Beatriz Contelli   |   15/01/2026 11:06
Atualizada em 15/01/2026 11:07

CNC prevê recorde histórico de R$ 218 bilhões para o Turismo na alta temporada

Entidade crê que crescente volume de estrangeiros e queda nos preços favorecem movimentação


Samuel Costa Melo/Unsplash
País teve um aumento de 42% na chegada de visitantes internacionais
País teve um aumento de 42% na chegada de visitantes internacionais

A CNC divulgou, nesta quinta-feira (15), que o Turismo brasileiro vive o que deve se confirmar como a maior temporada de verão da história em volume de negócios, com uma projeção de faturamento de R$ 218,77 bilhões entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026.

O montante representa um crescimento de 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O otimismo é sustentado, principalmente, pelo aumento expressivo de 42,2% na chegada de visitantes estrangeiros ao País no acumulado de janeiro a outubro de 2025.

A estimativa ainda aponta que o período será decisivo para a economia do setor, respondendo por cerca de 44% da receita anual do Turismo nacional. O impacto positivo deve se refletir também no mercado de trabalho, com a previsão de abertura de 87,6 mil postos de trabalho formal temporário – o maior volume de vagas para este período desde o verão de 2014, ano de Copa do Mundo.

“As diversidades geográficas e culturais são apenas dois dos vários fatores que fazem o Brasil ser um destino completo para o turismo em nível mundial. Ainda precisamos desenvolver a malha aérea na região Norte e Centro-Oeste, principalmente para aproveitar ainda mais o potencial de negócios para essas regiões, sempre com sustentabilidade e visão a médio prazo"

Presidente do sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros

Mais estrangeiros e bons preços

O principal motor deste recorde é a presença estrangeira, apontam a CNC e a Embratur. Entre janeiro e outubro de 2025, o Brasil registrou 7,68 milhões de visitantes vindos do exterior. Os vizinhos da Argentina (2,94 milhões de turistas) lideram, seguidos por Chile (662 mil) e Estados Unidos (614 mil), somando 55% do total de viajantes que ingressaram no Brasil. Os gastos desses turistas já alcançaram US$ 6,04 bilhões até setembro, uma alta de 11,7% ante 2024.

Além do fluxo externo, o cenário interno é favorecido pela desaceleração de preços em serviços essenciais. De acordo com o IPCA, nos dez meses encerrados em outubro de 2024, houve quedas significativas nos preços das passagens aéreas (- 14,4%), e nas passagens para ônibus interestaduais (- 1,8%).

Essa dinâmica de preços contribuiu para que o volume de passageiros transportados atingisse o recorde de 96,2 milhões nos primeiros nove meses de 2025, superando a marca histórica de 2015.

Alta na empregabilidade

A concentração de gastos durante a temporada de verão deve privilegiar setores de consumo imediato, principalmente bares e restaurantes, com faturamento estimado em R$ 97,3 bilhões. Já o transporte rodoviário projeta movimentar R$ 34,1 bilhões.

Unsplash/Jonathan Borba
Setor de transportes deve abrir 12 mil postos de trabalho
Setor de transportes deve abrir 12 mil postos de trabalho

“Tanto nas receitas quanto no efeito de contratações temporárias, o momento da economia, de baixo desemprego e inflação em desaceleração, abrem espaço no orçamento do brasileiro para gastos com lazer. Isso faz girar a roda da economia no setor do turismo, revertendo as viagens em receita para empreendimentos de diversos segmentos”, complementa o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

No campo das contratações, o segmento de alimentação também lidera, respondendo por mais de 70% das vagas previstas (61,47 mil). O setor de transportes em geral deve abrir 12,25 mil postos, seguido pela hospedagem, com 10,02 mil novas vagas. O salário médio de admissão para o período está estimado em R$ 1.912, uma valorização de 5,8% em relação ao ano passado.

Recuperação Consolidada

Atualmente, o faturamento real do Turismo brasileiro já se situa 13% acima do nível pré-pandemia. Após a crise sanitária iniciada em 2020, quando o setor encolheu 36,7%, a atividade turística conseguiu anular as perdas de receita em dezembro de 2022, mantendo a trajetória de crescimento desde então.

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Beatriz Contelli

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Anhembi Morumbi com pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela FAAP. Entrou na PANROTAS em 2019, com foco especialmente em Branded Content, e, desde 2024, atua como repórter da redação.