Câmara LGBT lança pesquisa inédita sobre comportamento do turista LGBTQ+; veja insights
Pesquisa revela que 34% da comunidade LGBTQ+ destina de 5% a 10% de sua renda para viagens

Começa hoje (23), em São Paulo, a 10ª edição da Conferência Internacional da Diversidade, promovida pela Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil. Além de representar um marco para o evento, que enfrenta desafios desde o último ano, a 10ª edição também se destaca pelo lançamento de uma pesquisa inédita sobre o comportamento turístico da população LGBT+ no Brasil.
A iniciativa, em parceria com o IEMI – Inteligência de Mercado, analisa perfil socioeconômico, poder de compra, estilo de vida, hábitos de consumo, marcas e destinos com os quais o público se identifica, preferências e necessidades ainda não atendidas, entre outros indicadores.
Entre os dados mais relevantes da Pesquisa do Perfil e Comportamento de Consumo da População e do Turista LGBTQ+ do Brasil, destaca-se:
- 34% da comunidade LGBT+ destina de 5% a 10% de sua renda para viagens;
- 33% viaja pelo menos duas vezes ao ano;
- 59% dos viajantes LGBT+ repete os destinos;
- 58% escolhem um destino por sua reputação como LGBT+ friendly;
- 40% pagaria mais por uma hospitalidade inclusiva, com foco em segurança e acolhimento.
"O público LGBT+ apresenta renda, patrimônio e comportamento financeiro que justificam uma estratégia específica de mercado. É um público que viaja com frequência, dedica parcela relevante de sua renda para viagens e busca por experiências e cultura. Segurança, reputação e leis do destino funcionam como critérios de entrada"
Marcelo Prado, diretor do IEMI – Inteligência de Mercado
Outro destaque apontado pelo relatório é a diversidade de interesses do viajante LGBT+, que vai muito além da vida noturna. De acordo com a pesquisa:
- 67% dos entrevistados buscam atividades culturais,
- 62% priorizam o descanso,
- 45% demonstram interesse em atividades de aventura.
A gastronomia também aparece como um critério na escolha do destino. Entre as preferências, 73% mencionam comida de rua, mercados locais e lanchonetes; 58% optam por restaurantes renomados; e 36% preferem cozinhar na própria hospedagem.
Poder de consumo e desafios de inclusão
"A população brasileira conta com 16 milhões de pessoas autodeclaradas LGBT+, enquanto os gastos da comunidade com viagens chegaram a R$ 33,4 bilhões. O consumidor LGBT+ valoriza políticas internas, atendimento respeitoso, contratação diversa e sinais concretos de acolhimento"
Marcelo Prado, diretor do IEMI – Inteligência de Mercado
Apesar de gastar o dobro da média brasileira com viagens, o turista LGBT+ ainda enfrenta desafios relacionados à segurança, ao acolhimento e à discriminação durante suas experiências no Turismo.
Segundo o relatório:
- 25% modificam frequentemente o comportamento por medo de discriminação;
- 44% já enfrentaram situações de atendimento desconfortável ou preconceituoso por parte de funcionários de hotéis e restaurantes;
- 39% têm medo de demonstrar afeto em áreas públicas de hotéis ou destinos;
- 36% já perceberam olhares julgadores ou situações de discriminação sutil;
- 34% sente pouca inclusão ou representatividade LGBT+ nas empresas do Turismo.
O relatório também aponta os canais de compra da população LGBT+. 41% compram viagens diretamente com companhias aéreas e hotéis, enquanto 33% recorrem às agências de viagens.
Em breve, a Pesquisa do Perfil e Comportamento de Consumo da População e do Turista LGBTQ+ do Brasil estará disponível na íntegra no site da Câmara LGBT.