Beatrice Teizen   |   02/09/2026 19:08

Viagens corporativas movimentam recorde de R$ 102 bilhões no 1º semestre de 2026

Projeção do LVC é que este ano termine com crescimento de cerca de 5% em relação a 2025

Getty Images
Alagev e FecomercioSP divulgam novo LVC
Alagev e FecomercioSP divulgam novo LVC

As empresas brasileiras gastaram cerca de R$ 102 bilhões com viagens corporativas no primeiro semestre de 2026, novo recorde histórico apontado pelo Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela FecomercioSP em parceria com a Alagev.

O crescimento foi de 5,8% frente ao mesmo período de 2025 e confirma a trajetória de recordes que o setor vem acumulando ao longo de 2026. A projeção é que o ano de 2026 termine com crescimento de cerca de 5% em relação a 2025. O número é visto como positivo porque a economia brasileira como um todo vem crescendo em ritmo mais fraco no período.

Somente em junho foram gastos R$ 17,3 bilhões com viagens corporativas, novo recorde mensal. No comparativo anual, o crescimento foi de 3,7%, ritmo mais moderado do que o observado em meses anteriores, reflexo de uma base de comparação elevada, já que em junho de 2025 o setor havia crescido 9,6% na mesma métrica.

O mercado aéreo ajuda a explicar parte do comportamento dos preços no período. Dados da Anac mostram que a demanda por voos, medida pelo indicador RPK, que representa o número de passageiros pagantes multiplicado pela distância percorrida em cada voo, somou cerca de R$ 9 bilhões em junho, alta de apenas 0,2% na comparação anual, ainda assim suficiente para configurar recorde histórico do mês.

A tarifa média ficou em R$ 660, praticamente estável ante os R$ 658 de junho de 2025, mas com salto em relação aos R$ 633 registrados em maio de 2026. O preço do petróleo, hoje abaixo de US$ 90 o barril mesmo com a retomada do conflito no Irã, é um dos fatores que ajudam a explicar essa estabilidade da tarifa aérea na comparação anual.

Na hotelaria, o cenário segue com leve avanço de preços com ocupação estável. Segundo o Fohb, a taxa de ocupação dos hotéis permaneceu em torno de 60% entre junho de 2025 e junho de 2026, enquanto a diária média subiu de R$ 411 para R$ 421, alta de 2,4%. O movimento indica que a demanda corporativa segue firme o suficiente para sustentar repasses de preço no setor, ainda que negociações continuem sendo decisivas para conter custos adicionais.

PANROTAS / Filip Calixto
Luana Nogueira, da Alagev
Luana Nogueira, da Alagev

O quadro econômico mais amplo também entra na equação. Com juros elevados e incertezas no cenário político e econômico, as empresas têm calibrado com mais critério a necessidade de cada deslocamento.

"O levantamento aponta a importância de as empresas buscarem uso de tecnologia, sobretudo de inteligência artificial, como caminho para ganhar eficiência de custos diante de preços ainda pressionados”

Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev

Ainda assim, o setor de viagens corporativas segue em série de recordes em 2026. A trajetória sugere que, enquanto houver necessidade de deslocamento das empresas pelo País, o segmento deve manter volume de gastos elevado ao longo do ano.

É possível acompanhar o estudo completo no documento disponível neste link.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela PUC-SP, com experiência em redações como Forbes Brasil e Agora São Paulo, além de colaborações para CNN Brasil e UOL. Entrou na PANROTAS em 2017, com foco especialmente no PANROTAS Corporativo, e, desde 2021, atua como coordenadora de Redação