Tap vê boas vendas no Brasil, mas não da Europa para cá; entenda

|

A pandemia do novo coronavírus ainda não acabou, mas, depois de quase dois anos, o setor de Turismo vê uma melhora, com a retomada das viagens a reabertura das fronteiras. Quais são os desafios pós-covid? Quais as mudanças que se esperam na indústria, com foco na aviação e distribuição? Essas e outras questões foram abordadas em um dos painéis do Seminário Luso-Brasileiro, promovido pela Airmet Brasil e Portugal, realizado na manhã de hoje (20) e moderado pelo editor-chefe da PANROTAS, Artur Luiz Andrade.

Reprodução/Airmet
Seminário Luso-Brasileiro, da Airmet Brasil e Portugal, discutiu desafios e tendências do Turismo no pós-covid: Artur Luiz Andrade mediou papo com Rui Alves, Paula Canada e Decius Valmorbida
Seminário Luso-Brasileiro, da Airmet Brasil e Portugal, discutiu desafios e tendências do Turismo no pós-covid: Artur Luiz Andrade mediou papo com Rui Alves, Paula Canada e Decius Valmorbida
“Os últimos meses foram um calvário, mas agora estamos na tal retomada. Fomos semanalmente monitorando o mindset dos viajantes, país a país, à medida em que os destinos reabriam, para irmos repondo nossas operações. A Tap vai operar 80% neste inverno, em relação a 2019. Estão previstas para as rotas no Brasil 51 frequências desde Portugal. O tráfego está respondendo muito bem, temos muita demanda reprimida e houve uma procura enorme nas viagens. Em setembro, tivemos um aumento de 70% nas vendas a partir do País. Mas, na Europa, ainda levará um tempo para colocarmos o Brasil no mapa dos destinos turísticos dos europeus. Nesse momento, não é o destino mais procurado para férias”, afirma a diretora de Marketing da Tap, Paula Canada.

A executiva também tocou no ponto em relação ao planejamento das viagens. Agora, devido ao ambiente de muitas incertezas, os passageiros compram os bilhetes com um ou dois meses de antecedência. Esta foi uma das maiores alterações no hábito do consumidor de viagens aéreas.

RECUPERAÇÃO DOMÉSTICA
As companhias aéreas brasileiras vêm superando, aos poucos, a maior crise da história da aviação mundial. A Azul, por exemplo, recentemente voltou a um equilíbrio em suas operações domésticas, mas ainda enfrenta um grande desafio no internacional. O momento para as viagens nacionais é de muita felicidade, depois de muito tempo e algumas idas e vindas.

“Temporada de janeiro deste ano foi bastante boa, mas tivemos a segunda onda em março, que nos pegou em cheio. De agosto para cá estamos percebendo uma recuperação muito forte e rápida. Em outubro, estamos voando 106% da nossa capacidade em assentos domésticos relativa ao pré-pandemia. Na alta temporada, teremos 120% dos assentos. Será a maior temporada de verão da história da Azul”, conta o diretor de Relações Institucionais da aérea, Marcelo Bento.

Segundo Bento, o tráfego é predominantemente de lazer, ou para pequenos negócios, além da indústria pesada, como agro e mineração. Ele diz que “Leblon e Faria Lima ainda não voltaram a viajar, assim como os centros financeiros, consultorias, bancos e grandes empresas, que são os que mais remuneram”. Os clientes corporativos que viajam frequentemente, de última hora, são os que pagam tarifas mais altas, e estes ainda estão em home office. “Mas estamos vendo uma recuperação bem rápida do doméstico e estamos muito otimistas com a recuperação do corporativo.”

Quanto ao internacional, o executivo diz que a companhia ainda é muito cautelosa. Nunca parou de operar a Portugal e Estados Unidos, mas manteve uma operação bem reduzida. Antes da pandemia, eram três voos diários entre Brasil e Portugal, agora estão com cinco por semana, indo para sete em breve. Ainda há um déficit muito grande.

“Vamos introduzir voos para Orlando a partir de dezembro e janeiro. Queremos aguardar para ver como será o movimento de reservas. Sabemos que tem demanda represada, que criará uma onda, mas, devido ao câmbio muito alto, ainda precisamos ver como será a retomada do ponto de vista do Brasil para o Exterior. Argentina não vamos retomar antes do segundo trimestre do ano que vem, por exemplo”, pontua.

Reprodução/Airmet
Marcelo Bento, da Azul
Marcelo Bento, da Azul
Além disso, há também a questão do modelo híbrido e do crescimento significativo do bleisure, que veio para ficar. Sem contar a explosão de interesse dos próprios brasileiros de conhecer o Brasil, de buscar produtos diferentes, exclusivos, culturais e muita experiência. “Tendência que veio para ficar é que os agentes de viagens terão de se especializar ainda mais”.

TECNOLOGIA E CUSTOMIZAÇÃO
Essencial mais do que nunca, as empresas precisaram se adaptar e adotar todas as tecnologias necessárias para sobreviver à crise. Transformação digital foi a chave e o setor de Turismo, inclusive, foi o que mais se digitalizou no período de pandemia.

“Nesse tempo, várias tendências sugiram e as companhias aéreas e outros players do setor precisaram se transformar para atender as novas necessidades do cliente. Focar em digitalização, modernização, trazer sistemas para nuvem, além de outros investimentos, foi essencial”, diz o presidente de Travel na Amadeus, Decius Valmorbida.

Valmorbida também citou a importância da personalização das viagens, de conseguir vender mais em cada deslocamento, diferenciar o produto e trazer o consumidor para pagar um pouco mais. De acordo com ele, estes fatores se tornam uma urgência na retomada e isso envolve empresas de tecnologia, de distribuição e aéreas. É focar menos em volume e mais em como vender melhor.

AGENTE DE VIAGENS AINDA MAIS VALORIZADO
“Durante este período de pandemia, os vendedores on-line, as OTAs e as próprias aéreas tiveram grandes problemas de atendimento aos clientes. Por isso, no nosso segmento, teremos de repensar muito essa questão, já que diversos consumidores tiveram experiências negativas com as plataformas e não tiveram suporte. Isso leva o viajante, neste momento, a ter uma postura refratária em relação às vendas on-line, passando a buscar muito mais informação e controle de sua viagem”, cita o diretor da Flytour Gapnet, Rui Alves.

Portanto, o agente de viagens, e seu papel consultivo, será imprescindível para que os passageiros voltem a viajar com segurança. Diante disso, as consolidadoras atuaram muito como um verdadeiro para-raios no atendimento. Passaram a ser vistas como um suporte para as companhias aéreas, aumentando seu papel de promotor. “A importância do agente de viagens remete ao fortalecimento do consolidador”, diz.

Para Alves, o agente tem de buscar um pouco mais de acesso à tecnologia e os consolidadores têm papel importante nesse apoio àqueles profissionais que não conseguem ter acesso a recursos tecnológicos próprios. Além disso, o on-line continua sendo importante como elemento de informações. Mas os agentes precisarão ter presença tanto no on-line, quanto no off-line.

“Aquele agente que não tiver uma presença omnichannel terá mais dificuldade para atuar do que aqueles preparados. As pessoas que estão viajando agora querem ter mais informação de como vão viajar, de como agir em casos de emergência. Por isso, o papel do agente é muito forte nessas situações. As complementaridades se valorizam agora nesse momento.”

Veja abaixo o webinar completo.


 AVALIE A IMPORTÂNCIA DESTA NOTÍCIA