Travel tech: IA nos hotéis, Skyscanner no ChatGPT e Disney sem IA criativa
Confira o compilado feito pelo Travel Tech Hub com notícias da semana de Tecnologia para Turismo

A inteligência artificial não deve substituir os softwares que sustentam a operação dos hotéis e pode até torná-los mais relevantes. Apesar das previsões de que assistentes de IA reduziriam a importância de aplicativos tradicionais, especialistas apontam que sistemas de gestão hoteleira continuam essenciais para controlar inventário de quartos, precificação, impostos e processamento de pagamentos.
A semana também trouxe avanços na integração entre IA e planejamento de viagens. O metabuscador Skyscanner lançou um aplicativo de busca de voos dentro do ChatGPT, permitindo que viajantes pesquisem passagens em linguagem natural e recebam resultados em tempo real.
No setor aéreo, a Southwest Airlines proibiu funcionários de utilizarem óculos inteligentes e outros wearables com gravação durante o expediente, refletindo preocupações crescentes com privacidade e segurança operacional.
Já no entretenimento e parques temáticos, a The Walt Disney Company reforçou que não utiliza IA para criar histórias em suas atrações. Segundo o diretor criativo Tom Vazzana, tecnologias como robótica e design em CAD ajudam a tornar experiências mais imersivas, mas o storytelling humano continua sendo o principal diferencial da companhia.
Veja abaixo as principais notícias de travel tech, compiladas pelo Travel Tech Hub, desta semana:
Importância do software hoteleiro na era da IA

Apesar do avanço acelerado da inteligência artificial, softwares tradicionais de hotelaria podem sair fortalecidos dessa transformação. Diferentemente de outros setores, os hotéis dependem de sistemas que controlam operações críticas, como gestão de quartos, definição de preços, cálculo de impostos, processamento de pagamentos e sincronização de reservas com plataformas como Booking.com e Expedia.
Mesmo que gestores passem a interagir com esses sistemas por meio de assistentes de IA, a infraestrutura que registra transações e mantém o controle financeiro continua indispensável, reporta análise da PhocusWire.
Além disso, muitos softwares do setor são cobrados por quarto ou volume de transações, e não por número de usuários. Plataformas como Mews ilustram essa dinâmica, processando bilhões em transações e milhões de check-ins. Em uma indústria ainda menos digitalizada que áreas como fintech ou e-commerce, a tendência é que a IA acelere a modernização tecnológica dos hotéis, aumentando a importância dos sistemas que processam e registram a receita.
Southwest veta wearables com gravação

A Southwest Airlines proibiu que funcionários utilizem óculos inteligentes e outros dispositivos vestíveis com capacidade de gravação durante o expediente. A nova política interna, comunicada por meio de um memorando obtido pelo site Skift, vale tanto para equipes corporativas quanto operacionais e se aplica dentro e fora das dependências da companhia. A restrição inclui também fones de ouvido sem fio com recursos de gravação.
A decisão ocorre em meio ao crescimento acelerado do mercado de smart glasses, impulsionado por produtos como os da Meta, cujas vendas triplicaram no último ano. Embora a empresa não tenha detalhado os motivos da medida, o movimento reflete preocupações cada vez maiores no setor aéreo com privacidade, segurança operacional e proteção de dados diante da popularização de tecnologias vestíveis com captura de áudio e vídeo.
Voos do Skyscanner no ChatGPT

O metabuscador Skyscanner lançou um aplicativo de busca de voos dentro do ChatGPT, permitindo que viajantes encontrem passagens usando linguagem natural e resultados em tempo real.
A ferramenta possibilita que usuários descrevam seus planos de viagem de forma conversacional e ajustem datas ou aeroportos por meio de novas mensagens. Após escolher a opção desejada, o usuário é redirecionado para concluir a reserva no site do fornecedor.
A novidade está disponível inicialmente nos Estados Unidos e no Reino Unido e acompanha uma tendência do setor de turismo de integrar inteligência artificial às plataformas de busca e planejamento de viagens. A iniciativa também faz parte da estratégia da OpenAI de hospedar aplicativos dentro do chatbot, com parcerias que incluem empresas como Expedia e Booking.com.
Disney prioriza storytelling humano

The Walt Disney Company afirmou que não utiliza inteligência artificial para criar ou escrever histórias em suas atrações. Durante o Fórum PANROTAS 2026, em São Paulo, o diretor de Desenvolvimento Criativo da Disney Live Entertainment, Tom Vazzana, explicou que o storytelling continua sendo o principal diferencial da empresa, enquanto tecnologias como robótica, programação e design em CAD são usadas apenas para apoiar a criação de experiências mais imersivas nos parques, como no Walt Disney World.
Segundo o executivo, a tecnologia deve permanecer “invisível” para o público e servir apenas para elevar a narrativa. Entre as novidades previstas para 2026 estão cenários multidimensionais em espetáculos do Mickey Mouse e experiências interativas com personagens, enquanto algumas atrações continuarão apostando em interações humanas simples, reforçando a combinação entre inovação tecnológica e entretenimento tradicional nos parques da Disney.
Travel Tech Hub Day 2026 vem aí
Depois de duas edições bem-sucedidas, o Travel Tech Hub teve a terceira confirmada. O principal evento de Tecnologia para Turismo da América Latina será realizado no dia 24 de agosto de 2026, no Tivoli Mofarrej São Paulo Hotel. Aguarde mais informações em breve!
Por Anna Gabriela Costa, do Travel Tech Hub, especial para o Portal PANROTAS