Rodrigo Vieira   |   29/10/2026 12:19
Atualizada em 29/10/2026 12:47

Demitir porque votou diferente não é firmeza, é má gestão; diz executivo da hotelaria

César Nunes defende fiscalização e cobrança de resultado do governo, mas sempre desejando sucesso ao País


PANROTAS / Emerson Souza
Cesar Nunes, da Hotelaria Brasil
Cesar Nunes, da Hotelaria Brasil

A ideia de boicotar empresas e demitir funcionários pelo número que ele apertou nas urnas no último domingo é errada em todos os sentidos. Decisões tomadas no calor do momento por critérios ideológicos atrapalham as organizações em custos, métricas, riscos e ambiente de negócios. Essa é a ideia defendida pelo vice-presidente da Hotelaria Brasil, César Nunes, profissional com 30 anos de carreira nos setores de Hospitalidade, Turismo e Eventos.

O texto foi postado por Nunes em seu perfil do Linkedin. Clique aqui para interagir e leia na íntegra a seguir:

Circulou com força, nos últimos dias, a ideia de boicotar empresas e demitir funcionários por causa do voto. Entendo a frustração. Discordo da execução — e discordo por três motivos: de gestão, de risco e de país.

1. Custo. Demitir por critério ideológico é a forma mais cara de destruir capital humano. Repor uma posição custa entre 0,5 e 2 salários anuais, sem contar conhecimento tácito perdido, curva de aprendizagem, quebra de time e queda de produtividade marginal nos meses seguintes. Nenhum CFO aprova esse orçamento. Só que ele costuma vir diluído em discurso.

2. Métrica. Nenhuma empresa séria avalia pessoas pela urna. Avalia entrega. No dia em que lealdade política vira KPI, a meritocracia morre e o RH vira comissariado. Empresa com lista de inimigos internos não tem cultura — tem tribunal.

3. Risco. O voto é secreto por construção constitucional justamente para impedir isso. Transformar preferência política em critério de desligamento expõe a companhia a passivo trabalhista e, pior, a um passivo reputacional que nenhum investimento em marca conserta.

Mas o argumento que mais me interessa é outro: quem aposta contra o país aposta contra o próprio caixa.

Governo é ambiente de negócios. Juros, câmbio, carga tributária, regulação, crédito e confiança do investidor passam por Brasília — independentemente de quem o executivo escolheu no domingo. Torcer para o governo atual fracassar é torcer por inflação, fuga de capital e desemprego. Isso não é convicção política. É má gestão de risco.

Isso não é passar pano. Cobrar resultado, fiscalizar e apontar erro com dado é obrigação de qualquer empresário e de qualquer cidadão. Existe uma distância enorme entre exigir competência e desejar o fracasso. A primeira é cidadania. A segunda é prejuízo com bandeira.

Temos um país para fazer funcionar — e ele não funciona com metade da população de ressaca eleitoral. Que o próximo governo dê certo. O meu resultado depende disso.

E na sua empresa: já viu decisão de pessoas sendo tomada por critério ideológico? Qual foi o custo real?

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Sobre o autor

Rodrigo Vieira é jornalista com 12 anos de especialização na indústria de Turismo, todo esse tempo orgulhosamente na PANROTAS. Sua maior satisfação profissional é quando, por meio de seu trabalho, ajuda um agente de viagens a obter êxito. Conhece 30 países e ama viajar para o Exterior, mas jamais moraria fora do melhor destino de todos, o Brasilzão.