Beatrice Teizen   |   07/08/2026 14:42
Atualizada em 07/08/2026 15:02

CEO da GBTA aponta novo ciclo de crescimento para o setor de viagens corporativas

Para Suzanne Neufang, crescimento mais consistente, IA e gestão de riscos marcam nova fase da indústria


PANROTAS / Beatrice Teizen
Suzanne Neufang, CEO da GBTA
Suzanne Neufang, CEO da GBTA

CHICAGO – A indústria global de viagens corporativas deixou para trás a fase de recuperação acelerada do pós-pandemia e entra agora em um novo ciclo de crescimento mais consistente. A avaliação é da CEO da GBTA, Suzanne Neufang, que, ao fim da GBTA Convention 2026, fez um balanço do setor e destacou sua resiliência diante de um cenário marcado por conflitos geopolíticos, mudanças comerciais e incertezas econômicas.

Segundo ela, o desempenho de 2025 superou as expectativas da associação. Embora rotas e fluxos tenham sido impactados por disputas comerciais e tensões internacionais, as empresas continuaram viajando.

"O que estamos vendo é uma indústria extremamente resiliente. As empresas continuaram viajando mesmo diante das disrupções comerciais porque precisaram encontrar novos parceiros e abrir novos mercados. Agora, esperamos um crescimento mais próximo da média histórica, entre 4% e 4,5% ao ano, em um cenário mais estável”

Suzanne Neufang, CEO da GBTA

Suzanne lembrou ainda que o Brasil está entre os mercados com melhor desempenho global, aparecendo na 10ª posição do ranking do BTI de 2025, impulsionado pelo forte movimento das TMCs e pela intensa atividade nos aeroportos.

Ela ressalta, porém, que o avanço do setor não está necessariamente ligado ao aumento do número de viagens. Dados da própria GBTA mostram que o volume global de deslocamentos cresce apenas 1,3%, enquanto as despesas seguem pressionadas por fatores como mão de obra e combustível.

IA fortalece o gestor de viagens

A inteligência artificial foi um dos assuntos mais debatidos durante o evento em Chicago. Na avaliação da CEO da GBTA, a tecnologia tende a tornar os gestores de viagens mais estratégicos, e não substituí-los.

“Em um encontro fechado, perguntamos a mais de 600 travel managers se eles viam a IA como uma oportunidade ou como uma ameaça ao emprego. Cerca de 98% disseram que ela permitirá que sejam mais estratégicos. Há muito pouca preocupação com perda de postos de trabalho”, diz.

Para Suzanne, o maior potencial da IA está na automação de tarefas operacionais e, principalmente, na melhoria da qualidade dos dados – um dos desafios históricos da indústria. Com isso, os profissionais poderão dedicar mais tempo à tomada de decisões e ao relacionamento com clientes e parceiros.

Ela acredita, porém, que ainda levará alguns anos para que reservas corporativas sejam realizadas inteiramente por agentes de IA.

"Ainda estamos a dois ou três anos de uma reserva acontecer completamente por inteligência artificial. Existem políticas de viagens, prestação de contas e muitos sistemas conectados. Precisamos manter o ser humano no processo para garantir qualidade e confiança”, reforça.

PANROTAS / Artur Luiz Andrade
Suzanne Neufang
Suzanne Neufang

Gestão de riscos ganha protagonismo

Além da IA, Suzanne aponta que a gestão de riscos se consolidou como uma das principais preocupações dos gestores de viagens. Embora esses profissionais estejam acostumados a lidar com interrupções, o contexto internacional tornou as decisões muito mais complexas.

"Os gestores sempre conviveram com disrupções, mas hoje o nível de risco e de mudanças é muito maior. Isso exige uma colaboração muito mais próxima com outras áreas da empresa e uma capacidade de resposta cada vez mais rápida”

Suzanne Neufang, CEO da GBTA

Educação como principal atrativo

Ao avaliar a edição de 2026 da GBTA Convention, Suzanne destacou que o modelo de programação, que separa os horários da feira de negócios das sessões de conteúdo, segue funcionando.

"Todos os anos perguntamos qual é o principal motivo para as pessoas participarem da GBTA Convention e a resposta continua sendo a mesma: educação. O networking é importante, mas o conteúdo ainda é o principal fator de atração”, afirma.

A executiva revela que o formato deverá ser mantido em San Diego, de 2 a 4 de agosto em 2027, ainda que a organização estude novidades para a próxima edição. O evento de 2028 também já foi confirmado e será realizado na Filadélfia, na Pensilvânia, na última semana de julho.


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Sobre o autor

Jornalista formada pela PUC-SP, com experiência em redações como Forbes Brasil e Agora São Paulo, além de colaborações para CNN Brasil e UOL. Entrou na PANROTAS em 2017, com foco especialmente no PANROTAS Corporativo, e, desde 2021, atua como coordenadora de Redação