BeFly nega que disputa com Elói Oliveira seja sobre Flytour; impasse é sobre um imóvel
Ex-dono da Flytour estaria querendo reaver a antiga sede do grupo, em Alphaville

Reportagem desta segunda-feira, 30 de março, do jornal Folha de São Paulo afirma haver uma disputa extrajudicial entre o ex-fundador da Flytour, Elói Oliveira, hoje morando no Exterior, e a BeFly, formada a partir da compra da referida empresa em 2021 e comandada por Marcelo Cohen. Procurada pela PANROTAS, a BeFly nega qualquer disputa, mesmo que extrajudicial, que envolva a empresa Flytour ou a sua aquisição pelo ecossistema de Cohen.
Mas há uma disputa sim. Como essa disputa é submetida à arbitragem, regida por cláusula de confidencialidade, não há detalhes sobre a mesma, mas em comunicado, a BeFly diz, de forma genérica, que “envolve garantia associada a um imóvel, prestada pela outra parte a um credor, no âmbito de obrigações particulares.” Esse imóvel, de acordo com apurado pela PANROTAS, seria o prédio da antiga sede da Flytour, em Alphaville, que Oliveira quer reaver e que hoje está com a BeFly.
A reportagem da Folha diz que a aquisição da Flytour seria o tema da discussão na Câmara de Arbitragem de São Paulo, e é isso que a BeFly nega em nota oficial (leia abaixo a íntegra). A própria matéria da Folha mostra que Oliveira se disse grato por Cohen ter salvado a Flytour de uma situação pré-falimentar. Elói Oliveira chegou a trabalhar como conselheiro já na gestão de Cohen em sua antiga empresa, renomeada e redesenhada como BeFly. Mas deixou o cargo tempos depois e se retirou para Portugal.
“De imóveis à minha poupança para a aposentadoria, tudo foi para dentro da empresa para não ter de mandar funcionários embora”, disse Oliveira à Folha de São Paulo, sobre a decisão de se desfazer do negócio. Ou seja, a Flytour teria falido sem a venda para Cohen. E Oliveira seria grato por isso, como declarou à época da venda. Inclusive, um dos trabalhos de Marcelo Cohen e sua equipe quando da compra da Flytour era restaurar a confiança dos clientes na empresa, que vinha passando por sua maior crise.
"A Flytour está e vai continuar falando com todos os fornecedores e a recepção, como disse, tem sido excelente, algo que eu nunca vi. Os agentes de viagens também estão voltando, já há reflexo do vislumbre de uma nova Flytour", disse Cohen à PANROTAS assim que anunciou a venda, perguntando sobre reconquistar a confiança do setor.
A reportagem também abordou os investimentos iniciais do Banco Master na BeFly, sem apresentar qualquer irregularidade, segundo a própria BeFly, e reiterando o que a própria companhia já explicou. Cohen já negou sociedade com Daniel Vorcaro ou o Banco Master, e confirmou investimentos de fundos com participação dele e outros executivos.
A operação da BeFly segue normalmente, sem atrasos nas obrigações, como a empresa disse à Folha, e sem qualquer questionamento judicial ou extrajudicial em relação à compra da Flytour, que continua no ecossistema. Se o ex-dono quer voltar ao Turismo, isso é outro tema, e vamos tentar ouvi-lo sobre a reportagem.
Confira abaixo a nota oficial da BeFly, esclarecendo os boatos de que haveria uma disputa sobre a Flytour com Elói Oliveira:
“A BeFly esclarece que a informação de que a controvérsia em curso estaria relacionada à aquisição da Flytour não procede e não reflete a realidade dos fatos.
O procedimento arbitral mencionado tem natureza estritamente pontual e não diz respeito à operação de aquisição em si, tampouco à sua validade ou condições. Trata-se de discussão específica envolvendo garantia associada a um imóvel, prestada pela outra parte a um credor, no âmbito de obrigações particulares.
A companhia reforça que a aquisição da Flytour permanece regular, devidamente estruturada e sem qualquer questionamento quanto à sua integridade.
Por se tratar de procedimento submetido à arbitragem, regido por cláusula de confidencialidade, a BeFly não pode comentar detalhes adicionais.”