Sabre fala sobre IA, NDC, confiança e o futuro da distribuição no Turismo
Brad Johnson e Kathy Morgan deram panorama do cenário atual durante entrevista na GBTA Convention 2026

CHICAGO – A IA há um tempo não é mais uma promessa, mas, nesta GBTA Convention, tornou-se um dos assuntos mais debatidos. No entanto, em meio ao avanço acelerado das tecnologias, surge um desafio igualmente importante: ajudar o mercado a entender como aplicá-las na prática.
Em entrevista ao Portal PANROTAS, Kathy Morgan, vice-presidente sênior de Gestão de Produtos do Sabre, e Brad Johnson, vice-presidente de Gestão de Produtos do Sabre, defendem que o primeiro passo não é escolher uma ferramenta, mas identificar o problema de negócio que precisa ser resolvido, para só então definir como a IA pode gerar valor.
Na o bate-papo a seguir, os executivos também abordam o papel da confiança na adoção dos agentes de IA, a importância de construir uma estratégia sólida de dados, os avanços do Sabre em inteligência artificial e NDC, o futuro dos profissionais do setor e a necessidade de ampliar a educação do mercado para transformar inovação em resultados concretos.
Confira.
PORTAL PANROTAS – Na GBTA Convention, a IA foi um dos temas centrais. Mas a sensação que tivemos é que muitas pessoas ainda estão perdidas em meio a tantos conceitos, siglas e soluções. Essa percepção faz sentido?
BRAD JOHNSON – Sim. Um dos objetivos das sessões do AgentiQ foi justamente ajudar as pessoas a entenderem o básico. Hoje falamos de MCP, LLMs e tantos outros conceitos que acabam confundindo o mercado. O que nossos clientes querem saber é quando essa tecnologia passa a ser relevante para eles e quando devem começar a agir. A principal mensagem é que esse momento já chegou e que a Sabre quer ser um parceiro nessa jornada.
PORTAL PANROTAS – Mas, diante de tantas soluções surgindo ao mesmo tempo, como criar confiança? Agências, gestores de viagens e compradores ficam sem saber em quem acreditar.
KATHY MORGAN – Sabre ocupa uma posição única porque já é um parceiro tecnológico de confiança para grande parte das agências, empresas, companhias aéreas e hotéis. Construímos essa credibilidade ao longo de muitos anos e isso nos permite ajudar o mercado a colocar a IA em contexto. Costumo comparar com uma caixa de ferramentas: sabemos que cada ferramenta faz algo importante, mas, se não entendermos para que ela serve, tudo parece complexo. É exatamente isso que acontece com a IA hoje.
PORTAL PANROTAS – Então o caminho é implementar a IA aos poucos?
BRAD JOHNSON – Exatamente. É preciso entender primeiro qual problema de negócio você quer resolver. Depois disso, avaliar como a IA pode ajudar. O erro é começar pela tecnologia e só depois tentar encontrar uma aplicação. Fora de contexto, a IA pode se tornar cara, complexa e pouco eficiente. Quando você trabalha por etapas, entendendo cada caso de uso, as decisões ficam muito mais claras.
PORTAL PANROTAS – Como o Sabre ajuda esse ecossistema nesse processo?
BRAD JOHNSON – Primeiro, ajudamos nossos clientes a identificar o problema que realmente precisa ser resolvido. Depois oferecemos diferentes níveis de solução. Temos APIs para empresas que desejam desenvolver aplicações próprias, mas também disponibilizamos ferramentas prontas para quem quer resolver desafios específicos, como automação do processamento de e-mails no ambiente corporativo. O importante é começar pelo problema e escolher a tecnologia adequada para cada necessidade.
PORTAL PANROTAS – No ano passado conversamos sobre NDC e você comentou que o Sabre havia entrado um pouco depois nessa corrida. Como vê esse cenário hoje? E, olhando para IA, a empresa está em uma posição diferente?
KATHY MORGAN – No caso do NDC, isso já faz parte do passado. Hoje somos líderes. Em IA, nossa posição foi diferente desde o início. Nos últimos 12 meses apresentamos avanços concretos, fomos os primeiros a disponibilizar um servidor MCP e também a anunciar APIs preparadas para agentes de IA. Nosso foco é construir a infraestrutura que permitirá toda essa inovação.

PORTAL PANROTAS – Um tema recorrente aqui é a confiança nos agentes de IA. Como garantir que um agente tome a decisão correta, por exemplo, ao remarcar automaticamente um voo cancelado?
KATHY MORGAN – Esse é justamente um dos pilares do nosso trabalho. Falamos muito em fluxos determinísticos, ou seja, processos que seguem regras claras. Essas regras podem considerar política de viagens, tempo mínimo de conexão, deslocamento até o aeroporto, otimização de receita e diversos outros fatores. Ao combinar esses fluxos estruturados com capacidades mais avançadas da IA, conseguimos reduzir erros e minimizar alucinações. É assim que se constrói confiança.
PORTAL PANROTAS – Outro assunto muito discutido foi a importância dos dados. Todo mundo fala em data lake, mas consolidar essas informações continua sendo um grande desafio.
KATHY MORGAN – Sem dúvida. A IA só será tão inteligente quanto os dados que a alimentam. Sabre possui mais de 50 petabytes de dados em seu data lake, mas volume não basta. Os dados precisam estar organizados, estruturados e preparados para gerar inteligência. Ter uma estratégia sólida de dados talvez seja o elemento mais importante para empresas que desejam evoluir em um ambiente cada vez mais baseado em sistemas autônomos.
PORTAL PANROTAS – Como você enxerga o futuro dos agentes de viagens e gestores de viagens nesse cenário? Existe risco de substituição?
KATHY MORGAN – Nossa visão é muito clara: a IA veio para ampliar capacidades, não para substituir pessoas. Ela deve eliminar tarefas repetitivas e de baixo valor, permitindo que os profissionais concentrem seu tempo naquilo que realmente importa: atendimento consultivo, relacionamento e tomada de decisão. Viagens continuam sendo experiências muito pessoais, tanto no lazer quanto no corporativo, e esse fator humano continuará sendo essencial.
PORTAL PANROTAS – Um ponto que chamou atenção na GBTA foi que os painéis sobre "Next Gen" eram compostos, em sua maioria, por profissionais bastante experientes. Como o Sabre está ouvindo as novas gerações?
BRAD JOHNSON – Recentemente realizamos um Hack Day no Vale do Silício justamente para aproximar novos profissionais do setor. Foi impressionante ver como eles abordam problemas complexos de maneira diferente e como esperam que as ferramentas simplesmente funcionem, sem exigir anos de conhecimento técnico. Esse tipo de iniciativa nos ajuda a evoluir nossas soluções e também a entender como as novas gerações querem trabalhar e desenvolver tecnologia.
PORTAL PANROTAS – No Brasil percebemos uma enorme demanda por educação em IA. Muitos profissionais ainda não sabem por onde começar. Existe espaço para o Sabre liderar esse movimento?
KATHY MORGAN – Com certeza. Acho que o próximo passo é justamente mostrar aplicações práticas. Quando as pessoas entendem um caso de uso concreto e veem como a IA resolve aquele problema específico, tudo passa a fazer sentido.
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