Laura Enchioglo   |   13/10/2026 10:02
Atualizada em 13/10/2026 10:12

Turismo bate recorde em julho com faturamento de R$ 25,5 bilhões

Crescimento perde ritmo com desaceleração da economia, com o impacto do crédito caro, avalia FecomercioSP


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Bahia apresentou a maior variação porcentual entre os Estados de receita mais expressiva, com alta de 18,7% e faturamento de R$ 759 milhões
Bahia apresentou a maior variação porcentual entre os Estados de receita mais expressiva, com alta de 18,7% e faturamento de R$ 759 milhões

O setor de Turismo faturou R$ 25,5 bilhões em julho, maior valor já registrado para o mês na série histórica. Trata-se de um crescimento de 2,6% em comparação com julho de 2025, segundo os dados da Pesquisa do Faturamento do Turismo Nacional, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Entre janeiro e julho, o setor avançou 3,4% na comparação com o mesmo período do ano passado, com um faturamento de R$ 168,8 bilhões, também o maior valor já registrado nesse período.

Faturamento nos meses de julho, em R$ bilhões (Fonte: IBGE/FecomercioSP)
Faturamento nos meses de julho, em R$ bilhões (Fonte: IBGE/FecomercioSP)

Na leitura da FecomercioSP, o Turismo nacional mantém uma trajetória positiva, mas com um ritmo mais moderado do que o observado nos últimos meses. O movimento é uma consequência da desaceleração da economia, sobretudo com o impacto do crédito caro e da inadimplência elevada sobre a renda familiar. Esses fatores pesam sobre a decisão de gastar com lazer e viagens.

Demanda compensa queda na tarifa aérea

O transporte aéreo de passageiros seguiu como a atividade de maior faturamento em julho, com R$ 8,1 bilhões, alta de 3% em comparação com julho de 2025.

A demanda doméstica sustentou o faturamento, com um avanço de 4% e crescimento do número de passageiros transportados de 2,4%, indicando uma recuperação da aviação em relação a junho. Esse resultado se difere do observado em meses anteriores, pois o crescimento não veio do preço, visto que a tarifa média das passagens recuou para cerca de R$ 703, ante R$ 742 no mesmo período do ano passado.

Chama a atenção também o fato de que o preço do querosene de aviação (QAV) subiu mais de 50% em um ano. Na avaliação da FecomercioSP, as companhias aéreas não conseguiram repassar integralmente esse custo aos passageiros, o que ajuda a explicar a retração da tarifa média mesmo em uma conjuntura de insumos mais caros.

Faturamento do Turismo em julho de 2026<br/>(Fonte: IBGE/FecomercioSP)
Faturamento do Turismo em julho de 2026
(Fonte: IBGE/FecomercioSP)

Hospedagem recua, mas alimentação sustenta trajetória positiva

Os meios de hospedagem faturaram cerca de R$ 5,6 bilhões em julho, com queda de 1,4% na comparação anual, aprofundando a retração já registrada em junho (-0,2%). Os dados do Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb) mostram recuo de 1,3% na taxa de ocupação e alta de 5,3% na diária média.

O Fohb reflete principalmente hotéis de maior porte, enquanto o dado de faturamento do IBGE abrange um leque maior de meios de hospedagem, incluindo pousadas, hostels e hotéis independentes, estabelecimentos que são mais sensíveis a um quadro econômico desfavorável e que tendem a sentir com mais intensidade a contenção do consumo das famílias.

A alimentação voltada ao Turismo manteve o desempenho mais consistente do setor, com faturamento de R$ 3,9 bilhões e alta de 6,5% na comparação anual, acumulando crescimento de 5,6% nos sete primeiros meses. A redução da inflação de alimentos tende a reduzir os custos de insumos de bares e restaurantes turísticos, abrindo espaço a uma precificação mais competitiva e favorecendo a manutenção desse ritmo positivo.

Dois segmentos que vinham de resultados negativos reverteram a tendência em julho: locação de meios de transporte, que voltou ao campo positivo após dois meses de queda, com alta de 2% e faturamento de R$ 2,9 bilhões, e as atividades culturais, recreativas e esportivas, que cresceram 1,6%, somando R$ 709 milhões.

Dentre os demais segmentos pesquisados, o transporte rodoviário de passageiros faturou R$ 1,8 bilhão, com alta de 4,9% na comparação anual, enquanto o transporte aquaviário cresceu 6,9%, somando R$ 778 milhões. As agências de viagens, operadoras turísticas e outros serviços de Turismo avançaram 2,3%, com faturamento de R$ 1,7 bilhão.

Bahia tem maior variação porcentual

Na análise regional (que exclui o transporte aéreo), o Turismo brasileiro faturou R$ 17,4 bilhões em julho, com crescimento de 2,4% na comparação anual. Ao todo, 17 Unidades da Federação (UFs) registraram alta no período, enquanto 10 sofreram queda, sinal de que o crescimento do setor não está sendo compartilhado de forma ampla pelo território nacional.

Faturamento do Turismo Nacional em julho nos Estados (Fonte: IBGE/FecomercioSP)
Faturamento do Turismo Nacional em julho nos Estados (Fonte: IBGE/FecomercioSP)

São Paulo manteve a liderança nacional, com faturamento de aproximadamente R$ 7 bilhões, equivalente a cerca de 40% do total do País. O crescimento de 2,6% no mês reforça o bom momento do Estado, que acumula alta de 3,4% nos sete primeiros meses de 2026, sustentado pelo fluxo contínuo de eventos corporativos e pelo dinamismo do mercado da capital paulista ao longo do ano.

A Bahia apresentou a maior variação porcentual entre os Estados de receita mais expressiva, com alta de 18,7% e faturamento de R$ 759 milhões. O Rio Grande do Norte avançou 16,3%, somando R$ 141 milhões, e o Amapá cresceu 12,4%, ainda que em volume absoluto reduzido.

No campo negativo, as maiores retrações foram observadas em Mato Grosso do Sul (-8,6%), Tocantins (-7,7%), Ceará (-6,9%) e Pernambuco (-6,7%).

A FecomercioSP mantém a projeção de crescimento em torno de 4% para o faturamento do Turismo em 2026, o que representaria mais um recorde histórico, com o total anual se aproximando de R$ 300 bilhões, patamar inédito para o setor. Apesar da desaceleração gradual do ritmo de expansão, a tendência segue positiva.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, Laura Enchioglo é repórter na PANROTAS, onde entrou como estagiária em 2023. Tem experiência em assessoria de imprensa e na cobertura de economia e finanças.