Karina Cedeño   |   12/06/2026 14:04

WTTC revela as transformações que a Copa do Mundo 2026 proporciona ao setor de viagens

Torneios demonstram como megaeventos podem servir como catalisadores de transformações duradouras.


Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2026/Divulgação
Objetivo do tornei deste ano é permitir que os viajantes se movimentem de forma integrada entre diferentes países, mantendo elevados padrões de segurança e uma experiência consistente e acolhedora
Objetivo do tornei deste ano é permitir que os viajantes se movimentem de forma integrada entre diferentes países, mantendo elevados padrões de segurança e uma experiência consistente e acolhedora

Com o início da Copa do Mundo 2026 nos Estados Unidos, Canadá e México, o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) divulgou seu mais recente estudo, “Gestão de Fronteiras e Facilitação de Vistos na Copa do Mundo FIFA: 20 Anos de Evolução (2006–2026)”, destacando como este torneio histórico representa um ponto de virada na gestão global de fronteiras e reúne duas décadas de inovação para oferecer uma das experiências de viagem mais fluidas e seguras já alcançadas.

A edição de 2026 é a maior Copa do Mundo da história, com a participação de 48 seleções, e a primeira a ser sediada simultaneamente por três países. Essa escala e complexidade sem precedentes impulsionaram o uso de inovações digitais em controle de fronteiras para administrar o fluxo internacional de viajantes, demonstrando que os sistemas de fronteira podem ser altamente seguros e eficientes ao mesmo tempo.

No centro dessa estratégia está a adoção do modelo de “viagem confiável” (trusted travel), no qual viajantes previamente aprovados e considerados de baixo risco passam por processos de entrada mais rápidos e previsíveis, sem comprometer os padrões de segurança.

Somente nos Estados Unidos, mais de 5,9 milhões de solicitações do Sistema Eletrônico de Autorização de Viagem (ESTA) foram registradas antes do torneio, resultando em mais de cinco milhões de aprovações para viagens sem necessidade de visto. Paralelamente, mais de 1,6 milhão de viajantes aderiram a Programas de Viajantes Confiáveis (TTP), incluindo Global Entry, NEXUS e SENTRI, que permitem entrada acelerada nas fronteiras dos três países anfitriões.

A inovação também alcançou a facilitação da jornada dos viajantes e o acesso à informação. Iniciativas como o Fifa Pass, que prioriza o agendamento de vistos para portadores de ingressos, e o Compass, assistente digital baseado em inteligência artificial, ajudaram os viajantes a compreender melhor os requisitos de entrada, além de auxiliar as autoridades no gerenciamento da demanda.

No México, cidadãos de mais de 65 países podem entrar sem visto para estadas de até 180 dias. Além disso, viajantes que possuem visto válido ou residência nos Estados Unidos, Canadá, Japão, Reino Unido ou Espaço Schengen estão isentos da exigência de visto turístico mexicano, permitindo que muitos torcedores internacionais se desloquem entre os países-sede sem burocracia adicional. O país também reforçou a segurança e a fluidez das viagens por meio do programa Viajero Confiable, que permite aos participantes utilizar quiosques automatizados e filas rápidas de imigração em aeroportos selecionados.

No Canadá, os viajantes precisam obter previamente um visto de visitante ou uma Autorização Eletrônica de Viagem (eTA), sendo recomendável mencionar “Fifa World Cup 26” durante a solicitação para facilitar o processamento dentro dos prazos. O programa de viajantes confiáveis Nexus permite o uso de quiosques e portões eletrônicos para agilizar a entrada. Já os demais visitantes podem utilizar o aplicativo ArriveCAN, que possibilita preencher declarações alfandegárias e de imigração até 72 horas antes da chegada, garantindo acesso a filas expressas em aeroportos importantes.

Como as Copas do Mundo transformaram o setor de viagens?

PANROTAS / Beatrice Teizen
Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC, acredita que as lições aprendidas com esses torneios mostram que a identidade digital e os processos robustos de verificação antes da viagem podem melhorar tanto os procedimentos de entrada quanto a experiência geral do viajante
Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC, acredita que as lições aprendidas com esses torneios mostram que a identidade digital e os processos robustos de verificação antes da viagem podem melhorar tanto os procedimentos de entrada quanto a experiência geral do viajante

A pesquisa do WTTC mostra que esses avanços representam o estágio mais avançado de uma transformação de 20 anos na gestão de fronteiras, que evoluiu dos processos tradicionais de emissão de vistos para ecossistemas digitais dinâmicos capazes de integrar identidade, entrada, mobilidade e experiência do viajante em uma jornada contínua.

Esses progressos seguem uma trajetória clara de inovação observada em Copas anteriores. O torneio na Alemanha em 2006 concentrou esforços na ampliação dos processos tradicionais de vistos dentro do Espaço Schengen. Já na África do Sul em 2010 houve a introdução o primeiro Visto de Evento e mecanismos de pré-triagem com processamento antecipado de passageiros.

O Brasil em 2014 avançou com uma estrutura legal específica e categorias de vistos personalizadas. A Rússia em 2018 lançou o sistema FAN ID, integrando entrada no país, transporte e acesso aos estádios. Já o Catar em 2022 aperfeiçoou esse conceito com o ecossistema digital Hayya, posteriormente transformado em uma plataforma permanente de visto eletrônico nacional.

Juntos, esses seis torneios demonstram como megaeventos podem servir como catalisadores de transformações duradouras. Também evidenciam que o futuro da gestão de fronteiras está cada vez mais associado a sistemas digitais interoperáveis, nos quais os viajantes podem ser previamente avaliados antes da partida e acompanhados por plataformas conectadas ao longo de toda a viagem, aumentando tanto a segurança quanto a qualidade da experiência.

“A Copa do Mundo Fifa tem demonstrado consistentemente que a gestão de fronteiras pode evoluir de uma barreira para um facilitador da conectividade global. Do foco inicial da Alemanha na facilitação de vistos às soluções de viajantes confiáveis observadas em 2026, estamos testemunhando o surgimento de um novo modelo de viagens: digital, seguro e eficiente em grande escala"

Presidente e CEO do WTTC, Gloria Guevara

"As lições aprendidas com esses torneios mostram que a identidade digital e os processos robustos de verificação antes da viagem podem melhorar tanto os procedimentos de entrada quanto a experiência geral do viajante. O próximo passo será desenvolver sistemas interoperáveis entre múltiplas jurisdições, não apenas para megaeventos, mas para o turismo global, permitindo jornadas mais seguras, rápidas e fluidas para todos", afirma.

O WTTC destaca ainda que, à medida que os megaeventos se tornam mais complexos e geograficamente distribuídos, especialmente com a Copa do Mundo FIFA de 2030, prevista para ocorrer em seis países e três continentes, a necessidade de soluções coordenadas e interoperáveis será cada vez maior. O objetivo será permitir que os viajantes se movimentem de forma integrada entre diferentes países, mantendo elevados padrões de segurança e uma experiência consistente e acolhedora.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero em 2011 e com mais de dez anos de experiência em reportagens no setor de Turismo.