GBTA projeta alta de 13,8% no Brasil, mas Alagev prevê crescimento menor; entenda
LVC contabiliza cerca de R$ 102 bilhões entre janeiro e junho e reduz previsão para o fechamento de 2026

O setor brasileiro de viagens corporativas chega ao segundo semestre de 2026 com diferentes indicadores apontando crescimento, mas em ritmos distintos. O Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela FecomercioSP em parceria com a Alagev, registrou alta de 5,8% no primeiro semestre, com faturamento próximo de R$ 102 bilhões.
No cenário internacional, o Business Travel Index (BTI), apresentado na GBTA Convention 2026, no começo de agosto, projeta expansão de 13,8% para o Brasil no ano, a maior taxa entre os 15 principais mercados globais.
A diferença entre o desempenho já registrado e as projeções para o fechamento de 2026 coloca no centro da análise fatores como preços, volume de viagens e o comportamento da economia brasileira. O LVC, que inicialmente estimava crescimento de 7% para o setor neste ano, revisou a sua projeção para um patamar próximo de 5%, enquanto a GBTA prevê expansão de 13,8% para o mercado brasileiro, uma taxa quase três vezes superior à estimativa doméstica.
"O Brasil aparece com uma perspectiva de crescimento relevante no cenário internacional e, ao mesmo tempo, temos no LVC uma leitura mensal do que efetivamente vem acontecendo no mercado brasileiro. A combinação desses indicadores nos permite acompanhar não apenas quanto as empresas estão gastando, mas também o ambiente econômico que influencia as decisões sobre viagens e eventos"
Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev
Em junho, os gastos das empresas com serviços relacionados às viagens corporativas atingiram R$ 17,3 bilhões, crescimento de 3,7% em relação ao mesmo mês de 2025 e novo recorde histórico para o período, segundo os últimos dados revelados pelo LVC. Apesar do avanço do faturamento, a análise da FecomercioSP indica uma influência maior dos preços sobre os resultados, enquanto o volume de atividades apresenta crescimento mais moderado. “ Isso não significa necessariamente uma queda no volume de atividades, mas indica que seu crescimento ocorre em ritmo mais lento", explica o economista da FecomercioSP, Guilherme Dietze.

Brasil entre os principais mercados globais
A projeção apresentada pela GBTA coloca o Brasil na 10ª posição entre os maiores mercados de viagens corporativas do mundo, com previsão de US$ 35,8 bilhões em gastos em 2026. Entre os 15 principais, o país apresenta a maior expectativa de crescimento, de 13,8%, acima de Japão (10%), Estados Unidos (6,7%) e China (5,9%).
Para a Alagev, o posicionamento internacional reforça a dimensão alcançada pelo mercado brasileiro, mas a evolução ao longo do segundo semestre dependerá também das condições da economia doméstica. Juros elevados, inflação, comportamento do câmbio e ritmo da atividade econômica, bem como o período eleitoral, estão entre os fatores que podem interferir nas decisões das empresas sobre deslocamentos.
A comparação com outros países também requer considerar a dimensão de cada mercado. Enquanto o Brasil tem previsão de US$ 35,8 bilhões em gastos neste ano, os Estados Unidos devem movimentar US$ 423 bilhões e a China, US$ 403,7 bilhões. Mercados que partem de bases menores podem apresentar variações percentuais superiores, razão pela qual crescimento e tamanho do mercado precisam ser analisados conjuntamente.

Gastos e número de viagens
No cenário global, a GBTA projeta US$ 1,71 trilhão em gastos com viagens corporativas em 2026, crescimento de 7,2% sobre o ano anterior. O número de viagens, por sua vez, deve alcançar 1,84 bilhão, com avanço de 1,3%. A diferença entre os dois indicadores também coloca preços, custos e retorno dos deslocamentos entre os temas que ganham espaço na gestão corporativa.
Para Luana, o cenário aumenta a importância de as empresas acompanharem os indicadores ao longo do ano e incorporarem essas informações ao planejamento. "Quando os gastos avançam em ritmo diferente do volume de viagens, olhar apenas para o orçamento não é suficiente. É preciso entender o que vem de preço, o que vem de demanda e quais deslocamentos efetivamente contribuem para os objetivos da empresa. Esse acompanhamento permite revisar políticas, negociar contratos e direcionar os recursos de forma mais alinhada às necessidades do negócio", conclui.