ECONOMIA E POLÍTICA

Artigo: Lummertz pode ser alvo de retaliação e Turismo sofre

Marluce Balbino
Após recente votação que definiu pela recusa da denúncia feita contra o presidente Michel Temer, a base de apoio ao mandatário rachou, ainda que ele tenha saído vencedor. E rumores indicam que retaliações aos "infiéis" ao presidente incluirão a destituição de nomes que tenham sido indicados por eles. Um deles seria o presidente da Embratur, Vinicius Lummertz, considerado da "cota" ligada ao PMDB de Santa Catarina, que teve no parlamentar Mauro Mariani um dos "traidores" do presidente da República na votação da Câmara.

Diante da possibilidade - não admitida abertamente até o momento - de que Lummertz seja afastado, o presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), Alexandre Sampaio (foto), escreveu artigo criticando esse movimento, dado o momento de otimismo que se tem com a Embratur. Leia abaixo o texto completo:

Turismo ao sabor da política

Desde a apreciação pela Câmara dos Deputados da última denúncia contra o presidente Michel Temer e dois ministros palacianos, propugnada pelo antigo titular da Procuradoria Geral da República (PGR), Rodrigo Janot, mesmo com a rejeição, iniciou-se um processo de retaliação aos parlamentares da base que votaram a favor da instauração do processo pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Indicados por estes políticos para cargos federais começaram a ser demitidos nas mais variadas funções e níveis hierárquicos, sem levar-se em conta desempenho ou resultado para o Estado até então. Dentre estes, menciona-se o presidente do Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur), Vinícius Lummertz, o que seria um absurdo, pois sua ascensão a esta presidência deu-se sobre a égide do falecido senador Luiz Henrique, prócer do PMDB.

Não vamos discutir aqui práticas da vida republicana, especialmente deste governo, mas querer alterar o comando da Embratur, na atual conjuntura, me parece um total sandice. Estamos praticamente no fim do ano e tramita no Congresso Nacional proposta de transformação daquela estrutura em uma Agência, que ganharia muita musculatura pelas possibilidades de parcerias público-privadas para divulgação do Brasil no exterior, hoje de pouca efetividade devido aos parcos recursos orçamentários, além de outras matérias envolvidas no mesmo projeto de lei, chamado de Brasil + Turismo, que são sinérgicas para uma melhora substancial do setor.

Ao cogitar esta substituição, o Palácio do Planalto comete uma injustiça, pois o político envolvido na questão apesar de amigo do funcionário citado, nada teve com sua nomeação, além do que Vinicius Lummertz vem tendo uma gestão acima do esperado, apesar de não ter recursos suficientes para tal.

Em um momento crucial para o incremento da vinda de turistas ou visitantes estrangeiros, face a alta temporada próxima, principalmente daqueles países contemplados com a emissão do visto eletrônico para acesso ao nosso território, alterar o comando de parte fundamental da gestão pública do segmento, vinculada ao Ministério do Turismo (MTur), na administração do ministro Marx Beltrão, seria prejudicar o Mtur e sua performance, que tem um braço importante na Embratur.

Vinicius Lummertz, fez um trabalho de bastidor, junto com o ministro Marx, na Casa Civil e no Itamaraty, para chegarmos a um consenso para a aprovação do visto eletrônico para as quatro nacionalidades (EUA, Canadá, Austrália e Japão), inclusive nas casas legislativas. Privá-lo agora de divulgar isso, junto com o trade nacional, nestes polos emissores, seria uma incoerência. Inclusive, há um lançamento agendado para o próximo dia 22 em Sidney e outros em sequência.

Não devemos esquecer o papel importante exercido por Lummertz para a difusão da ideia (hoje já anunciada pela imprensa como prioridade do governo) da gestão privada de parques nacionais pela iniciativa privada, em parceria com os órgãos responsáveis; o conceito das zonas de exportação turística e outras tantas propostas sempre em sintonia com o MTur.

Podemos até não concordar em tudo com Vinícius Lummertz, mas não podemos deixar de reconhecer sua competência, preparo e amor à causa e ao Brasil. Perdê-lo no serviço público seria uma lástima irreparável para o setor.
 AVALIE A IMPORTÂNCIA DESTA NOTÍCIA