Karina Cedeño   |   08/09/2026 15:19
Atualizada em 08/09/2026 15:28

Quantas empresas de tecnologia para viagens operam no Brasil? Estudo da Loupit revela

Levantamento organiza ecossistema em 16 categorias e mostra convergência entre plataformas


Freepik
Estudo ajuda a entender a especialidade de cada travel tech e as oportunidades de integração
Estudo ajuda a entender a especialidade de cada travel tech e as oportunidades de integração

Quantas empresas de tecnologia para viagens operam hoje no Brasil e o que, exatamente, cada uma delas faz? Para responder a essa pergunta, a Loupit, travel tech brasileira de gestão de viagens e despesas corporativas, divulgou o Panorama das Travel Techs 2026, que identificou 225 empresas, marcas e soluções em atividade no País e as distribuiu em 16 categorias, cobrindo a jornada completa – pesquisa, reserva, pagamento, mobilidade, gestão de despesas e fidelização.

Ecossistema numeroso, mas assimétrico

Divulgação/Loupit
Distribuição das 225 travel techs nas 16 categorias do Panorama 2026
Distribuição das 225 travel techs nas 16 categorias do Panorama 2026

A leitura por categoria mostra um ecossistema numeroso, mas assimétrico. Confira, abaixo, como as empresas estão divididas:

  • Tecnologia para Turismo (56 empresas), Mobilidade (33) e Viagens Corporativas (24) somam 113 das 225 empresas mapeadas – metade do ecossistema em apenas três das 16 categorias;
  • Na sequência, aparecem Agências de Viagens On-line (21) e Eventos (17);
  • No outro extremo do mapa estão verticais inteiras sustentadas por um punhado de players: Produtividade (3), Benefício Corporativo (2) e Marketplace de Viagens Corporativas (1).

“O mapa mostra onde a tecnologia do setor efetivamente se instalou e onde ela ainda é rarefeita. Mais do que reunir nomes, o estudo ajuda a entender a especialidade de cada travel tech e as oportunidades de integração que estão transformando a experiência de viajantes e empresas"

Patrick Tytgadt, CEO da Loupit


Oferta pulverizada, capital concentrado

Divulgação/Loupit
Estudo identificou 225 empresas, marcas e soluções em atividade no País
Estudo identificou 225 empresas, marcas e soluções em atividade no País

O contraste entre número de empresas e volume de capital é um dos achados centrais do levantamento. Enquanto a oferta se pulveriza em mais de duas centenas de soluções, o investimento se concentrou em poucas companhias: em pouco mais de 12 meses, três travel techs brasileiras somaram mais de R$ 1,1 bilhão em rodadas de captação e transações societárias, duas delas em Séries B lideradas por fundos internacionais e uma em venda de controle. Sendo assim, o estudo mostra que o ecossistema é amplo na oferta e estreito no acesso a capital.

Convergência e IA no núcleo do produto

O levantamento também registra um movimento de convergência: plataformas que nasceram especializadas – só reserva, despesa, pagamento – passaram a incorporar as etapas vizinhas da jornada, e a fronteira entre as categorias ficou mais porosa. Junto com isso, apareceram verticais que não existiam no setor há três anos.

“A inteligência artificial deixou de ser uma camada acessória e passou para o núcleo do produto”, comenta Leonardo Crispim, CTO da Loupit. “Ela hoje entra na precificação, na detecção de fraude em despesas e na recomendação dentro da política da empresa, não em um módulo à parte.”

O mercado cresce mais rápido do que se digitaliza

O pano de fundo é de expansão. O mercado corporativo brasileiro movimentou cerca de R$ 147,8 bilhões em 2025, com projeção entre R$ 158 bilhões e R$ 160 bilhões para 2026, e a GBTA estima gasto de US$ 35,8 bilhões no País, com alta de 13,8%.

“O setor está crescendo mais rápido do que está se digitalizando. Existem 225 empresas de tecnologia disponíveis, e ainda assim boa parte da compra corporativa acontece por telefone, e-mail e planilha. O gargalo não é oferta de tecnologia", avalia Tytgadt.

Critério de classificação das empresas

O critério de classificação está declarado no próprio estudo: uma empresa, uma categoria, definida pelo modelo comercial que a companhia apresenta em seus materiais públicos – como ela se posiciona e como cobra pelo serviço –, e não por uma avaliação da Loupit sobre a qualidade de cada solução.

Companhias que atuam em mais de uma frente foram alocadas em sua atividade principal, o que evita dupla contagem e mantém as categorias comparáveis. O corte de informações públicas é 31 de agosto de 2026, e a inclusão de uma empresa não representa parceria, certificação ou endosso.

Como acessar o estudo completo

O Panorama das Travel Techs 2026 traz a lista nominal das 225 empresas, categoria por categoria, com as análises por vertical e a leitura de concentração do mercado. O estudo está disponível gratuitamente, mediante cadastro, neste link, com página própria para cada uma das 16 categorias.

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Karina Cedeño

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero em 2011 e com mais de dez anos de experiência em reportagens no setor de Turismo.