Beatrice Teizen   |   05/08/2026 03:17
Atualizada em 05/08/2026 03:30

Na GBTA, Southwest e Cvent falam de IA, valor dos eventos presenciais e conexão humana

Para eles, tecnologia é essencial, mas diferencial competitivo continua sendo humano


PANROTAS / Beatrice Teizen
Suzanne Neufang, CEO da GBTA, moderou painel com o CEO da Southwest, Bob Jordan, e o CEO da Cvent, Reggie Aggarwal
Suzanne Neufang, CEO da GBTA, moderou painel com o CEO da Southwest, Bob Jordan, e o CEO da Cvent, Reggie Aggarwal

CHICAGO – No Main Stage nesta terça-feira (4), na GBTA Convention 2026, a CEO da GBTA, Suzanne Neufang, reuniu dois executivos da indústria de viagens para discutir liderança, transformação e inteligência artificial: Bob Jordan, CEO da Southwest Airlines, e Reggie Aggarwal, fundador e CEO da Cvent.

O consenso entre os dois foi claro: a inteligência artificial será decisiva para tornar viagens e eventos mais eficientes, mas o diferencial competitivo continuará sendo humano.

Presença física ganha ainda mais valor na era da IA

Para Reggie Aggarwal, a expansão da inteligência artificial torna os encontros presenciais ainda mais relevantes. Segundo ele, em um mundo inundado por conteúdo automatizado, estar fisicamente presente passa a ser um dos sinais mais fortes de comprometimento.

"A presença é o sinal mais raro nos negócios", resumiu o CEO da Cvent ao apresentar o conceito de Presence Premium, lançado recentemente pela empresa.

Ele lembrou que a indústria global de reuniões e eventos movimenta cerca de US$ 1,3 trilhão, responde por aproximadamente 40% das viagens corporativas e continua sendo uma das principais ferramentas para geração de negócios e construção de confiança entre empresas.

Segundo Aggarwal, justamente por exigir dias de deslocamento e investimento financeiro, participar presencialmente de um evento transmite um nível de comprometimento impossível de reproduzir virtualmente.

IA deve eliminar atritos, não substituir pessoas

Os dois CEOs também convergiram sobre o papel que a inteligência artificial terá no futuro da indústria. Para Aggarwal, o modelo ideal é "human-led, AI-powered" (liderado por pessoas, potencializado por IA). A tecnologia deve assumir tarefas repetitivas e operacionais para que profissionais dediquem mais tempo à criatividade, estratégia e relacionamento.

A Cvent anunciou recentemente um investimento de US$ 1 bilhão nos próximos três anos em transformação tecnológica e desenvolvimento de soluções baseadas em IA.

Segundo o executivo, a velocidade das mudanças gera enorme pressão sobre empresas e conselhos de administração, mas a IA deve ser encarada como uma oportunidade, e não como ameaça.

Southwest aposta em tecnologia sem abrir mão da hospitalidade

Na Southwest Airlines, Bob Jordan afirmou que a maior transformação da história da companhia está sendo guiada exclusivamente pelas necessidades dos clientes.

Nos últimos meses, a empresa implementou mudanças como novos processos de embarque, assentos reservados, novas parcerias internacionais e iniciou a instalação do Starlink Wi-Fi em sua frota.

De acordo com Jordan, as mudanças já começam a gerar resultados. A receita proveniente do segmento corporativo cresceu 30% no segundo trimestre, indicando ganho de participação entre viajantes de negócios. Mas, apesar da transformação tecnológica, ele fez questão de afirmar que a cultura permanece inalterada.

"A cultura não é uma política. A cultura são as pessoas"

Bob Jordan, CEO da Southwest Airlines

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Sobre o autor

Jornalista formada pela PUC-SP, com experiência em redações como Forbes Brasil e Agora São Paulo, além de colaborações para CNN Brasil e UOL. Entrou na PANROTAS em 2017, com foco especialmente no PANROTAS Corporativo, e, desde 2021, atua como coordenadora de Redação