representantes do poder público para discutir caminhos práticos para tornar o setor efetivamente inclusivo. O encontro contou com apoio institucional da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD).
Empresários do setor de hospitalidade já começam a perceber que a acessibilidade deixou de ser apenas uma exigência normativa para se tornar um diferencial competitivo capaz de impactar diretamente faturamento, reputação e fidelização de clientes.
Donos de bares, restaurantes e hotéis relatam que investir em inclusão amplia o público, fortalece a marca e antecipa uma demanda crescente, impulsionada, inclusive, pelo envelhecimento da população. Mais do que rampas ou cardápios acessíveis, a mudança envolve cultura, atendimento e uma nova forma de enxergar o cliente.
O secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, lembrou que a acessibilidade é uma condição primária para o exercício pleno da cidadania e para a efetivação dos direitos fundamentais. Mas além disso, é um ativo cada vez mais competitivo dentro do mercado da hospitalidade.
“Trata-se de uma mudança cultural que envolve muitos elementos, desde modificações estruturais de acesso, elevadores adaptados e pisos táteis, até atitudinais, como as equipes que recebem e fazem o atendimento de pessoas com deficiência de forma digna e respeitosa, com protocolos baseados na autonomia, perguntando sempre se o cliente gostaria de ajuda antes de agir”, detalhou o secretário.
No setor hoteleiro, os desafios vão além do óbvio. "Você já pensou que uma cama envelopada pode ser uma barreira para uma pessoa com deficiência?", questionou Alessandra Trigo, consultora em acessibilidade e sócia na Pedalando pela Diversidade Desenvolvimento Humano.
"Consiste em despertar no outro a sensibilidade para as nossas dificuldades. Altura da cama, posição do interfone, direção da água do chuveiro, até o local do travesseiro fazem diferença. A acessibilidade está no cotidiano da operação e envolve todos os profissionais”, explica.
"É preciso assimilar a potencialidade de consumo da pessoa com deficiência. O receio de investir e não ter o retorno leva muitos a não quererem virar essa chave. No entanto, acessibilidade e inclusão também são negócios, e a nossa sociedade precisa se dar conta disso", conclui.