Beatrice Teizen   |   03/08/2026 18:30
Atualizada em 03/08/2026 19:21

Viagens corporativas movimentam US$ 1,7 trilhão no mundo; Brasil lidera alta em 2026

Número de viagens corporativas chegará a marca de 1,84 bilhão ao longo deste ano, aponta previsão da GBTA

PANROTAS / Artur Luiz Andrade
Suzanne Neufang, CEO da GBTA
Suzanne Neufang, CEO da GBTA

CHICAGO - Os gastos globais com viagens corporativas devem alcançar o recorde de US$ 1,71 trilhão em 2026, embalados pelo número de viagens de negócios em todo o mundo que deverá superar 1,84 bilhão, de acordo com dados que acabam de ser divulgados pela Global Business Travel Association (GBTA), na GBTA Convention 2026, em Chicago, nesta semana.

A projeção, que é parte do Relatório Anual e Previsão Global 2026 do Business Travel Index (BTI) revela que o aumento dos custos de transporte e viagens corporativas está impulsionando o crescimento do setor mais do que o avanço no número de deslocamentos.

O estudo prevê ainda que os gastos globais com viagens corporativas crescerão 7,2% em 2026. O relatório também apresenta, de forma inédita, uma análise do volume global de viagens de negócios, estimando que 1,84 bilhão de viagens serão realizadas em 2026, ante 1,82 bilhão em 2025 (+1,3%).

O relatório revela ainda que os gastos globais com viagens corporativas cresceram 8,4% em 2025, totalizando US$ 1,59 trilhão, superando a previsão anterior de crescimento de 6,6%. De acordo com o GBTA, o desempenho foi impulsionado por uma atividade econômica mais forte do que o esperado, pela redução das tensões comerciais na segunda metade do ano e pelos efeitos das taxas de câmbio.

Relatório Business Travel Index da GBTA mostra que crescimento dos gastos é impulsionado pelo aumento dos preços, enquanto incertezas geopolíticas e pressões no transporte afetam as perspectivas
Relatório Business Travel Index da GBTA mostra que crescimento dos gastos é impulsionado pelo aumento dos preços, enquanto incertezas geopolíticas e pressões no transporte afetam as perspectivas

A expectativa é que os gastos globais ultrapassem US$ 2 trilhões até 2030, um ano depois da previsão estabelecida no relatório anterior, refletindo um ritmo de crescimento mais moderado após 2026, mas ainda sustentado por investimentos empresariais e pela atividade comercial internacional.

Apresentada durante o evento, a 18ª edição do BTI é considerada a análise mais abrangente do setor de viagens corporativas. O estudo cobre 72 países, 44 setores da economia e inclui pesquisas com mais de 4,7 mil viajantes de negócios em 66 mercados.

"O grande destaque deste ano é que as empresas não deixaram de viajar, mas estão sendo cada vez mais seletivas e focadas em produtividade. Embora os gastos continuem crescendo, o número de viagens avança mais lentamente, tornando necessário avaliar o impacto para o setor e para as organizações. As viagens continuam essenciais, mas as empresas estão sendo criteriosas sobre onde, como e por que viajam"

Suzanne Neufang, CEO da GBTA

Brasil lidera crescimento em cenário positivo nas Américas

  • O volume de viagens corporativas no Oriente Médio deverá cair 12,3% em 2026, refletindo os impactos dos conflitos na região. Já Ásia e Europa enfrentam pressões decorrentes das interrupções no transporte aéreo e da alta nos mercados de energia.
  • Nas Américas, por outro lado, o cenário é mais positivo. O crescimento econômico dos Estados Unidos é impulsionado pelos investimentos em inteligência artificial e tecnologia, enquanto os preços mais altos da energia favorecem o Brasil e a maior estabilidade econômica fortalece a Argentina e outros mercados latino-americanos.
  • Os investimentos em IA, infraestrutura digital, data centers e tecnologia corporativa se consolidam como um importante motor para as viagens de negócios, especialmente na América do Norte e na Ásia-Pacífico, estimulando deslocamentos ligados a projetos, relacionamento com clientes e colaboração internacional.

Os 15 maiores mercados representam US$ 1,43 trilhão, ou 84% dos gastos globais previstos para 2026. EUA (US$ 423 bilhões) e China (US$ 403,7 bilhões) concentram juntos cerca de 48% do total.

Entre esses mercados, os maiores crescimentos previstos são:

  • Brasil: 13,8%
  • Austrália: 11,5%
  • Coreia do Sul: 11,3%
  • Turquia: 10,9%
  • Japão: 10%

Embora ocupe apenas a décima posição em gastos absolutos (US$ 35,8 bilhões), como podemos ver no ranking acima, o Brasil lidera a projeção de crescimento entre os 15 maiores mercados do mundo, com expansão estimada em 13,8% para este ano de 2026.

Custos avançam mais rápido que a demanda

Evolução dos gastos corporativos de 2019 a 2030
Evolução dos gastos corporativos de 2019 a 2030

Além da projeção de gastos, o relatório da GBTA traz pela primeira vez dados sobre o volume global de viagens corporativas em 2025 e 2026.

Em 2025, por exemplo, os viajantes de negócios realizaram cerca de 1,82 bilhão de viagens. Ásia e Europa concentraram os maiores volumes, com cerca de 600 milhões de viagens ou mais cada, impulsionadas pela forte atividade empresarial da região Ásia-Pacífico e pela elevada conectividade europeia.

O crescimento estimado de 1,3% no volume de viagens em 2026 (cerca de 25 milhões de deslocamentos adicionais) contrasta com o aumento previsto de 7,2% nos gastos, evidenciando o impacto dos custos mais elevados de transporte e viagens sobre a demanda.

Fatores que moldam o mercado em 2026

O relatório identifica quatro fatores principais que influenciam o cenário das viagens corporativas em 2026. São eles:

  • Crescimento econômico resiliente;
  • Forte investimento empresarial;
  • Maior incerteza geopolítica;
  • Custos elevados de transporte.

Entre as premissas da projeção está a expectativa da GBTA de que o conflito envolvendo o Irã e o Oriente Médio, que afetou a aviação, o comércio no geral no início de 2026, se estabilize ao longo do segundo semestre, permitindo a normalização gradual das operações aéreas.

O estudo também considera que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global desacelerará de cerca de 3,3% em 2025 para 2,9% em 2026, com riscos associados a novas tensões geopolíticas, interrupções no comércio internacional e uma desaceleração mais intensa dos investimentos empresariais.

Segundo a GBTA, depois da recuperação pós-pandemia, o foco das empresas deixou de ser simplesmente voltar a viajar. Agora, as viagens são mais seletivas e concentradas em atividades estratégicas, como relacionamento com clientes, implantação de projetos, desenvolvimento tecnológico e expansão internacional. Ao mesmo tempo, o aumento dos custos de transporte faz com que cada deslocamento represente um investimento maior para as empresas.

PANROTAS / Artur Luiz Andrade
Relatório completo foi apresentado hoje durante a Convenção 2026 da GBTA, em Chicago
Relatório completo foi apresentado hoje durante a Convenção 2026 da GBTA, em Chicago

Setores com maior crescimento

Até 2030, os segmentos com maior crescimento médio anual esperado nos gastos com viagens corporativas são Mineração e extração (6,6%); Saúde e assistência social (6,3%); e Educação (6,3%), setores que representam apenas 1,6% dos gastos globais previstos para 2026.

Por outro lado, Serviços Públicos (Utilities) e Manufatura, embora apresentem crescimento mais modesto (4,1% e 4,4%, respectivamente), respondem atualmente por 42% dos gastos globais com viagens corporativas e continuarão exercendo influência significativa até 2030.

Viajantes se adaptam ao novo cenário global

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Segundo a GBTA, depois da recuperação pós-pandemia, o foco das empresas deixou de ser simplesmente voltar a viajar. Agora, as viagens são mais seletivas e concentradas em atividades estratégicas
Segundo a GBTA, depois da recuperação pós-pandemia, o foco das empresas deixou de ser simplesmente voltar a viajar. Agora, as viagens são mais seletivas e concentradas em atividades estratégicas

O estudo mostra que a recuperação iniciada após a pandemia continua consistente. A pesquisa ouviu 4.700 viajantes de negócios, em maio de 2026, distribuídos por 66 mercados.

Os resultados mostram que:

  • 74% afirmam viajar tanto quanto ou mais do que nos anos anteriores;
  • Na Ásia-Pacífico, 80% mantiveram ou aumentaram a frequência das viagens;
  • 28% esperam viajar mais em 2026 do que em 2025, percentual que sobe para 36% entre viajantes do Oriente Médio e África;
  • 41% realizaram uma ou duas viagens de negócios em 2025;
  • 44% fizeram entre três e dez viagens;
  • 15% viajaram mais de dez vezes.
  • O avião continua sendo o principal meio de transporte, com 42% dos viajantes afirmando utilizar normalmente cabines premium. As viagens de trem seguem relevantes, especialmente na Ásia-Pacífico (72%) e na Europa (60%).
  • 65% disseram que suas empresas exigem ou incentivam reservas por meio de uma TMC (Travel Management Company) ou de ferramentas corporativas de reservas online.
  • Mais de dois terços (68%) recebem cartão corporativo, e 63% afirmam poder acumular benefícios pessoais ao utilizá-lo durante viagens de trabalho.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela PUC-SP, com experiência em redações como Forbes Brasil e Agora São Paulo, além de colaborações para CNN Brasil e UOL. Entrou na PANROTAS em 2017, com foco especialmente no PANROTAS Corporativo, e, desde 2021, atua como coordenadora de Redação