Da Redação   |   10/08/2026 09:02
Atualizada em 07/08/2026 09:55

Projeção de crescimento mais lento acende alerta no setor de eventos, aponta Abrape

Desaceleração das contratações e cenário pós-PERSE ampliam cautela entre empresas do segmento

Divulgação/Abrape
Para Doreni Caramori, o cenário projetado reflete uma mudança de ciclo
Para Doreni Caramori, o cenário projetado reflete uma mudança de ciclo

O setor de eventos de cultura e entretenimento deverá encerrar 2026 mantendo trajetória positiva, porém em ritmo inferior ao observado nos últimos anos.

A perspectiva tem gerado preocupação entre empresas da cadeia produtiva, que acompanham os sinais de desaceleração observados no mercado de trabalho e os impactos do novo ambiente econômico após o encerramento do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE).

A avaliação consta em estudo elaborado pela Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), com base em modelos estatísticos aplicados às séries históricas do Novo Caged e da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), além de indicadores de consumo calculados a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As projeções foram elaboradas em um momento de maior atenção por parte do setor. Os dados mais recentes do mercado de trabalho mostram perda de intensidade na geração de empregos formais ao longo de 2026, após um período de forte recuperação pós-pandemia.

Ao mesmo tempo, as empresas enfrentam um ambiente econômico mais desafiador e passam por um processo de adaptação após o encerramento do PERSE, considerado uma das principais ferramentas de sustentação da cadeia produtiva nos últimos anos.

Ainda assim, os modelos estatísticos apontam para a continuidade do crescimento da atividade econômica no segundo semestre, embora em um ritmo mais moderado e com menor margem para absorver choques econômicos ou aumentos de custos operacionais.

No mercado de trabalho, a expectativa é que o núcleo principal das atividades de eventos gere aproximadamente 2,4 mil novos empregos formais entre julho e dezembro, encerrando o ano com um estoque (total de vagas disponíveis em um mercado de trabalho) próximo de 210 mil trabalhadores. Já o hub, que reúne áreas como Turismo, hospedagem, alimentação, publicidade, infraestrutura e serviços, deverá criar cerca de 79 mil postos adicionais, alcançando aproximadamente 4,44 milhões de vínculos formais.

Para o presidente da Abrape, o empresário Doreni Caramori Júnior, o cenário projetado reflete uma mudança de ciclo, com as empresas precisando se adaptar ao novo contexto econômico e ao fim do Perse, que teve papel fundamental na reconstrução da cadeia de eventos.

“As projeções mostram que o setor continuará crescendo, mas o ritmo mais lento previsto para os próximos meses naturalmente gera preocupação entre empresários e investidores. A desaceleração observada nos indicadores de emprego, somada ao encerramento do Perse e a um ambiente econômico mais desafiador, exige atenção. O setor demonstrou força ao longo dos últimos anos, porém precisará de previsibilidade, segurança jurídica e estímulos aos investimentos para continuar gerando empregos, atraindo novos negócios e movimentando toda a sua cadeia produtiva”

Doreni Caramori Júnior, presidente da Abrape

Mercado em transição

Filip Andrejevic/Unsplash
Expectativa da entidade é que o setor movimente aproximadamente R$ 153 bilhões ao longo de 2026, sendo cerca de R$ 76 bilhões concentrados no segundo semestre
Expectativa da entidade é que o setor movimente aproximadamente R$ 153 bilhões ao longo de 2026, sendo cerca de R$ 76 bilhões concentrados no segundo semestre

De acordo com o economista Alison Fiuza, um dos responsáveis técnicos pelo estudo, a moderação no ritmo de expansão é compatível com um mercado que já absorveu boa parte do crescimento observado nos anos anteriores.

"Os resultados sugerem que o mercado continuará ampliando seu estoque de empregos formais ao longo do segundo semestre. No entanto, esse avanço deve ocorrer em ritmo inferior ao observado nos anos anteriores. A atividade continua sustentada por uma base de empregos significativamente superior à registrada após a pandemia, o que demonstra maior maturidade e capacidade de adaptação do setor", explica.

As estimativas também apontam para a manutenção da trajetória positiva dos gastos das famílias com recreação e entretenimento. A expectativa da entidade é que o setor movimente aproximadamente R$ 153 bilhões ao longo de 2026, sendo cerca de R$ 76 bilhões concentrados no segundo semestre.

O indicador é calculado a partir do peso do item Recreação no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE, combinado à massa de rendimento real dos trabalhadores medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). A metodologia busca estimar a evolução das despesas das famílias com lazer, entretenimento e experiências presenciais.

Para o economista Leonardo Alonso, que também participou da elaboração do estudo, a manutenção do consumo continuará sendo um dos principais fatores de sustentação do ecossistema de eventos.

"As projeções apontam para um ambiente favorável, com preservação dos níveis de consumo ao longo do segundo semestre. Esse movimento beneficia não apenas os promotores e organizadores de eventos, mas também segmentos como hotelaria, gastronomia, turismo, transporte e diversos serviços que integram essa cadeia econômica"

Doreni Caramori Júnior, presidente da Abrape

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