Laura Enchioglo   |   05/11/2026 08:34

Viagens de incentivo vão além da recompensa e ganham papel estratégico; leia artigo

89% dos participantes que realizaram essas viagens afirmaram ter maior propensão a permanecer no emprego


Divulgação
José Cordeiro, diretor-geral da Go Together
José Cordeiro, diretor-geral da Go Together

As viagens de incentivo estão deixando de ser vistas apenas como premiação e ganhando espaço como ferramenta estratégica de reconhecimento, motivação e relacionamento nas empresas. É o que aponta José Cordeiro, diretor-geral da Go Together, empresa que atua no segmento.

Segundo pesquisa da SITE e da Maritz, 89% dos participantes que realizaram essas viagens afirmaram ter maior propensão a permanecer no emprego, enquanto 93% disseram estar motivados a conquistar uma nova experiência.

Para Cordeiro, o sucesso dessas iniciativas depende de planejamento, personalização e indicadores que permitam avaliar seus resultados. Leia o artigo na íntegra abaixo:

Viagens de incentivo vão além da recompensa e ganham papel estratégico

*Por José Cordeiro

"Controlar custos, manter profissionais engajados e demonstrar o retorno dos investimentos são desafios que atravessam a agenda das empresas. No campo do reconhecimento, a questão é criar iniciativas relevantes para diferentes perfis sem perder de vista os objetivos do negócio. Pesquisas recentes sobre viagens de incentivo ajudam a entender como esse mercado responde a essas pressões.

Um estudo realizado pela Society for Incentive Travel Excellence (SITE) e pela Maritz em 2026 com mil profissionais que tiveram a oportunidade de conquistar uma viagem de incentivo nos três anos anteriores, identificou que 61% consideram uma viagem individual extremamente motivadora; para 50%, a viagem em grupo também alcança esse nível. Entre os participantes que efetivamente viajaram, 89% afirmaram ter maior propensão a permanecer no emprego, e 93% disseram estar motivados a conquistar outra experiência. São percepções declaradas, não prova isolada de causalidade, mas oferecem pistas sobre como o reconhecimento é recebido.

Os dados levantam uma questão: como reconhecer contribuições de forma relevante e alinhada às prioridades da organização? As viagens de incentivo fazem parte do universo MICE — sigla para reuniões, incentivos, conferências e exposições —, mas não devem ser confundidas com viagens corporativas ou com o mercado de eventos como um todo. Nesse segmento, a viagem é oferecida como recompensa ou ferramenta de motivação a funcionários, equipes comerciais, distribuidores, representantes e parceiros, muitas vezes associada ao atingimento de metas.

Essa finalidade muda o planejamento. Uma convenção pode priorizar o compartilhamento de informações; uma viagem de negócios, reuniões; já um programa de incentivo precisa considerar quem está sendo reconhecido, qual comportamento a empresa deseja estimular e como a experiência se conecta à campanha. Ela pode reconhecer uma equipe comercial, aproximar parceiros ou ampliar o conhecimento sobre um mercado. Destino e programação devem responder a esse objetivo, sem reduzir a experiência a uma sequência de passeios ou a uma recompensa de luxo.

A iniciativa começa antes mesmo da escolha de hotéis, passagens ou atividades. É preciso definir o objetivo: ampliar vendas, ativar distribuidores, fortalecer relações com parceiros ou reconhecer equipes. Esses propósitos orientam os critérios de participação, a comunicação e o desenho da experiência.

Personalização não é sinônimo de luxo. Uma visita cultural conduzida por especialistas locais, o contato com uma operação relevante para o negócio ou uma atividade que favoreça a troca entre participantes podem ter mais valor do que uma programação repleta de atrações sem conexão com a campanha.

Neste caso, não falamos apenas em uma experiência cultural de Turismo, mas sim em vivências únicas, inesquecíveis e que serão guardadas nas memórias de todos aqueles que um dia conquistaram a oportunidade. São viagens com objetivos e com parceiros de contato que proporcionam momentos únicos na vida.

O planejamento exige atenção a orçamento, segurança, acessibilidade, logística e expectativas de públicos diferentes. Como mostra o Incentive Travel Index (ITI), a escolha de destinos depende de fatores que vão além das preferências dos participantes. É preciso avaliar os riscos, alternativas e objetivos do investimento.

De acordo com estudo do ITI, em 2025 as empresas gastaram, em média, US$ 5,1 mil por funcionário em viagens de incentivo, alta de 4% em relação ao ano anterior. O estudo também aponta que 55% dos líderes seniores consideram esses programas essenciais para o sucesso das companhias, enquanto 43% buscam iniciativas que combinem retorno sobre o investimento e fortalecimento da cultura corporativa. Os dados indicam que esse tipo de ação vem deixando de ser visto apenas como benefício e ganhando espaço como ferramenta estratégica de reconhecimento e relacionamento.

Para entender se uma campanha cumpriu seu papel, os indicadores precisam ser definidos desde o início. Crescimento de vendas, atingimento de metas, ativação de distribuidores ou retenção de clientes podem ser relevantes em programas comerciais. Em iniciativas internas, engajamento, permanência de profissionais e colaboração também podem ser acompanhados, conforme o objetivo.

Comparar indicadores anteriores e posteriores ajuda na avaliação, mas é necessário considerar outros fatores que influenciam os resultados. Nem todo ganho pode ser atribuído exclusivamente à viagem, e a percepção positiva dos participantes não substitui a análise de desempenho.

Em um cotidiano cada vez mais digital, experiências presenciais podem abrir espaço para conversas e relações que dificilmente surgem em interações rápidas. A viagem não é solução universal: o reconhecimento precisa ser tratado como decisão estratégica, não apenas como premiação.

O debate, portanto, não deveria se limitar a quanto custa uma viagem ou qual destino oferece mais impacto. A questão central é qual objetivo ela atende, para quem foi desenhada e como a empresa vai avaliar seus efeitos. Com essas respostas claras, a experiência pode ocupar seu lugar, entre outras ferramentas, na estratégia de relacionamento e reconhecimento das organizações."

*José Cordeiro é diretor-geral da Go Together, empresa que atua há mais de 10 anos com viagens de incentivo, eventos corporativos e experiências de relacionamento.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, Laura Enchioglo é repórter na PANROTAS, onde entrou como estagiária em 2023. Tem experiência em assessoria de imprensa e na cobertura de economia e finanças.