Da Redação   |   11/03/2026 08:03

Artigo: Inovação no Turismo vai além da experiência do viajante, diz fundador da Book2Pay

Segundo Fábio Bordin, hotéis e operadoras ainda enfrentam sistemas fragmentados e prazos longos

PANROTAS / Pedro Menezes
Fábio Bordin, fundador da Book2Pay
Fábio Bordin, fundador da Book2Pay

A inovação no Turismo costuma ser associada às tecnologias visíveis ao viajante, como aplicativos, inteligência artificial e check-ins digitais. No entanto, Fábio Bordin, fundador da Book2Pay, chama atenção para uma transformação menos evidente, mas decisiva para o setor: a modernização da infraestrutura financeira que sustenta a operação das empresas.

Leia abaixo o artigo na íntegra:

O futuro do Turismo passa pelo redesenho da sua engrenagem invisível

"Durante anos, quando se falou em inovação no Turismo, o foco esteve quase sempre na vitrine: aplicativos intuitivos, check-in por reconhecimento facial, inteligência artificial recomendando passeios sob medida. De fato, a experiência digital do cliente evoluiu e muito. Mas há um ponto pouco debatido fora das salas de diretoria: a transformação real do Turismo não está apenas na jornada visível do viajante, e sim na infraestrutura invisível que sustenta toda a operação financeira do setor.

O Turismo vive um paradoxo. De um lado, plataformas globais como a Airbnb e a Booking.com que redefiniram conveniência, escala e distribuição. De outro, hotéis independentes, operadoras regionais e agências tradicionais ainda operam com sistemas fragmentados, processos manuais, estruturas financeiras pouco integradas e prazos que criam rupturas no fluxo de caixa.. O cliente reserva e paga em segundos; o empresário aguarda e concilia pagamentos por dias, meses... Essa assimetria revela onde está o verdadeiro gargalo.

A engrenagem invisível do Turismo envolve adquirência, conciliação, câmbio, meios de pagamento, antecipação de recebíveis, repasses a fornecedores e gestão de risco. Em muitos negócios, essas etapas continuam descentralizadas, com múltiplos intermediários, taxas acumuladas e baixa previsibilidade de fluxo de caixa. O resultado é margem comprimida em um setor que já opera sob alta sazonalidade e forte sensibilidade econômica.

O cenário atual exige mais do que a presença digital, exige arquitetura financeira inteligente. A internacionalização do Turismo brasileiro, por exemplo, esbarra não apenas na promoção do destino, mas na capacidade de receber pagamentos em múltiplas moedas com eficiência, segurança e custo competitivo. O turista quer pagar como paga em casa. Se a infraestrutura local não acompanha, a experiência se rompe antes mesmo do embarque.

Além disso, o crescimento das carteiras digitais, do pagamento instantâneo e das fintechs aponta para uma mudança estrutural. Não se trata apenas de aceitar mais bandeiras, mas de integrar sistemas de gestão (PMS, ERPs, gateways) em um ecossistema que converse em tempo real. A tecnologia existe. O que falta é coordenação estratégica e visão de longo prazo.

Redesenhar essa engrenagem invisível passa por três movimentos centrais:

Primeiro, integração. Hotéis, operadoras e destinos precisam consolidar dados financeiros e operacionais em plataformas únicas ou interoperáveis. A fragmentação custa caro, em tempo, erro e dinheiro. A adoção de APIs abertas e soluções de embedded finance pode transformar o backoffice em vantagem competitiva.

Segundo, desintermediação inteligente. Não significa eliminar parceiros, mas reduzir camadas desnecessárias. Negócios que dominam seus próprios fluxos de pagamento ganham previsibilidade de caixa e poder de negociação. Em um setor marcado por comissões elevadas, cada ponto percentual recuperado impacta diretamente na sustentabilidade do negócio.

Terceiro, governança e transparência. A profissionalização financeira precisa acompanhar o crescimento do setor. Indicadores claros de margem líquida por canal, custo efetivo de meios de pagamento e tempo médio de recebimento deveriam estar no centro da estratégia, não restritos à contabilidade.

O Turismo do futuro será cada vez mais orientado por dados. Mas dados não são apenas preferências de viajantes; são também métricas financeiras integradas. O destino que entender isso deixará de competir apenas por atratividade e passará a competir por eficiência estrutural.

Há, evidentemente, um papel para políticas públicas e para o sistema financeiro. Incentivos à digitalização, linhas de crédito vinculadas à modernização tecnológica e marcos regulatórios que estimulem inovação em meios de pagamento podem acelerar essa transição. Mas a mudança principal é cultural: enxergar o financeiro não como setor de apoio, e sim como motor estratégico.

No fim das contas, o turista continuará buscando experiências memoráveis, hospitalidade e autenticidade. Nada disso muda. O que muda e, já está mudando, é o que acontece nos bastidores. Quem insistir em tratar a infraestrutura financeira como detalhe operacional ficará preso a margens cada vez menores. Quem redesenhar sua engrenagem invisível estará, de fato, moldando o futuro do Turismo".

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