Turismo brasileiro fatura R$ 193 bilhões em oito meses e deve encerrar ano com alta de 3%
Apesar dos recordes, FecomercioSP aponta para aumento dos preços como fator importante na expansão

O faturamento do Turismo nacional alcançou R$ 192,9 bilhões nos primeiros oito meses do ano, de acordo com pesquisa elaborada pela FecomercioSP. O valor representa uma alta de 3,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Só em agosto, o setor arrecadou R$ 24,5 bilhões, crescimento de 2,6% na comparação interanual.
O Turismo alcançou dois recordes no oitavo mês do ano: o maior resultado para o mês e o maior valor acumulado em oito meses desde o começo da série histórica da pesquisa, em 2012. Apesar dos recordes, a FecomercioSP destaca que o impulso para o crescimento do faturamento não decorreu da expansão do volume de turistas, mas do aumento dos preços. Em agosto, a tarifa aérea subiu 14,5%, enquanto o número de passageiros avançou 2,3%.

Em segmentos como alojamento, por sua vez, a diária cresceu em ritmo muito superior à taxa de ocupação. Na avaliação da entidade, altas como essa costumam ser menos robustas do que quando impulsionadas pelo volume. Com o acumulado do ano em 3,4% e o ritmo atual dos últimos meses, a Federação projeta um crescimento em torno de 3% para o setor em 2026. Se confirmada a projeção, o Turismo alcançará mais um recorde em seu faturamento anual.
Pressão sobre passagens permanecerá
O transporte aéreo de passageiros obteve o maior faturamento em agosto, com R$ 7,7 bilhões e um crescimento mensal de 3,1%. No ano, o segmento acumula alta de 5%. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o número de passageiros transportados chegou a 9 milhões, marcando um recorde para o mês, com Revenue Passenger-Kilometers (KPR) crescendo 3,3%. Já a tarifa média saltou de R$ 678,40 para, aproximadamente, R$ 777.
Para os próximos meses, a perspectiva é de manutenção da pressão sobre as tarifas. De acordo com a FecomercioSP, a estabilização do preço do petróleo em patamar acima de US$ 100 por um período mais prolongado tende a manter elevados os custos operacionais das companhias aéreas, limitando eventual alívio nos preços aos passageiros.

Crédito restrito e renda contida afetam alojamentos
O segmento de alojamento sofreu os reflexos do crédito mais restrito e da pressão sobre o orçamento das famílias, principalmente nos pequenos negócios. Em agosto, a atividade faturou R$ 5,1 bilhões, com alta de 0,7%, mantendo o ritmo mais moderado que tem sido característico do segmento nos últimos meses.
Hotéis de maior porte, contudo, apresentaram desempenho mais sólido. Os indicadores do Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb) mostraram um avanço da taxa de ocupação (2,4%), da diária média (5,4%) e do Revenue per Available Room (RevPAR) (7,9%) em relação a agosto do ano anterior.
Alimentação registra maior alta porcentual
Mesmo sem grande fluxo turístico e com o recesso escolar encerrado, a alimentação voltada para o Turismo obteve a maior variação porcentual do mês, com crescimento de 7,5% e faturamento de R$ 3,9 bilhões — o resultado mais forte registrado pelo segmento em 2026.
Na avaliação da FecomercioSP, o resultado pode estar associado à retomada das atividades urbanas após o recesso de julho, com eventos corporativos e acadêmicos que ocorreram no segundo semestre. Além disso, a alimentação fora do lar em grandes centros, que tende a se manter mesmo fora dos picos de deslocamento turístico, também pode ter contribuído para o resultado. No acumulado do ano, o segmento avançou 5,8%.
Locação de meios de transporte recua em agosto
Dentre os demais segmentos, o transporte aquaviário destacou-se com alta de 8,1% e faturamento de R$ 784 milhões. As agências de viagens e operadoras turísticas e o transporte rodoviário de passageiros faturaram R$ 1,7 bilhão, com crescimentos de 2,2% e 0,5%, respectivamente. As atividades culturais, recreativas e esportivas fecharam o mês com R$ 644 milhões e alta de 1,5%.
A locação de meios de transporte foi o único segmento com resultado desfavorável, com queda de 1,3%, e faturamento de R$ 2,8 bilhões. Nesse caso, o desempenho também pode estar relacionado ao custo mais elevado do crédito e à contenção dos gastos das famílias com deslocamentos.
São Paulo lidera; Tocantins tem a maior queda

A FecomercioSP também avaliou o faturamento do Turismo entre os estados. Sem contar o transporte aéreo, o setor faturou R$ 16,7 bilhões em agosto, alta de 2,4% na comparação anual. Quinze unidades federativas apresentaram resultados positivos, enquanto 12 apontaram quedas.
Cerca de 42% do faturamento total foi referente ao desempenho do setor no estado de São Paulo, que faturou aproximadamente R$ 7 bilhões, com crescimento de 4,3%. No acumulado de janeiro a agosto, o estado cresceu 3,6%, sustentado pelo fluxo contínuo de eventos e pelo dinamismo do mercado paulistano.
Rio de Janeiro, com alta de 5,8% e faturamento de R$ 1,5 bilhão, e Minas Gerais (4,1%, com R$ 1,5 bilhão) foram os maiores destaques em volume absoluto. Já o Rio Grande do Sul cresceu 4,1% (R$ 839 milhões), ao passo que Santa Catarina avançou 3,4% (R$ 886 milhões). Em termos porcentuais, as maiores variações positivas ficaram com estados de menor expressão absoluta — Acre (16,7%), Amapá (11,7%) e Alagoas (9%).
Por outro lado, Tocantins (-23,6%) registrou a maior retração. Piauí (-7,7%), Mato Grosso do Sul (-7,7%), Pernambuco (-5,8%), Distrito Federal (-5%) e Paraná (-4,7%) completaram o grupo com quedas mais expressivas.
Os dados foram elaborados pela FecomercioSP com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora possam existir diferenças na magnitude das variações entre as fontes, as tendências observadas permanecem semelhantes.