Da Redação   |   14/05/2026 16:51
Atualizada em 14/05/2026 17:21

O custo invisível por trás dos aluguéis de curta temporada; leia no artigo

Marcelo Gontijo, CEO da Novoto, alerta que proprietários precisam administrar uma série de bens duráveis


Divulgação
Marcelo Gontijo, CEO da Novoto
Marcelo Gontijo, CEO da Novoto

Você conhece o prejuízo invisível do mercado de aluguéis de temporada? Em artigo, Marcelo Gontijo, CEO da Novoto, expõe como o mercado de locações de curta temporada vai muito além da compra do imóvel.

Segundo ele, proprietários precisam administrar uma série de bens duráveis, como eletrodomésticos, móveis e equipamentos, que exigem controle constante de garantias, manutenção e organização de documentos. Sem essa gestão, problemas operacionais podem gerar prejuízos financeiros e impactar diretamente a experiência dos hóspedes.

Leia o artigo na íntegra:

O prejuízo invisível do mercado de aluguéis de temporada

Por Marcelo Gontijo*

Para quem investe em imóveis de curta temporada, o jogo raramente termina na compra do apartamento. Mobiliar um estúdio para Airbnb significa adquirir uma cadeia invisível de ativos como geladeira, cooktop, ar-condicionado, sofá, televisão, air fryer, micro-ondas, luminárias, colchões e muitos outros. Em um único imóvel, é possível chegar a muito mais de vinte itens, entre eletroeletrônicos e móveis. Cada um com a sua nota fiscal, garantia e prazos de manutenção distintos.

Para um proprietário que possui mais de um imóvel isso se transforma rapidamente em risco operacional, onde administrar o conjunto exige mais do que boa memória. O setor tem um papel fundamental na economia e a atividade de aluguel por temporada movimentou quase R$ 100 bilhões na economia brasileira em apenas um ano, como mostra o estudo encomendado pelo Airbnb à Fundação Getulio Vargas (FGV) em 2024.

Contudo, a verdade é que o setor não é mais para amadores e o proprietário, embora se enxergue como investidor imobiliário, opera também como um gestor de bens duráveis. Ele compra os equipamentos e segue na rotina até o dia em que um equipamento quebra no meio de uma reserva e, ao buscar a nota fiscal, descobre que o prazo de garantia expirou. Com um hóspede insatisfeito em mãos, o que poderia ser resolvido pelo fabricante se transforma em um custo inesperado e imediato.

A garantia é o primeiro ponto cego. Mesmo que muitos produtos ofereçam cobertura estendida, sem controle centralizado, o prazo expira em silêncio e quando o equipamento falha, o direito já foi perdido. O que poderia ser resolvido pelo fabricante se transforma em despesa extra. A manutenção é ainda mais negligenciada. Por exemplo, colchões precisam ser girados periodicamente para evitar deformações e geladeiras que não são frost free exigem degelo regular. Ignorar esses cuidados reduz drasticamente a vida útil dos equipamentos, pode aumentar o consumo de energia e ainda cria riscos à saúde de hóspedes e funcionários.

O impacto não se limita ao financeiro e se estende à reputação do imóvel. Problemas com climatização e eletrodomésticos estão entre as principais causas de avaliações negativas e, em um mercado guiado por essa métrica, a perda desse status tem custo direto. Um estudo da Universidade Cornell demonstra a força dessa métrica ao revelar que o aumento de apenas um ponto na avaliação de uma propriedade permite ao anfitrião elevar o valor da diária em até 11%. Notas baixas significam então menos reservas e a reputação construída pode ser corroída por falhas operacionais aparentemente pequenas. Esse efeito é cumulativo e para quem opera múltiplos imóveis, o caos escala rápido.

A lógica do mercado precisa mudar. Os equipamentos de um imóvel de temporada não são descartáveis, mas ativos que exigem gestão e previsibilidade. Se as plataformas globais se especializaram em conectar o hóspede ao imóvel, o próximo passo da profissionalização exige tecnologia para gerir o que acontece da porta para dentro.

Centralizar digitalmente as notas fiscais, automatizar o calendário de manutenções preventivas e ter o controle de garantias na palma da mão deixaram de ser diferenciais para se tornarem proteção de capital. A sobrevivência no setor agora depende de sistemas que transformam o controle manual em um processo de gestão de ativos robusto e escalável.

No mercado de curta temporada, onde margem, reputação e escala caminham juntas, vencer não significa apenas alugar mais noites. Significa cuidar melhor do que já foi comprado. Quem entende isso não paga a conta depois.

*Marcelo Gontijo é fundador e CEO da Novoto, aplicativo gratuito que organiza documentos, categoriza automaticamente as informações com inteligência artificial e acompanha prazos de garantias, seguros e manutenções.

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