Artur Luiz Andrade   |   21/01/2016 15:56

Gerstner: "governo despreza agências e operadoras"

Presidente e proprietário da operadora RCA, uma das mais tradicionais do País e associada à Braztoa, o empresário Rodolpho Gerstner engrossa o coro dos operadores insatisfeitos com a demora do governo em decidir sobre a tributação em relação às remessas ao Exterior

Presidente e proprietário da operadora RCA, uma das mais tradicionais do País e associada à Braztoa, o empresário Rodolpho Gerstner engrossa o coro dos operadores insatisfeitos com a demora do governo em decidir sobre a tributação em relação às remessas ao Exterior. Há um acordo e uma promessa de que esse imposto será de 6,38% (contra zero nos últimos cinco anos), mas a data de assinatura da medida provisória exclusiva para o tema já foi adiada pelo menos três vezes (final do ano, dia 11/1 e dia 19/1).

A RCA está aplicando e recolhendo o imposto de 33,33% e disse que reembolsará a todos caso a MP dos 6,38% seja assinada e seja retroativa a 1º de janeiro. “As empresas foram traídas. Nenhum prazo prometido pelo governo foi cumprido”, diz ele em artigo ao Portal PANROTAS. “Empresas responsáveis com seus clientes e com os agentes de viagens de todo Brasil devem cobrar o imposto real. Se reduzirem no futuro e reembolsarem o que arrecadaram indevidamente, melhor. Mas temos de ser responsáveis, senhores. Por isso a RCA cobra a alíquota real de 33,333%”.

Para Gerstner, essa taxação estimula a geração de empregos no Exterior, pois os consumidores passariam a comprar viagens na internet, no cartão de crédito diretamente em fornecedores internacionais (assim, pagariam 6,38% e não 33,3%).

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LEIA A ÍNTEGRA DO ARTIGO
“A RCA, aplicando a legislação em vigor, está cobrando 33,333% sobre todos os produtos internacionais.

Caso o governo cumpra sua promessa de reduzir a alíquota para 6,38% e reembolsar a diferença dos valores pagos em base aos 33,333% retroativamente (como chegou a ser divulgado), evidentemente a RCA procederá estes reembolsos. O que uma empresa responsável não pode fazer é ficar aplicando uma alíquota que não existe e acumular prejuízos que possam prejudicar sua saúde financeira.

Lembram de minha análise sobre a responsabilidade de cada gestor com suas próprias empresas?

Vivemos um momento de grande turbulência.

Além da economia estagnada, de grande desvalorização cambial, de recessão e de redução de consumo em todo o País e em todos os segmentos, o governo brasileiro nos brindou com esta taxação absurda de 33,333%. É quase uma decretação de prisão aos cidadãos brasileiros, os proibindo de sair do País. Algo que lembra os excessos de republiquetas “bolivarianas”.

O governo firmou um acordo com nossas entidades dizendo que reduziria este imposto para patamares menos abusivos, os prometidos 6,38%, mas até o presente momento não cumpriu sua promessa.

As empresas, demonstrando boa vontade, acreditaram nesta promessa e não majoraram, num primeiro momento, os valores pela alíquota real e sim – apenas – para a alíquota prometida.

Mas as empresas foram traídas. Nenhum prazo prometido pelo governo foi cumprido.

O governo brasileiro despreza a atividade de agenciamento de viagens das empresas brasileiras, favorecendo que os consumidores procurem realizar suas compras em empresas estrangeiras em detrimento do emprego e da atividade econômica no Brasil. O governo está míope. Quase cego.

O governo brasileiro está mais preocupado em arrecadar, em tirar água de pedra. Não se importa com o emprego, não importa o abuso, não importa a injustiça que comete contra seus cidadãos.

Lamentavelmente o imposto de 33,333% deve ser cobrado. As empresas que não o fizerem estão fadadas a amargar um prejuízo tão grande que pode decretar seu desaparecimento.

Empresas responsáveis com seus clientes e com os agentes de viagens de todo Brasil devem cobrar o imposto real.

Se reduzirem no futuro e reembolsarem o que arrecadaram indevidamente, melhor.

Mas temos de ser responsáveis, senhores. Por isso a RCA cobra a alíquota real de 33,333%.

Triste Brasil. Em que mãos fomos cair!

Rodolpho Gerstner, presidente da RCA Turismo”

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Sobre o autor

Artur Luiz Andrade é editor-chefe da PANROTAS, jornalista formado pela UFRJ e especializado em Turismo há mais de 30 anos.