Novo luxo está voltado à experiência e menos à ostentação

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O novo luxo foi o tema da segunda sala de debate da PANROTAS no Clubhouse. Mas, afinal, o que é esse novo luxo? Para o diretor-geral do Unique, Wellington Melo, o novo luxo está muito mais voltado à experiência. Para ele, os viajantes estão começando a perceber a importância de entender tudo que existe por trás do lugar que está sendo visitado. “E as pessoas, sem possibilidade de viajar para fora, estão aprendendo a conhecer um Brasil diferente”, disse.

Um exemplo dessa tendência pode ser visto no próprio Unique. “A maioria dos nossos hóspedes vem da área corporativa, mas, de repente, vimos clientes que vêm para simplesmente curtir o hotel e, na maioria das vezes, nem daqui saem”, garante o executivo.



Divulgação/Léo Faria
Wellington Melo
Wellington Melo
No entanto, Melo garante uma coisa: o CPF é muito mais exigente do que o CNPJ. “Quando o CNPJ paga a conta, ele quer quarto, chuveiro, café. Agora, quando quem paga é o CPF, as exigências são bem maiores”, afirmou.

E partido desse princípio, a proprietária da Go Consultoria, Gabriela Otto, foi ainda mais além e afirmou que o luxo compreende uma jornada muito maior do que se imagina. “Temos hotéis incríveis, agências que proporcionam algo incrível, mas precisamos entender que o luxo começa na chegada ao aeroporto, nas atrações, na sensação de segurança, de conforto”, exemplificou.


PANROTAS /
Emerson Souza
Gabriela Otto
Gabriela Otto
Com isso, segundo ela, muitos hotéis estão revendo processos e rotinas para melhorar justamente aquilo ao qual o novo luxo está ligado: a experiência. “O Hyatt está diminuindo a inclusão de processos e rotinas para não ficar algo impessoal. Está dando chance a um atendimento mais autêntico”, disse. “Como vamos engajar uma família que vem de um OTA com o mesmo discurso usado para um executivo de uma multinacional?”, questionou.

OSTENTAÇÃO X EXPERIÊNCIA
Sócia-diretora da LTN Brasil, Leonor Bernhoeft acredita que esse mercado precisa olhar mais para o que é possível oferecer dentro de uma situação não muito ostensiva. “É preciso mostrar que não tem louças de ouro, e sim, experiências que serão memoráveis e que o dinheiro não vai comprar a emoção”, ressaltou.

Ainda de acordo com a executiva, a pandemia catalisou a mudança e a percepção desse novo luxo. “A exclusividade de hoje é a autenticidade, que você vai trazer de forma muito personalizada. A pandemia mudou e provocou um novo luxo”, garantiu.




Leonor Bernhoeft
Leonor Bernhoeft
Entretanto, Gabriela Otto alertou para um público que ainda mira um Turismo voltado para o luxo mais ostensivo. “Ainda veremos pessoas que vão comprar uma estada num hotel de luxo para postar no Instagram. E esse público não pode ser deixado de lado jamais. E isso não tem problema algum: tanto esse tipo de viajante como aquele que busca experiências são os nossos públicos-alvo”.
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