Travel Tech em foco: o que realmente avançou e o que ficou pelo caminho em 2025
Papel da tecnologia na jornada do viajante também esteve no centro dos debates do setor

O ano de 2025 mostrou que a tecnologia para viagens avançou, mas sem grandes saltos. A inteligência artificial deixou de ser apenas promessa e começou a aparecer no dia a dia das empresas, principalmente para ganhar eficiência, melhorar o atendimento e ajudar na tomada de decisão. Foram avanços pontuais, focados no que já traz retorno rápido, enquanto mudanças mais profundas ficaram para depois.
Entre os destaques do ano no segmento de Travel Tech, o Google deu passos importantes para se aproximar ainda mais do momento da compra. A empresa começou a testar novos formatos de anúncios e reservas de atrações diretamente na busca, permitindo comparar preços e comprar ingressos sem sair da página. Com o apoio de ferramentas de IA, a experiência de planejar viagens começa a ficar mais integrada, reunindo inspiração, comparação e decisão em um só lugar.
O papel da tecnologia na jornada do viajante também esteve no centro dos debates do setor. Executivos de empresas como Kayak, Skyscanner e Civitatis reforçaram que a IA pode ajudar a ir além do “menor preço”, trazendo mais clareza, confiança e apoio ao viajante na hora de escolher.
Esse foco em experiência aparece na prática com iniciativas como a nova assistente de voz da Decolar, que já atende milhares de chamadas por dia, reduz filas e conecta atendimento automatizado e humano. Em comum, todas essas iniciativas mostram um setor mais preocupado em resolver problemas reais do viajante, mesmo que passo a passo.
O que realmente avançou em 2025?

Ao analisar as principais tendências de tecnologia para viagens projetadas no início de 2025, o setor mostrou avanços cautelosos e desiguais. A inteligência artificial saiu do hype e entrou nas operações, mas de forma incremental, focada em ganhos de produtividade, atendimento e suporte à decisão.
Ferramentas no-code e low-code se consolidaram como aliadas das áreas de negócio e inovação, enquanto assistentes de IA entregaram eficiência prática aos times de desenvolvimento. Já pesquisas conversacionais baseadas em IA se destacaram como uma das poucas teses que realmente viraram prática, impactando experiência e conversão.
Por outro lado, temas estruturais avançaram pouco. Interoperabilidade seguiu como gargalo crônico, a automação ficou restrita a pilotos e o NDC perdeu protagonismo. No geral, 2025 revelou um setor que priorizou iniciativas de baixo risco e ROI claro, deixando transformações mais profundas — culturais, operacionais e de governança — para um segundo momento.
Google avança em experiências

O Google iniciou testes de novos formatos de anúncios para atrações e experiências diretamente na busca, permitindo que usuários comparem e reservem ingressos sem sair da página de resultados. O bloco “Sponsored Tickets & Tours” exibe ofertas pagas de plataformas como Headout, Trip.com e Klook, com preços e disponibilidade em tempo real, usando a infraestrutura do “Things to do”.
A iniciativa aproxima o Google ainda mais do funil de conversão no Turismo, especialmente no segmento de experiências.Além de voos e hotéis, o Google agora integra atrações ao ecossistema de Search, Maps e ferramentas baseadas em IA.
Nos EUA, testes conectam AI Overviews ao Gemini, criando fluxos conversacionais que permitem ajustar preferências, orçamento e comparar destinos, reforçando o papel da plataforma como solução all-in-one para viajantes.
Executivos debatem papel da tecnologia na jornada do viajante

Executivos de empresas como Kayak, Skyscanner e Civitatis discutiram, durante a Phocuswright Conference, como tecnologia e inteligência artificial podem ajudar a resolver as principais queixas da jornada do viajante.
O debate destacou o potencial da IA para transformar o metasearch, atuando de forma complementar à busca tradicional e oferecendo mais confiança, controle e apoio à tomada de decisão, especialmente na comparação de preços e na escolha de fornecedores confiáveis.
Para os executivos, a IA pode permitir resultados de busca mais relevantes, indo além do critério de menor preço e incorporando fatores como flexibilidade, atendimento e confiabilidade. No segmento de tours e atividades, a fragmentação segue como desafio estrutural, exigindo maior conectividade, curadoria e soluções de busca mais inteligentes para melhorar a experiência do consumidor.
Decolar lança voz de assistente de IA para atendimentos telefônicos

A Decolar lançou a Sofia por telefone, versão por voz de sua assistente virtual baseada em IA generativa, permitindo que clientes sejam atendidos diretamente pela central telefônica, sem filas de espera e com diálogo natural. Segundo a empresa, a novidade já elevou o NPS em 10 pontos, reforçando a estratégia de oferecer uma experiência mais simples, integrada e consistente ao longo da jornada do viajante.
A assistente já processa mais de 2,5 mil chamadas diárias e reduziu em 37% o volume de ligações encaminhadas a agentes humanos. Quando necessário, a Sofia transfere a chamada com um resumo automático do atendimento, agilizando a resolução. A integração com WhatsApp e canais digitais fortalece a abordagem omnicanal da Decolar, conectando atendimento automatizado e humano em um único fluxo.
Por Anna Gabriela Costa, do Travel Tech Hub, especial para o Portal PANROTAS.