Chegadas internacionais ao Brasil crescem 25% entre os top emissores; veja por Estado
Estudo da Amadeus revela como Brasil voltou a atrair turistas internacionais em ritmo intenso

O Turismo brasileiro fechou o ano de 2025 cheio de recordes para comemorar. Dados consolidados e exclusivos da Amadeus de chegadas e permanência de viajantes internacionais e domésticos mostram que o País não apenas recuperou o terreno perdido nos últimos anos, como passou a crescer em ritmo acelerado, com números inéditos em mercados estratégicos e uma redistribuição inédita do fluxo turístico entre os Estados brasileiros.
A análise detalhada dos rankings e variações apresentados neste relatório exclusivo para a edição da revista do Fórum PANROTAS 2026 revela uma estruturação do Turismo doméstico e ajuda a explicar por que 2026 já desponta como mais um ano de franca expansão.
O estudo revela em detalhes como o Brasil voltou a atrair turistas internacionais em ritmo intenso entre 2024 e 2025. No período, a Argentina assumiu protagonismo absoluto, respondendo por 29% de todas as chegadas internacionais ao País e registrando um crescimento expressivo de 78% em relação ao ano anterior.
Esse salto representa não apenas recuperação, mas um aumento real da presença argentina nos destinos brasileiros, impulsionado pela retomada econômica gradual do país vizinho, pela proximidade geográfica e pela competitividade do Brasil como destino de lazer.

Logo atrás, o Chile aparece com 15% de participação e crescimento de 27%, consolidando-se como segundo maior emissor para o Brasil. O mercado chileno vem ampliando a presença principalmente em destinos de praia e natureza, aproveitando conexões aéreas cada vez mais frequentes.
Já os Estados Unidos, terceiro maior mercado, respondem por 10% das chegadas e crescem 3%, número menor, mas ainda relevante por se tratar de um mercado já consolidado e de alto gasto médio por visitante. E que passou a ter exigência de visto para entrar no Brasil.
Portugal aparece com 8% de participação e crescimento de 15%, refletindo o forte intercâmbio cultural e o aumento de rotas aéreas entre os dois países. Uruguai, França, Alemanha, Itália, Reino Unido e Espanha completam o ranking dos dez principais mercados emissores, todos com crescimento, mostrando que o Brasil voltou a atrair turistas europeus em ritmo consistente e sem exceções.
Países que mais cresceram proporcionalmente
Já entre os países que mais cresceram proporcionalmente de 2024 para 2025, a Argentina também lidera com crescimento de 78%. Apesar disso, mercados menores começam a ganhar relevância.
O Paraguai cresce 28%, Chile avança 27%, Uruguai 25% e França 24%. Peru e Colômbia também aparecem com expansão relevante, indicando fortalecimento da América do Sul como principal motor do Turismo receptivo brasileiro.
Para onde vão os turistas?

A Amadeus também divulgou o ranking dos Estados que mais recebem visitantes internacionais, com o Rio de Janeiro na liderança absoluta, concentrando 38% das chegadas e crescendo expressivos 38% sobre o ano anterior. O dado mostra uma recuperação robusta do destino, impulsionada por eventos, retomada da conectividade aérea e reforço da imagem internacional da cidade.
São Paulo permanece em segundo lugar, com 25% das chegadas e crescimento mais moderado de 5%, reflexo do peso já consolidado do destino como porta de entrada do País e hub corporativo. O dado mais interessante, porém, vem de Estados que passam a ganhar espaço rapidamente. Santa Catarina, por exemplo, alcançou 11% das chegadas internacionais e cresceu 42% em 2025, indicando avanço de destinos como Florianópolis e o litoral catarinense no mercado internacional.
O Nordeste apresenta alguns dos saltos mais interessantes do ano passado. Pernambuco cresceu 69% e chegou a 5% das chegadas internacionais, enquanto a Bahia avançou 33% e o Rio Grande do Norte registrou alta de 55%.
O Ceará, por sua vez, também cresce 17%, mostrando que o Turismo internacional começa a se espalhar por mais Estados brasileiros. O único destino do ranking com retração é o Distrito Federal, que registra queda de 9%, refletindo menor dependência de viagens internacionais de negócios em comparação ao Turismo de lazer.
Turistas domésticos

Quando o foco passa ao mercado doméstico, os números revelam outro fenômeno importante: o brasileiro voltou a viajar dentro do País. Neste caso, São Paulo continua como grande emissor nacional, respondendo por 47% das viagens domésticas e crescendo 14%. O Rio de Janeiro aparece em segundo lugar, com 9% de participação e crescimento expressivo de 25%, sinalizando retomada vigorosa das viagens internas.
O dado mais surpreendente surge no Rio Grande do Sul, que cresce 66% como emissor doméstico, indicando recuperação e maior mobilidade da população local , depois de um período marcado por isolamento causado por enchentes e fortes chuvas. Santa Catarina também cresce acima da média, com alta de 20%, enquanto Estados do Nordeste mantêm expansão consistente. Pernambuco é o único que mantém estabilidade, sem variação significativa.
No ranking de destinos domésticos que mais recebem os próprios brasileiros, São Paulo novamente lidera, recebendo 19% das viagens internas e crescendo 14%. O Rio de Janeiro aparece em segundo lugar, com 10% e alta de 11%. Minas Gerais e Paraná mantêm crescimento consistente, mas o destaque absoluto é novamente o Rio Grande do Sul, que registra aumento espetacular de 100% na recepção de turistas domésticos, dobrando o fluxo interno e consolidando-se como destino de forte retomada.
O Ceará cresce 22%, Pernambuco 13% e Bahia mantém ritmo positivo, reforçando o protagonismo nordestino também entre os brasileiros. Santa Catarina, embora cresça apenas 1%, mantém posição entre os destinos mais procurados, refletindo maturidade e estabilidade do mercado.

E o que podemos esperar de 2026?
Quais serão as tendências para 2026? De acordo com o estudo da Amadeus, o ciclo positivo deve continuar. A Argentina deve ampliar ainda mais sua presença e atingir 33% de participação entre os visitantes internacionais, crescendo mais 28% sobre 2025.
Alemanha, Espanha e Portugal também devem apresentar crescimento projetado relevante, enquanto os Estados Unidos aparecem com leve retração prevista de 3%, possivelmente reflexo de ajustes na oferta aérea, na política e no ambiente econômico global, além da exigência de vistos para americanos, reeditada pelo governo brasileiro.
Entre os destinos brasileiros, o Rio de Janeiro segue absoluto, mantendo 38% das chegadas internacionais e projetando crescimento adicional de 14%. São Paulo cresce 7% e Santa Catarina mantém expansão contínua.
O dado mais impressionante aparece novamente no Nordeste: o Rio Grande do Norte deve crescer 73% em 2026, e Alagoas surge no ranking com expansão prevista de 29%, mostrando avanço consistente do Turismo internacional em novos pólos da região. Pernambuco também projeta crescimento forte, de 26%.

O estudo revela ainda que o Turismo brasileiro vive três transformações simultâneas: crescimento acelerado de chegadas internacionais; expansão de viagens domésticas; e descentralização do fluxo turístico dentro do País. Isto porque, o visitante internacional passa a circular mais pelo território brasileiro, enquanto o brasileiro volta a viajar com maior frequência.
Se as projeções se confirmarem, 2026 pode consolidar o Brasil como um dos mercados turísticos de crescimento mais consistente nas Américas novamente. Os números indicam que o País está no radar global não apenas como destino exótico ou sazonal, mas como mercado turístico estruturado e em expansão contínua. É que o Turismo brasileiro entrou, definitivamente, em uma nova fase de crescimento.
