Estudo inédito revela o comportamento do turista estrangeiro no Brasil; veja detalhes
Mastercard Economics Institute analisa gastos com cartão nas cidades de Rio de Janeiro, Salvador e Ipojuca

O Brasil se prepara para o Carnaval com um ímpeto incomum. Em 2025, o País registrou 9,3 milhões de chegadas de turistas internacionais, o maior número da série histórica. Isso representa um aumento de 37,1% em relação a 2024 (cerca de 6,7 milhões de visitantes) e supera a meta nacional de 2025 (6,9 milhões) em 34,6%.
Mas a alta temporada turística no Brasil não se resume a um único momento. É um período extenso que vai de janeiro a março, e os visitantes não encaram esse período da mesma maneira. O momento da viagem, a duração da estadia e o perfil de gastos podem variar bastante dependendo da origem dos turistas.
Essa diferença é importante porque altera a composição da demanda exatamente no momento em que cidades e empresas enfrentam a maior pressão operacional. Quando o perfil dos visitantes muda, os tipos de gastos subsequentes também podem mudar. O mesmo número de visitantes pode gerar resultados econômicos muito diferentes.
Uma pesquisa da Mastercard Economics Institute aponta as características do turista internacional. Confira destaques:
Duas ondas de verão, não uma única "alta temporada"

Uma maneira simples de pensar no turismo de início de ano no Brasil é como duas ondas sobrepostas:
- “Amantes do verão”: visitantes que vêm principalmente para as semanas de praia e o período de férias escolares, e que geralmente partem antes do início do Carnaval.
- “Caçadores de Carnaval”: visitantes que planejam sua viagem em torno das festividades e eventos culturais, e cuja presença (e gastos) aumenta durante o período do Carnaval.
Ambos os grupos podem estar presentes nos primeiros meses. A principal diferença é o que acontece à medida que o Carnaval se aproxima.
Para entender como a demanda por viagens muda do verão para o Carnaval, o Mastercard Economics Institute analisou gastos com cartão de forma anônima no Rio de Janeiro, Salvador e Ipojuca (Porto de Galinhas). Comparamos os padrões de gastos por país de origem dos visitantes, com foco nas semanas próximas ao Carnaval em comparação com o período anterior do verão.

O que emerge é um padrão consistente entre os destinos analisados:
- O número de visitantes sul-americanos tende a atingir o pico mais cedo, durante o auge do verão, e depois diminui à medida que o Carnaval se aproxima.
- Os gastos de turistas europeus e americanos aumentam consideravelmente durante o período do Carnaval, o que condiz com a chegada de visitantes cuja viagem gira em torno das festividades.
A implicação é clara: o Brasil não está simplesmente recebendo “mais turistas” no início da alta temporada. O País está recebendo diferentes perfis de turistas em diferentes momentos da temporada, e isso pode remodelar a economia local semana após semana.
Do samba às compras: o que os gastos dos turistas revelam sobre a economia do Turismo no Brasil
Mesmo quando os turistas frequentam as mesmas ruas, festas e eventos, eles não participam da economia local da mesma maneira. Durante o Carnaval, a distribuição dos gastos pode variar bastante dependendo da nacionalidade.
Um grupo em particular se destaca: os argentinos. Nos dados de gastos, os turistas argentinos destinam uma parcela muito maior de seu orçamento as compras no varejo, especialmente em categorias como vestuário e eletrônicos. Em contrapartida, outros visitantes estrangeiros tendem a concentrar seus gastos em serviços e experiências, incluindo restaurantes, hospedagem e atividades pagas.
Na prática, isso significa que o impacto econômico do Carnaval pode variar de acordo com o destino, dependendo se a cidade está posicionada para captar a demanda do varejo, a demanda por experiências ou ambas.
O gráfico abaixo compara a distribuição percentual dos gastos durante o Carnaval do Rio de Janeiro entre turistas dos principais mercados emissores. Os visitantes da Argentina apresentam um perfil com maior foco em compras, enquanto os demais visitantes tendem a priorizar experiências.
Em resumo: os argentinos tendem a priorizar uma "cesta de compras", enquanto outros turistas preferem uma "cesta de experiências".

Esse padrão também se repete em outros destinos turísticos importantes e fora do período do Carnaval. Isso sugere que não é causado pelo Carnaval em si. Parece mais um comportamento persistente do consumidor ligado ao mercado de origem.
Essa diferença no comportamento de gastos é especialmente relevante considerando o contexto turístico mais amplo. A Argentina não é apenas um dos mercados de origem mais importantes para o Brasil, como também parece ter sido um fator-chave para o forte crescimento das chegadas de turistas internacionais em 2025.
Essa combinação pode produzir "vencedores" muito diferentes dentro de uma economia local:
- Um destino com forte infraestrutura de varejo pode se beneficiar desproporcionalmente quando o volume de turistas argentinos é alto.
- Um destino com forte capacidade de hospitalidade e experiências pagas pode capturar mais oportunidades com a onda de visitantes europeus e americanos focados no Carnaval.
Consideradas em conjunto, essas duas perspectivas esclarecem por que a história do Turismo durante o Carnaval é mais complexa do que uma simples classificação como "alta temporada".