8 riscos para a indústria de Viagens e Turismo no mundo em 2021

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A pandemia de covid-19 criou um cenário que se estenderá por diversos anos, com desdobramentos na economia, nas relações pessoais e profissionais, nas viagens, na política dos países e, claro, na saúde, física, mental e institucional. As nações precisam ter estratégias de recuperação que incluam prevenção e estrutura de combate às pandemias, e também incentivos a empresas, empregos e à volta da economia em um novo mundo.

A Phocuswright, em seu blog de notícias, o Phocuswire, listou oito desafios para a indústria de Viagens e Turismo este ano, especialmente no internacional, onde as tensões foram apenas intensificadas pela pandemia e novos desafios criados em meio à maior crise de saúde por que já passamos.

Confira a seguir 8 desafios para a indústria do Turismo, nos quais o profissional de Turismo e as empresas do setor devem ficar de olho e inclui-los nos pesos e medidas do planejamento de 2021.

Governo de SP/Emanuel Borges
1. IMPACTO DA COVID CONTINUA NAS VIAGENS EM TODO O MUNDO

Os efeitos da pandemia, e já sabemos disso mesmo com poucos dias de 2021, continuarão por todo o ano, apesar de a indústria ter conseguido se recuperar da paralisação quase que total no segundo trimestre de 2020.

Países continuarão limitando a entrada em seus territórios, para evitar a disseminação da covid-19 e por isso crescerá o número de exigências aos viajantes. Seguro viagem com cobertura para covid-19, teste negativo, hospedagem pré-aprovada, certificado de vacinação, declaração de saúde e monitoramento durante a viagem são medidas que se estenderão por um bom tempo.
Como vimos do final de 2020 para essa primeira quinzena de 2021, os governos estão mudando as exigências em cima da hora, o que impacta planos de viagens feitos com antecedência.

Ao chegar no país de destino, a Phocuswright reafirma que as medidas de segurança continuarão sendo aplicadas, como escaneamento de saúde (para detectar sintomas de covid-19), distanciamento físico nos locais públicos, quarentena e teste ao desembarcar.

Os analistas da Phocuswright preveem mais medidas de lockdown em áreas de alto risco e redução da capacidade de transporte em diversas regiões.

TSA/Twitter

2. DESASTRES NATURAIS SEVEROS

Com a mudança climática dos últimos anos, os efeitos dos desastres naturais, como tempestades, incêndios em florestas e enchentes causadas pela chuva, continuarão impactando regiões pelo mundo e muitas não terão uma resposta rápida devido ao combate de novas ondas da covid-19.

Países com maior risco de impactos de grandes desastres naturais, segundo a Phocuswright, são os Estados Unidos, Itália, Casaquistão e Rússia, de janeiro a março, no inverno; Estados Unidos, Brasil, Grécia e Indonésia, de abril a agosto, temporada de incêndios; Austrália e Nova Zelândia, de janeiro a abril, também por causa dos incêndios; e Índia, Bangladesh, Vietnã, Tailândia, Filipinas, China e Paquistão, durante a temporada de ciclones e tempestades (maio a novembro).

3. SISTEMAS DE SAÚDE SATURADOS
Por causa da covid-19 os sistemas de saúde de diversos países chegaram em seus limites. Estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que de 105 países pesquisados, 90% experimentaram disrupção em serviços essenciais de saúde.

As áreas e tratamentos mais afetados foram as imunizações rotineiras, diagnóstico e tratamento de doenças não comunicáveis (como a diabetes e as doenças do coração), câncer e malária, assim como planejamento familiar, contracepção, e tratamento para a saúde mental.

4. DISTÚRBIOS SOCIAIS CAUSADOS POR MEDIDAS DE AUSTERIDADES, RESTRIÇÕES POR CAUSA DA COVID-19 E VACINAÇÃO
Em outubro, o Fundo Monetário Internacional estimou que a economia global iria encolher aproximadamente 4,4% em 2020, por causa da pandemia. Os efeitos dessa recessão continuarão sendo sentidos este ano, mesmo com a aplicação da vacina. Governos terão de tomar medidas duras de austeridade, incluindo corte de programas sociais e de benefícios aos desempregados.

São ações que carregam o potencial de instigar distúrbios sociais liderados por organizações ativistas, como a Gilets Jaunes (Coletes Amarelos), da França e a People’s Assembly Against Austerity, do Reino Unido.

As campanhas de vacinação também devem atrair o olhar e protestos de organizações de direita. E a desinformação, incluído as notícias falsas, continuarão a criar palanques para facções populistas, em um momento delicado em que a economia espera a vacina para voltar a girar com certa normalidade.

Dreamstime
Irã
Irã

5. IRÃ E TENSÕES NO ORIENTE MÉDIO

As tensões entre o Irã e Israel, seus rivais do Golfo (especialmente a Arábia Saudita) e os Estados Unidos alcançaram novos e altos momentos de tensão em 2020, com o assassinato do general Qasem Soleimani em janeiro, e do cientista nuclear Mohsen Fakhrizadeh, em novembro. O Irã prometeu vingar as duas mortes e suspendeu as inspeções da ONU em seu programa nuclear.
É grande a expectativa em relação à política do presidente eleito Joe Biden para a região.

CATER59/Pixabay
Etiópia
Etiópia
6. DESESTABILIZAÇÃO NO SUDESTE DA ÁFRICA

Conflitos na Etiópia no final do ano impactaram a região e a possibilidade de uma guerrilha nos meses a seguir não está descartada. Um conflito que deve impactar os países vizinhos, como Eritreia, Sudão e Somália, e intensificar os desafios humanitários, de segurança e políticos desses países.

Divulgação Heathrow
Aeroporto de Heathrow, Londres
Aeroporto de Heathrow, Londres
7. INCERTEZA POLÍTICA GLOBAL PÓS-BREXIT E PÓS-TRUMP

Depois de um ano de transição para a saída do Reino Unido da União Europeia, os efeitos do Brexit serão mais práticos e fortes em todo o mundo e não apenas na Europa. Nos Estados Unidos, a expectativa em relação ao governo de Joe Biden e à reversão de várias ações do governo Trump, é somada à instabilidade internacional, ao combate à pandemia e ao crescimento dos protestos da extrema direita em relação à eleição passada, estimulados pelo presidente derrotado. Biden já inicia o governo de olho em 2024 e uma possível volta dos republicanos.

Países como França e Brasil veem a eleição de 2022 chegar, tomando foco dos políticos e sob o olhar atento de diversos países aliados.

As relações com o governo da Turquia e da China com parceiros como Japão, Taiwan, Coreia do Sul e Austrália também são destacadas pela Phocuswright.

8. AUMENTO DE CRIMES VIOLENTOS EM PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO
A falta de uma política de ajuda financeira à população por causa da crise causada pela pandemia pode levar a um aumento de crimes em diversos países. Organizações criminosas devem ter um terreno fértil de recrutamento, especialmente de adolescentes, com escolas e faculdades fechadas, e o desemprego aumentando. A Phocuswright cita países como África do Sul, Venezuela e Egito como suscetíveis a essa tendência.

Fernando Frazão/Agência Brasil
BRASIL - ANÁLISE DA PANROTAS

No Brasil, a demora para o início da vacinação, ou mesmo para a apresentação de um plano nacional de vacinação, tem sido um balde de água fria diário na economia. Setores como o Turismo, o Entretenimento, o de Eventos, o Comércio e a Alimentação fora do lar esperam o início da vacinação para enxergarem a luz real no fim do túnel em que entramos em março de 2020.

Na esfera política, o fim do auxílio emergencial cria uma massa de brasileiros sem renda, o que vai aumentar o desemprego, a fome, a miséria e a criminalidade. O governo precisa encontrar formas de incentivar empresas e trabalhadores nesse momento pré-retomada e focar na vacinação como único caminho para a volta à normalidade.

Ainda na política, o País passará a focar nas eleições de 2022, a começar pela eleição pela presidência da Câmara, agora em fevereiro. Todas as ações terão como alvo 2022, inclusive a vacinação, que virou uma patética disputa política entre o governo de São Paulo e o governo federal.

No Turismo, continuamos dando graças por termos um Turismo doméstico pujante e que "salvou" 2020 de uma catástrofe ainda maior. Mas segmentos como o de viagens e eventos corporativos, cruzeiros, viagens internacionais de curta e longa distância e feiras esperam ansiosamente pela vacina, pela extensão dos pacotes de incentivo do governo, e criação de novos, e por medidas econômicas que aqueçam a economia.



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