IA inaugura terceira era da tecnologia no Turismo, avalia CEO da PassHub
Alan Matheus ainda crê que os agentes de viagens continuam sendo uma peça fundamental no setor

O Turismo já passou pelas revoluções dos sistemas de distribuição e da digitalização. Agora, diante do avanço da inteligência artificial, o setor se prepara para uma nova mudança de escala. Em artigo, Alan Matheus, cofundador e CEO da PassHub, avalia o que essa terceira era tecnológica pode representar para a indústria e, especialmente, para os agentes de viagens.
A terceira grande era da tecnologia no Turismo
"Gosto de pensar que a tecnologia no Turismo atravessou três grandes eras.
A primeira foi a da infraestrutura e da conectividade. Foi quando surgiram sistemas capazes de transformar a maneira como companhias aéreas, agências e demais participantes da indústria se relacionavam. Sabre, Amadeus e os grandes GDS nasceram dessa transformação e passaram a fazer parte da infraestrutura global do turismo.
A segunda foi a era da digitalização. A internet levou a viagem para a tela do consumidor. Empresas como Decolar, Booking e outras grandes OTAs mudaram profundamente a forma como as pessoas pesquisam, comparam e compram viagens.
Agora estamos entrando na terceira grande era. A era da inteligência artificial. E acredito que ainda estamos apenas começando a compreender o impacto que ela poderá produzir sobre o Turismo.
Quando observo o Brasil, uma comparação sempre me chama a atenção. Construímos um dos ecossistemas de serviços financeiros digitais mais avançados do mundo. Pagamentos instantâneos, bancos digitais, crédito, prevenção a fraudes e novas infraestruturas financeiras evoluíram de maneira extraordinária nos últimos anos.
Mas boa parte dessa tecnologia ainda não chegou ao Turismo com a mesma velocidade. Os pagamentos são um bom exemplo.
Tecnologias de autenticação como o 3DS, amplamente utilizadas em diferentes mercados digitais para aumentar a segurança das compras on-line, ainda não estão incorporadas de maneira uniforme à experiência de compra de viagens.
Isso chama ainda mais atenção em uma indústria que convive diariamente com desafios relacionados a fraude, chargebacks, segurança transacional e margens operacionais.
Temos, portanto, um paradoxo: um dos mercados financeiros mais inovadores do mundo convivendo com uma indústria do Turismo que ainda opera, em muitos pontos, com tecnologias e processos concebidos para outra realidade.
Para mim, isso não revela apenas um problema. Revela o tamanho da oportunidade.
É justamente na interseção entre Turismo, tecnologia, inteligência artificial e serviços financeiros que acredito estar uma das maiores transformações dos próximos anos.
Na PassHub, já começamos a aproximar esses mundos. Além de conectar agências a diferentes fornecedores do mercado de Turismo, incorporamos produtos financeiros à plataforma e seguimos avançando na criação de soluções capazes de simplificar a operação das agências.
Depois da captação de R$ 7,5 milhões, nossa prioridade não é mudar de direção. É acelerar.
O investimento será concentrado principalmente em duas grandes frentes: tecnologia e distribuição.
Na tecnologia, o objetivo é reduzir progressivamente o volume de tarefas manuais presentes na rotina das agências. Isso significa aplicar inteligência artificial desde a busca até o suporte, automatizar processos e incorporar ao Turismo soluções financeiras que outros setores já utilizam há anos.
Na distribuição, queremos ampliar o número de agências, fornecedores, produtos e serviços conectados ao ecossistema.
Não enxergamos essa rodada como capital para testar dezenas de caminhos diferentes. Ela nos dá condições para avançar com mais velocidade em uma tese na qual acreditamos cada vez mais. E existe algo ainda maior por trás dessa visão.
O agente de viagens continua sendo uma peça fundamental da indústria brasileira.
Todos os dias, são esses profissionais que ajudam brasileiros a conhecer o mundo e, ao mesmo tempo, participam da cadeia que traz visitantes para conhecer o nosso País. São milhares de agentes movimentando companhias aéreas, hotéis, restaurantes, eventos, atrações, destinos e economias locais.
Apesar dessa importância, ainda oferecemos pouca tecnologia a quem desempenha esse papel. Enquanto outros segmentos passaram por transformações profundas, muitos agentes continuam lidando com sistemas complexos, processos manuais e ferramentas desenvolvidas para uma realidade que já mudou.
É isso que queremos ajudar a transformar. Não se trata de substituir o agente de viagens pela tecnologia. Trata-se exatamente do contrário.
Queremos colocar mais tecnologia nas mãos do agente para ampliar sua capacidade de vender, decidir, atender e competir.
Inteligência artificial para reduzir trabalho operacional. Tecnologia para encontrar melhores condições. Produtos financeiros integrados à operação. Mais fornecedores, serviços e possibilidades dentro de um mesmo ecossistema.
Em apenas nove meses de operação, mais de 2 mil agências já passaram pela PassHub e mais de R$ 30 milhões foram movimentados pela plataforma. Para nós, esses números não representam uma linha de chegada. São sinais de que existe uma demanda concreta por transformação.
A primeira era criou a infraestrutura do Turismo.
A segunda colocou o Turismo na internet.
A terceira deverá tornar essa indústria mais inteligente.
Inteligência artificial, dados, automação e serviços financeiros tendem a transformar não apenas a forma como as viagens são compradas, mas principalmente a maneira como as empresas do setor operam, distribuem, atendem clientes e tomam decisões.
Queremos ocupar um papel relevante nessa nova era.
Os R$ 7,5 milhões que acabamos de captar representam combustível para acelerar essa construção. Mas o objetivo final é maior do que desenvolver uma plataforma.
Se conseguirmos colocar mais tecnologia, eficiência e capacidade de decisão nas mãos de quem movimenta o Turismo brasileiro todos os dias, estaremos contribuindo para tornar toda a cadeia mais produtiva, competitiva e preparada para o futuro.
E, para mim, construir tecnologia que fortaleça quem faz o Turismo acontecer é também uma forma de contribuir para o desenvolvimento do Brasil."