Karina Cedeño   |   21/05/2026 08:04

ClickBus e Fipe lançam Índice do Rodoviário para monitorar preços de passagens de ônibus

Indicador considera diferentes tipos de viagem, categorias de serviço, distâncias e regiões do País


Divulgação
Fábio Trentini, CTO da ClickBus, Bruno Oliva, presidente da Fipe, e Phillip Klien, presidente da ClickBus
Fábio Trentini, CTO da ClickBus, Bruno Oliva, presidente da Fipe, e Phillip Klien, presidente da ClickBus

A ClickBus e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) anunciaram o lançamento do Índice do Rodoviário ClickBus (IRCB), indicador que acompanhará a evolução dos preços das passagens de ônibus no Brasil, a partir de uma base de dados transacionais.

Desenvolvido com metodologia econômica aplicada, o indicador oferece uma leitura sobre o comportamento dos preços no setor, considerando diferentes tipos de viagem, categorias de serviço, distâncias e regiões do País.

Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e agências estaduais, estima-se que, só em 2025, o Brasil transportou cerca de 160 milhões de passageiros nesse modal, com forte presença em todas as regiões e papel relevante no acesso a trabalho, educação, saúde e Turismo.

Um novo instrumento para entender o custo de viajar pelo Brasil

O IRCB foi desenvolvido para capturar a variação média do mercado ao longo do tempo. "O ônibus move o Brasil — são 160 milhões de passageiros por ano, mais do que o avião —, mas era o único grande modal de transporte do País sem um índice de preços confiável. O IRCB nasce para corrigir essa assimetria de informação. Quando o consumidor, o mercado e o investidor sabem como os preços se movem, o mercado fica mais justo para todo mundo”, afirma Phillip Klien, CEO da ClickBus.

A fonte de dados empregada é composta por transações individuais de passagens comercializadas na plataforma da ClickBus, com alcance em todo o território nacional.

Para garantir representatividade nacional, a ponderação do índice incorpora também informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF/IBGE). “A ClickBus liderou a digitalização desse setor; agora estamos liderando sua transparência. O IRCB não é um produto comercial, é um bem público que decidimos viabilizar com a chancela técnica da Fipe”, afirma.

A Fipe foi responsável pelo desenvolvimento metodológico do IRCB, que permite isolar a variação temporal dos preços, controlando características qualitativas das passagens, como origem, destino e classe (convencional, executivo, semileito, leito e cama).

A análise mede a variação dos preços no mês de saída da viagem, e não da data de compra, visando conferir maior precisão ao retrato do mercado. “O IRCB combina uma base ampla e representativa com rigor metodológico, permitindo análises consistentes sobre o comportamento dos preços no transporte rodoviário de passageiros”, afirma Bruno Oliva, presidente da Fipe.

Segurança no uso de dados

A construção do índice foi baseada em microdados transacionais da plataforma, cerca de 62 terabytes de dados tratados com rigor técnico e respeito à confidencialidade das informações - o equivalente a 31 milhões de livros digitais.

“Todo o processo foi desenhado para garantir a segurança dos dados. Trabalhamos exclusivamente com informações agregadas, sem qualquer identificação individual, seguindo as melhores práticas de governança e proteção de dados”, explica César Carvalho, diretor de Dados e IA da ClickBus.

Segundo o diretor, a escala da base é um diferencial importante para a leitura do mercado. “A amplitude e a granularidade dos dados permitem uma visão mais fiel da dinâmica do setor, preservando integralmente o sigilo das informações comerciais", afirma Carvalho.

Rodoviário apresenta variação de preços mais contida

O monitoramento do IRCB indica que, em todos os tipos de trajetos — das curtas às longas distâncias — o transporte rodoviário apresenta a variação de preços mais contida entre as principais alternativas de mobilidade.

Olhando os dados ano contra ano, o índice de passagens rodoviárias avançou +7,5%, número expressivamente inferior ao registrado pelo diesel (+15,7%), e pelas passagens aéreas (+23,2%). Em comparação com a inflação geral medida pelo IPCA/IBGE (+4,4%), a variação das passagens de ônibus demonstra que o setor absorveu pressões de custo significativas sem repassá-las integralmente ao passageiro.

Indicador
abr/26 x abr/25
Acumulado (maio/25–abril/26)
Acumulado ano com ajuste (jan–abr/26)
IRCB | Passagens rodoviárias
+7,5%
+5,9%
+5,9%
IPCA | Índice Geral
+4,4%
+4,7%
+4,2%
IPCA | Passagens aéreas
+23,2%
+4,2%
+13,5%
IPCA | Combustíveis
+6,6%
+3,6%
+3,7%
IPCA | Diesel
+15,7%
+3,5%
+5,5%
IPCA | Veículo próprio
+1,2%
+2,4%
+1,4%
IPCA | Transportes (grupo)
+4,2%
+3,5%
+3,2%

análise desagregada do IRCB em todo o País revela dinâmicas distintas conforme o recorte:

  • Por região: o Centro-Oeste registrou a maior alta nos últimos 12 meses (+8,2%), enquanto o Sul apresentou a menor variação (+2,8%), evidenciando as diferenças regionais de oferta, demanda e regulação;
  • Por classe: a classe Convencional liderou a variação anual (+6,5%), ao passo que a Cama apresentou a menor alta (+4,9%), refletindo dinâmicas distintas de demanda, sazonalidade e perfil de passageiro;
  • Por distância: viagens de curta distância (até 100 km) registraram alta de +8,5%, enquanto as de longa distância (acima de 400 km) avançaram +5,2%, sugerindo que segmentos de viagens mais curtas e recorrentes estão passando por um processo de ajuste mais intenso;
  • Por modalidade: o segmento intermunicipal (+5,8%) e o interestadual (+6,1%) apresentaram variações próximas nos últimos 12 meses, embora com trajetórias históricas distintas, dadas as diferenças regulatórias entre os dois mercados.

Evolução dos preços ao longo de quase uma década

A série histórica do IRCB, disponível desde dezembro de 2017, permite contextualizar a evolução dos preços ao longo de quase uma década. O período engloba eventos de grande impacto sobre a mobilidade e os custos do setor: a pandemia de Covid-19, que reduziu temporariamente a demanda e os preços, o forte ciclo de alta dos combustíveis nos anos seguintes e as mudanças no marco regulatório do transporte interestadual.

Desde dezembro de 2017 (quando o IRCB parte do indicador base 100) até abril de 2026, o preço das passagens rodoviárias acumulou alta de 60,5%. No mesmo período, a renda média do trabalho (PNAD Contínua/IBGE) avançou 77,6%, o que indica melhora do poder de compra relativo dos brasileiros no acesso ao transporte rodoviário.

Um achado mostrado pela série é a resiliência do setor diante da pressão dos combustíveis. O diesel — principal insumo operacional do transporte rodoviário — acumulou alta de 119,4% no mesmo período, praticamente o dobro da variação das passagens (60,5%). Isso indica que o setor absorveu grande parte do choque de custos sem repassá-lo integralmente ao passageiro.

Quando analisadas de 2017 até abril de 2026, há regiões, classes e categorias que tiveram aumentos mais discretos.

Comparação com o poder de compra

Essa trajetória de longo prazo deve ser lida à luz de todos esses fatores estruturais e conjunturais, incluindo a retomada da demanda pós-pandemia, a elevação dos custos operacionais e a maior flexibilidade tarifária introduzida pelas novas regras da ANTT. O índice, portanto, não reflete apenas a política de preços das operadoras, mas o resultado de um conjunto amplo de forças econômicas, regulatórias e sociais.

IRCB e o cenário tarifário

O Índice Rodoviário ClickBus (IRCB) registrou alta de 3,3% em abril de 2026, acima do IPCA de 0,7%. Apesar da diferença, o resultado reflete principalmente os efeitos sazonais típicos do setor — e não uma pressão estrutural sobre as tarifas. Vale destacar que o diesel, principal insumo operacional do modal, avançou 4,5% no mesmo mês, superando a alta das passagens e reforçando a capacidade do setor de absorver custos sem repassá-los integralmente ao passageiro.

“Pela primeira vez, o mercado de transporte rodoviário tem um índice de preços confiável e recorrente. O que o IRCB já revela, confirma uma percepção que sempre tivemos: em quase uma década, a viagem de ônibus no Brasil se transformou. Frota renovada, Wi-Fi a bordo, leitos-cama, novas categorias de conforto, venda 100% digital. Mas essa evolução não foi cobrada do consumidor. As tarifas acompanharam a inflação, enquanto a qualidade da viagem deu um salto. O brasileiro está pagando praticamente o mesmo por um produto incomparavelmente melhor. Isso diz muito sobre a resiliência do setor rodoviário e sobre como ele absorveu o custo da sua própria transformação", avalia o CEO da ClickBus.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero em 2011 e com mais de dez anos de experiência em reportagens no setor de Turismo.