O que TMCs, fornecedores e demais empresas precisam fazer para se adaptar à Reforma Tributária?
Hotéis e aéreo ficarão mais caros: quando há uma carga tributária maior, é preciso mexer na precificação

A Reforma Tributária está entre os principais temas em discussão no mercado de Turismo. E mesmo com a proximidade da entrada das novas regras, muitos profissionais ainda têm dúvidas sobre como se preparar e quais impactos a mudança poderá trazer para seus negócios.
Para sanar dúvidas e discutir esse tópico em profundidade, a Abracorp trouxe, em seu fórum corporativo realizado hoje (27) em São Paulo, um painel com profissionais do setor.
Siderley Santos, presidente do Conselho de Administração da associação, questionou aos participantes do debate o que empresas, TMCs e fornecedores precisam fazer para se adaptar às novas regras que entrarão em vigor.
Letícia Pimentel, da Latam, diz que o primeiro passo é se juntar à área de TI e analisar os dados da compra, criando uma base estruturada para que as informações cheguem corretamente. “Hoje, nenhum contrato prevê exatamente o que está sendo definido pela Reforma Tributária. Por isso, é preciso chamar as áreas de compras e jurídica para essa discussão”, comenta Letícia.
“É importante trabalhar com uma visão mais genérica neste momento, porque ainda não sabemos exatamente qual alíquota será aplicada. A transição vai até 2032, com a entrada completa das novas regras prevista para janeiro de 2033, então há tempo para se preparar”
Letícia Pimental, da Latam
Já Priscila Pereira, da Atlantica, comenta que a Reforma Tributária é uma oportunidade para o gestor dar uma nova roupagem à sua área. “Esses profissionais também passam a ter o papel de trazer receita de impostos para a empresa. O primeiro passo é fazer um simulador para entender quanto a área de viagens pode trazer de dinheiro para a companhia e, com isso, provar ao C-level a oportunidade que a área representa”, disse ela.
Outra dica dada por Priscila é: se você não faz parte do comitê que está discutindo a Reforma Tributária, levante a mão para participar. “É importante mapear todos os fornecedores atuais (agências, hotéis, companhias aéreas, jurídico e os principais parceiros) e entender, por exemplo, quais fornecedores estão no Simples Nacional, já que hoje não é possível tomar crédito da mesma forma”, reforça.
Por fim, ela salienta que é preciso chamar os fornecedores para a mesa e conversar. “Ainda há muitas questões sem resposta. Podemos, por exemplo, discutir com hotéis, companhias aéreas e locadoras de carros para somar esforços e construir soluções em conjunto”, comenta Priscila Pereira.
É preciso "arrumar a casa" para a Reforma Tributária

Marcelo Oliveira, advogado e assessor jurídico da Abracorp e da Abav, afirma que é hora de revisitar os projetos de conformidade tributária e deixar a ‘casa arrumada’ para a Reforma Tributária.” Isso é muito importante para os negócios, considerando que estamos diante de uma imprecisão muito grande em relação aos detalhes, o que torna o cenário bastante difícil”, comenta.
Segundo ele, os materiais disponibilizados sobre a reforma mudam constantemente. “Não há hoje um material que permaneça 100% atualizado por muito tempo, porque as regras e interpretações estão mudando praticamente todos os dias”, relata. Por isso, a autocapacitação das empresas sobre o que está acontecendo é o primeiro passo. “A partir daí, é preciso envolver todas as áreas”, destaca.
“Na hora H, vai valer o que estiver escrito na norma. Por isso, capacitar as equipes e entender quais contratos precisarão ser atualizados será fundamental. Os contratos serão um dos principais instrumentos de comprovação nesse novo cenário de negociações, inclusive na relação com fornecedores”
Marcelo Oliveira, advogado e assessor jurídico da Abracorp e da Abav
Passagem aérea e a tarifa hoteleira ficarão mais caras? Sim!

Siderley Santos questionou se, com a chegada das novas regras da Reforma Tributária, a passagem aérea e o hotel ficarão mais caros. Leticia Pimentel diz que sim.
“Não existe mágica: quando há uma carga tributária maior, é preciso mexer na precificação. Mas há um ponto positivo, que é a transparência. PIS e Cofins, por exemplo, estavam embutidos no preço e passarão a ficar mais claros, permitindo visualizar quanto do valor corresponde ao imposto”, destaca a especialista.
“Ainda não sabemos quanto os preços vão aumentar, porque a alíquota da hotelaria não está definida. Há estimativas entre 8,8% e 9,4%, mas precisamos esperar a definição para precificar melhor e garantir um mercado sustentável. O maior impacto econômico deve acontecer entre 2028 e 2029. Hoje, o mercado já trabalha de forma muito transparente, e o gestor precisa entender esse cenário para conseguir elaborar os orçamentos de viagens”
Priscila Pereira, da Atlantica
Segundo ela, os gestores de viagens devem ter a preocupação com o saving. “Há risco de estrangulamento das viagens, mas as empresas precisam continuar viajando. É fundamental deixar claro que o preço pode ficar mais caro, mas que parte desse valor retorna por meio dos créditos tributários”, destaca. Nesse cenário, o papel do gestor de viagens será ainda mais importante, segundo Siderley.
Para ajudar os profissionais do setor a entenderem melhor as novas regras da Reforma Tributária e se prepararem para ela, a Abracorp disponibilizou materiais e orientações. Para acessá-los, basta clicar neste link.