Karina Cedeño   |   25/09/2026 09:05

Turismo global cresce no 1° semestre e mostra resiliência em meio a desafios geopolíticos

No entanto, conflito no Oriente Médio e aumento dos custos pressionam o ritmo de crescimento


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Estima-se que 690 milhões de turistas tenham viajado internacionalmente entre janeiro e junho de 2026
Estima-se que 690 milhões de turistas tenham viajado internacionalmente entre janeiro e junho de 2026

O Turismo internacional apresentou crescimento modesto no primeiro semestre de 2026, com o número de chegadas internacionais subindo 0,4% globalmente, mesmo diante da insegurança no Oriente Médio, dos preços elevados do petróleo e das pressões inflacionárias mais amplas que testaram a resiliência do setor.

De acordo com o mais recente World Tourism Barometer da ONU Turismo, estima-se que 690 milhões de turistas tenham viajado internacionalmente entre janeiro e junho de 2026, cerca de três milhões a mais do que no mesmo período do ano passado.

Embora as chegadas internacionais tenham aumentado 2% no primeiro trimestre de 2026, elas caíram 1% no segundo trimestre, após uma retração de 3% em abril. Essa redução ocorreu principalmente devido ao efeito do calendário relacionado ao período do feriado da Páscoa, que começou em março, e aos impactos do conflito no Oriente Médio.

Globalmente, as chegadas caíram 3% em junho, impulsionadas por uma queda de 6% na Europa Ocidental, parcialmente causada por uma onda de calor em alguns destinos. O Sudeste Asiático registrou redução de 5% nas chegadas em junho, enquanto alguns destinos da Oceania recuaram 6% nas chegadas em junho.

“A situação no Oriente Médio afetou destinos muito além da própria região e serve como um claro lembrete de que, em um mundo tão conectado, a resiliência precisa ser construída em todos os lugares, e não apenas quando uma crise começa. Os dados mais recentes mostram um setor absorvendo pressões reais e encontrando maneiras de seguir em frente. O Turismo não parou de crescer, mas esse crescimento é frágil. A situação no Oriente Médio afetou destinos muito além da própria região e serve como um claro lembrete de que, em um mundo tão conectado, a resiliência precisa ser construída em todos os lugares, e não apenas quando uma crise começa"

Secretária geral da ONU Turismo, Shaikha Al Nuwais

Desempenho por região

O World Tourism Barometer apresenta os resultados por região e sub-região.

Os dados mostram que:

  • No primeiro semestre de 2026, África (+4%) e Europa (+3%) registraram crescimento sólido nas chegadas, enquanto as Américas tiveram aumento de 2%, com resultados variados entre as sub-regiões;
  • As chegadas à Ásia e ao Pacífico cresceram 1% nesse período de seis meses, mas permaneceram 11% abaixo dos níveis de 2019, devido aos impactos sobre a conectividade aérea, às tarifas aéreas mais elevadas e à incerteza que afetou a demanda dentro da própria região;
  • O Nordeste Asiático registrou crescimento de 3% no primeiro semestre de 2026, enquanto o Sul da Ásia (-5%) e o Sudeste Asiático (-1%) registraram quedas em comparação com o mesmo período de 2025;
  • O Oriente Médio registrou uma queda de 22% nesse período, uma vez que foi diretamente afetado pelo conflito. Embora a guerra tenha afetado negativamente o Turismo internacional no Oriente Médio e em outras regiões desde o início de março de 2026, as interrupções no tráfego aéreo diminuíram gradualmente em maio e junho após o anúncio de um cessar-fogo. Isso resultou na reabertura de algumas rotas aéreas e levou a uma recuperação desigual da confiança dos consumidores.

Perspectivas para o futuro

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Espera-se que as chegadas de turistas internacionais cresçam entre 1% e 2% globalmente em 2026
Espera-se que as chegadas de turistas internacionais cresçam entre 1% e 2% globalmente em 2026

Diante dos dados mais recentes e da atual volatilidade geopolítica, espera-se que as chegadas de turistas internacionais cresçam entre 1% e 2% globalmente em 2026, em comparação com a previsão de crescimento de 3% a 4% feita pela ONU Turismo em janeiro. No entanto, isso dependerá da duração efetiva do conflito e de seus efeitos sobre os preços do petróleo e a inflação em geral.

Ao mesmo tempo, espera-se que os viajantes internacionais continuem buscando uma melhor relação custo-benefício e optem por viajar para destinos mais próximos de casa ou dentro de seus próprios países, novamente em resposta aos preços elevados e à incerteza.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero em 2011 e com mais de dez anos de experiência em reportagens no setor de Turismo.