GBTA Convention 2026: mais conteúdo de hotéis não significa mais compliance; entenda
Sessão educacional desta terça-feira (4) debateu a fragmentação hoteleira e como isso afeta o viajante

CHICAGO – A fragmentação do mercado de hospedagem tem ampliado os desafios para a gestão de viagens corporativas. Durante a GBTA Convention 2026, especialistas alertaram que, em média, 8,5 de cada 10 reservas de hotel estão fora da política de viagens das empresas, cenário que impacta compliance, duty of care e o aproveitamento das tarifas negociadas. Como evitar essa dispersão de conteúdo?
Para os especialistas na sessão educacional desta terça-feira (4), no entanto, o problema não está apenas na multiplicidade de canais de distribuição, mas na forma como esse conteúdo é gerenciado. O "vazamento" de reservas – quando viajantes utilizam canais diretos ou tarifas fora dos acordos corporativos – sempre existiu, mas ganha novas proporções com o aumento das opções disponíveis no mercado.
Por isso, em vez de restringir a oferta, a recomendação dos debatedores da Medtronic, Navan, Altour e Emburse, foi consolidar conteúdos de diferentes fontes em uma única plataforma e usar dados para tornar os programas de viagens mais eficientes. Isso inclui entender onde estão concentrados os gastos, fortalecer parcerias com fornecedores estratégicos e garantir que o viajante tenha acesso às opções mais adequadas para seu perfil e para o orçamento da empresa.
Outro ponto levantado foi que disponibilizar mais conteúdo, por si só, não resolve a falta de compliance. Segundo os profissionais, é preciso que as ferramentas apresentem as tarifas de forma clara, para que o viajante compreenda as diferenças entre elas e consiga fazer uma escolha consciente.
"Quando mostramos diversas tarifas para o mesmo hotel sem explicar o que muda entre elas, por exemplo, criamos mais fricção do que valor"
Dee Swanson, líder do Programa de Sourcing da Medtronic
A inteligência artificial também foi apontada como uma aliada, desde que utilizada para simplificar a experiência de reserva e não apenas ampliar o volume de opções. Os painelistas defenderam que agentes de IA poderão ajudar a direcionar os viajantes para as alternativas mais adequadas, desde que sejam alimentados com conteúdo estruturado e alinhado às políticas corporativas.
Ao final, os especialistas reforçaram que uma tarifa corporativa negociada não deve ser encarada apenas como um mecanismo de economia, mas como uma forma de garantir que o viajante encontre a hospedagem mais adequada às necessidades da empresa e da própria viagem.
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