Qual o novo perfil do viajante de luxo no Brasil? Especialistas apontam

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Nesta quarta-feira (12), o Fairmont Rio promoveu uma edição do Fairmont Talks sobre viagens de luxo para agentes de todo o País. Com apoio da ILTM, BLTA, Gol e PANROTAS, o evento on-line foi mediado por Michael Nagy, diretor de Vendas do Fairmont Rio de Janeiro Copacabana, e contou com a participação de Simon Mayle, diretor da ILTM; e Bruno Vilaça, da Superviagem, em Vitória.

Michael Nagy (Fairmont Rio), Bruno Vilaça (Superviagem) e Simon Mayle (ILTM)
Michael Nagy (Fairmont Rio), Bruno Vilaça (Superviagem) e Simon Mayle (ILTM)
Com o fechamento das fronteiras e as restrições de viagens em diversos países, o perfil do viajante de luxo do Brasil mudou. A hotelaria de luxo do País era voltada, principalmente, ao turista estrangeiro, enquanto os viajantes de luxo brasileiros viajavam para o Exterior. Com a mudança, os hotéis do Brasil precisaram se readaptar para atender o novo perfil de turista de luxo, especialmente no que se refere à experiência.

“O Brasil oferece tudo o que está na moda no mercado de luxo e as principais tendências de viagens, como destinos ao ar livre e bem estar. O País tem uma grande diversidade de climas, biomas e pessoas. A cultura do Brasil é muito rica e todos os produtos ressaltam essa riqueza e autenticidade”, destacou Mayle.

É consenso entre os participantes que o produto de luxo deve oferecer experiências autênticas e que estejam relacionadas ao destino. “Às vezes, a gente viaja para algum hotel que poderia estar em qualquer lugar do mundo, sem que haja nada que demonstre a essência do destino. Eu não vejo, aqui no Brasil, nenhum produto que seja assim. O primeiro ponto, antes mesmo da estrutura do local, é a experiência e a autenticidade”, explicou Vilaça.

TENDÊNCIAS PARA O TURISMO DE LUXO

Para os participantes, o viajante de luxo brasileiro continuará viajando para o Exterior no pós-pandemia, mas deverá viajar mais pelo Brasil. Antes da pandemia, cerca de 90% de todas as vendas da agência Superviagem eram de destinos internacionais, enquanto apenas 10% eram nacionais. Segundo Vilaça, esse número mudou após a crise e não deverá ser o mesmo no pós-pandemia.

“Cada mês é um mês, mas eu posso dizer que nunca mais o Brasil vai voltar a ser apenas 10% das vendas. O Brasil vai assumir uma fatia considerável, mesmo após a reabertura das fronteiras. Eu não acredito que o brasileiro vai trocar uma viagem pela outra. Acredito que o brasileiro vai continuar viajando para o Exterior, mas aliando um destino internacional e um doméstico. Não é uma substituição, mas uma demanda nova”, disse.

Para o diretor da ILTM, a viagem é um meio de cultivar a conexão humana, algo que foi ainda mais valorizado com a pandemia. “O que nós sabemos é que o valor de todo mundo está mudando durante a crise. O valor que as pessoas estão dando para o trabalho e para os relacionamentos com a família e os amigos está mudança. E como nós fazemos isso? Viajando. As pessoas estão planejando viajar para restabelecer essa conexão humana”, ressaltou.

O Fairmont Rio foi um dos hotéis que se readaptaram para atender os novos viajantes de luxo
O Fairmont Rio foi um dos hotéis que se readaptaram para atender os novos viajantes de luxo
O comportamento do viajante brasileiro na hotelaria de luxo é outro fator observado pelos participantes. Para o diretor de Vendas do Fairmont Rio, o ticket do cliente brasileiro é até melhor do que o do estrangeiro, já que o viajante de luxo do Brasil tem um comportamento de compra diferente quando viaja para o Exterior. Da mesma forma, esse viajante acaba sendo mais exigente do que o turista estrangeiro.

“Esse é o perfil do brasileiro, ele aproveita a viagem. Sem querer generalizar, o estrangeiro vem para cá com uma expectativa um pouco baixa, ao contrário do viajante brasileiro, que está acostumado com esse tipo de viagem em outros países. Por isso, eu acho que o cliente brasileiro acaba sendo um pouco mais exigente nesse sentido”, destacou Vilaça.

PAPEL DO AGENTE NO TURISMO DE LUXO

A pandemia fez com que o agente de viagens fosse ainda mais valorizado. Para Mayle, essa valorização também se deve ao fato de que o agente agrega valor ao produto. “O agente de viagens vai ser muito mais valorizado do que nunca. Ninguém quer ficar horas remarcando voos e hospedagens. Além disso, as regras estão mudando dia após dia e o agente tem um papel fundamental de levar essas informações atualizadas ao cliente”.

Já Vilaça ressalta que o agente deve estar atento às mudanças e trabalhar em conjunto com toda a cadeia do Turismo. “O nosso negócio é, essencialmente, se relacionar, tanto com clientes quanto com fornecedores. Se um hotel prefere as vendas diretas, eu vou vender produtos de outros hotéis que sejam meus parceiros. Se o destino em alta agora é o Brasil, eu tenho que conhecer todos os produtos, mas cabe ao destino também me apoiar. É uma via de mão dupla”, destacou.

TURISMO DE LUXO NO PÓS-PANDEMIA

Para o proprietário da Superviagem, a retomada do setor acontecerá primeiro no Brasil, que já registra picos de vendas em determinados destinos. “No fim do ano passado, vendemos muito o Brasil. Durante o verão, estávamos com uma malha aérea que nunca tivemos, mesmo antes da pandemia. Por isso, acredito que o Brasil volta com força e, depois, talvez no próximo ano, retomamos o internacional”, disse Vilaça.

Já o segmento de eventos será retomado gradualmente e, inicialmente, em formatos híbridos. “Estamos sentindo falta da conexão humana. Eu viajo porque quero conhecer pessoas e me conectar com novas culturas, e no setor de eventos não é diferente. Os novos formatos vão tornar as coisas mais eficientes, à medida em que retomamos essa conexão humana”, finalizou Mayle.

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