Recuperação do Turismo na América Latina deve começar em 2021

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Emerson Souza
Carolina Sass de Haro, da Mapie e Phocuswright
Carolina Sass de Haro, da Mapie e Phocuswright
O mercado de Viagens da América Latina deverá começar a se recuperar em 2021, revelou Carolina Sass de Haro, da Mapie e Phocuswright na América Latina, durante o LatAm Talk, realizado nesta quinta-feira (10). O evento promovido pela Phocuswright revelou os insights e as tendências para a indústria latino-americana no pós-pandemia, especialmente nos mercados do Brasil, México, Argentina e Chile.

“Desde que a maioria dos países retomaram as viagens domésticas, temos visto um crescimento contínuo nas reservas em boa parte da América Latina. Alguns destinos para onde é possível viajar de carro ou ônibus registraram uma taxa de ocupação de 80% aos finais de semana e feriados, o que confirma o otimismo para a recuperação da indústria”, explicou Carolina. Como revelou o CEO da Despegar, Damián Scokin, México e Brasil lideram a recuperação das vendas na América Latina, devido ao forte mercado doméstico dos dois países.

PERSPECTIVAS PARA A AMÉRICA LATINA

Em 2020, o mercado latino-americano registrou uma queda de 62% nas reservas. De acordo com o estudo da Phocuswright, a expectativa é que a recuperação comece em 2021, com um aumento de 88% na receita para US$ 40,8 bilhões. No entanto, as reservas não devem retornar aos níveis pré-pandemia antes de 2024. O CEO da CVC Corp, Leonel Andrade, que antes previra chegar aos níveis pré-pandemia em 2023, revelou, em entrevista ao Portal PANROTAS, que espera essa retomada já para 2022, devido à boa recuperação do mercado doméstico.

No melhor cenário, que considera a liberação de uma vacina em 2021, a recuperação total dos níveis pré-pandemia pode ser alcançada antes de 2022, com receita acima de US$ 66 bilhões. Já no pior cenário, no qual as autoridades não serão capazes de controlar a pandemia até o próximo ano, a previsão é de uma receita de US$ 31 bilhões em 2021, com os níveis pré-crise recuperados apenas em 2024.
O México (48%) e o Brasil (28%) representaram a maior parte das reservas da América Latina em 2020, seguidos pela Colômbia (12%), Chile (10%) e Argentina (2%). Em relação ao mercado on-line, o México também representou a maior parte das reservas (46%), seguido pelo Brasil (31%), Colômbia (11%), Chile (10%) e Argentina (2%). No Brasil, a receita de reservas – que aumentou 6% para US$ 19,1 bilhões em 2019 – teve uma queda de 68% para US$ 6,1 bilhões em 2020. Segundo a Phocuswright, a expectativa é de retornar aos níveis pré-crise no Brasil apenas em 2022.
A pesquisa também revelou um crescimento da distribuição de reservas on-line. Da receita de US$ 21,7 bilhões registrada em 2020, 58% é representada por reservas off-line, 23% por OTAs e 19% por reservas on-line diretas. A previsão para 2022 é de que a receita das reservas on-line alcance US$ 23,5 bilhões. Em relação aos dados por segmento, a hotelaria e a aviação dominam as reservas no mercado latino-americano, representando 47% e 37%, respectivamente.

TENDÊNCIAS PARA O PÓS-PANDEMIA

De acordo com Carolina Haro, a maioria das tendências globais identificadas pela pesquisa também se aplica ao mercado da América Latina. Entre as principais tendências identificadas estão as viagens regionais em ascensão, a tecnologia como facilitadora dos processos de viagem e a implementação de protocolos sanitários para reconquistar a confiança dos viajantes.

Outra tendência destacada durante o evento é o fim dos rótulos nas viagens. “Haverá lazer, negócios e cultura na mesma viagem e precisamos estar preparados para atender todas essas necessidades no mesmo local. Os viajantes estão em busca de novas experiências e isso requer preparo”, disse Carolina.

Carolina finalizou a apresentação afirmando que os latino-americanos amam viajar, mas que, neste momento, precisam se sentir confiantes. “Confiança se tornou uma palavra muito usada pela indústria nos últimos meses. Nós precisamos recuperar a confiança do viajante e fazer com que ele sinta que viajar é seguro. Para isso, os fornecedores precisam cumprir os protocolos de higiene e ter uma comunicação clara com seus clientes”, finalizou.
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