O custo invisível por trás dos aluguéis de curta temporada; leia no artigo
Marcelo Gontijo, CEO da Novoto, alerta que proprietários precisam administrar uma série de bens duráveis

Você conhece o prejuízo invisível do mercado de aluguéis de temporada? Em artigo, Marcelo Gontijo, CEO da Novoto, expõe como o mercado de locações de curta temporada vai muito além da compra do imóvel.
Segundo ele, proprietários precisam administrar uma série de bens duráveis, como eletrodomésticos, móveis e equipamentos, que exigem controle constante de garantias, manutenção e organização de documentos. Sem essa gestão, problemas operacionais podem gerar prejuízos financeiros e impactar diretamente a experiência dos hóspedes.
Leia o artigo na íntegra:
O prejuízo invisível do mercado de aluguéis de temporada
Por Marcelo Gontijo*
Para quem investe em imóveis de curta temporada, o jogo raramente termina na compra do apartamento. Mobiliar um estúdio para Airbnb significa adquirir uma cadeia invisível de ativos como geladeira, cooktop, ar-condicionado, sofá, televisão, air fryer, micro-ondas, luminárias, colchões e muitos outros. Em um único imóvel, é possível chegar a muito mais de vinte itens, entre eletroeletrônicos e móveis. Cada um com a sua nota fiscal, garantia e prazos de manutenção distintos.
Para um proprietário que possui mais de um imóvel isso se transforma rapidamente em risco operacional, onde administrar o conjunto exige mais do que boa memória. O setor tem um papel fundamental na economia e a atividade de aluguel por temporada movimentou quase R$ 100 bilhões na economia brasileira em apenas um ano, como mostra o estudo encomendado pelo Airbnb à Fundação Getulio Vargas (FGV) em 2024.
Contudo, a verdade é que o setor não é mais para amadores e o proprietário, embora se enxergue como investidor imobiliário, opera também como um gestor de bens duráveis. Ele compra os equipamentos e segue na rotina até o dia em que um equipamento quebra no meio de uma reserva e, ao buscar a nota fiscal, descobre que o prazo de garantia expirou. Com um hóspede insatisfeito em mãos, o que poderia ser resolvido pelo fabricante se transforma em um custo inesperado e imediato.
A garantia é o primeiro ponto cego. Mesmo que muitos produtos ofereçam cobertura estendida, sem controle centralizado, o prazo expira em silêncio e quando o equipamento falha, o direito já foi perdido. O que poderia ser resolvido pelo fabricante se transforma em despesa extra. A manutenção é ainda mais negligenciada. Por exemplo, colchões precisam ser girados periodicamente para evitar deformações e geladeiras que não são frost free exigem degelo regular. Ignorar esses cuidados reduz drasticamente a vida útil dos equipamentos, pode aumentar o consumo de energia e ainda cria riscos à saúde de hóspedes e funcionários.
O impacto não se limita ao financeiro e se estende à reputação do imóvel. Problemas com climatização e eletrodomésticos estão entre as principais causas de avaliações negativas e, em um mercado guiado por essa métrica, a perda desse status tem custo direto. Um estudo da Universidade Cornell demonstra a força dessa métrica ao revelar que o aumento de apenas um ponto na avaliação de uma propriedade permite ao anfitrião elevar o valor da diária em até 11%. Notas baixas significam então menos reservas e a reputação construída pode ser corroída por falhas operacionais aparentemente pequenas. Esse efeito é cumulativo e para quem opera múltiplos imóveis, o caos escala rápido.
A lógica do mercado precisa mudar. Os equipamentos de um imóvel de temporada não são descartáveis, mas ativos que exigem gestão e previsibilidade. Se as plataformas globais se especializaram em conectar o hóspede ao imóvel, o próximo passo da profissionalização exige tecnologia para gerir o que acontece da porta para dentro.
Centralizar digitalmente as notas fiscais, automatizar o calendário de manutenções preventivas e ter o controle de garantias na palma da mão deixaram de ser diferenciais para se tornarem proteção de capital. A sobrevivência no setor agora depende de sistemas que transformam o controle manual em um processo de gestão de ativos robusto e escalável.
No mercado de curta temporada, onde margem, reputação e escala caminham juntas, vencer não significa apenas alugar mais noites. Significa cuidar melhor do que já foi comprado. Quem entende isso não paga a conta depois.
*Marcelo Gontijo é fundador e CEO da Novoto, aplicativo gratuito que organiza documentos, categoriza automaticamente as informações com inteligência artificial e acompanha prazos de garantias, seguros e manutenções.