Beatrice Teizen   |   06/02/2026 14:13

GBTA vê risco às viagens corporativas com endurecimento do ESTA nos EUA

Segundo entidade, regras mais rígidas podem gerar atrasos, custos extras e desviar eventos do país

Rawpixel.com
GBTA alerta sobre regras mais rígidas em relação ao ESTA
GBTA alerta sobre regras mais rígidas em relação ao ESTA

A GBTA está instando a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) a adotar uma abordagem equilibrada e prática ao avaliar as significativas mudanças propostas para os requisitos do Sistema Eletrônico de Autorização de Viagem (ESTA). Movimento segue o alerta do WTTC sobre o impacto econômico com as possíveis mudanças nas regras de entrada nos Estados Unidos.

Nesta sexta-feira (6), a entidade apresentou comentários formais à CBP, destacando as potenciais consequências competitivas, operacionais e econômicas das revisões propostas. De acordo com a associação, medidas excessivamente onerosas de coleta de dados e processos de inscrição restritivos podem prejudicar as viagens corporativas globais, comprometer a mobilidade e enfraquecer a posição dos EUA como um destino privilegiado para viagens e reuniões internacionais – sem mencionar o risco de impactos negativos para os viajantes a negócios e as organizações que dependem deles.

“Segurança e viagens a trabalho eficientes não são mutuamente exclusivas. Embora a GBTA apoie fortemente os esforços para proteger as fronteiras dos EUA e aumentar a segurança dos viajantes, as mudanças propostas representam riscos significativos e podem prejudicar os benefícios que as viagens corporativas trazem para as organizações que enviam seus funcionários em viagens internacionais aos EUA e para os destinos norte-americanos que os recebem”

Suzanne Neufang, CEO da GBTA

O que está em risco?

Nos EUA e em outros países, as viagens a negócios são essenciais para a saúde da economia global, viabilizando o comércio, a inovação, o investimento e a colaboração interpessoal. Estima-se que somente os membros da GBTA gerenciem diretamente mais de US$ 363 bilhões em gastos anuais com estes deslocamentos. Além disso, segundo dados da entidade de 2022, essas viagens tiveram um impacto econômico de US$ 484 bilhões nos EUA e sustentaram seis milhões de empregos no país.

PANROTAS / Artur Luiz Andrade
Suzanne Neufang, CEO da GBTA
Suzanne Neufang, CEO da GBTA

As alterações propostas ao ESTA podem acarretar consequências não intencionais que se propagam por todo o ecossistema de viagens, tais como:

  • Maior carga administrativa devido às novas exigências de fornecimento de dados de vários anos para contas de redes sociais, números de telefone, endereços de e-mail, detalhes familiares ampliados e possíveis envios biométricos;
  • Conflitos de conformidade com as leis internacionais de proteção de dados, incluindo as diretrizes da União Europeia sobre limites rigorosos para a coleta de dados pessoais, transparência e salvaguardas de dados transfronteiriços;
  • Barreiras de viagem criadas por um sistema de aplicativo exclusivo para dispositivos móveis, que entra em conflito com os protocolos de segurança corporativos e restringe o acesso para viajantes sem dispositivos compatíveis;
  • Prazos de processamento e aprovação mais longos, maior risco de erros ou omissões e menor confiança em cronogramas de viagem previsíveis – principalmente durante os períodos de pico de viagens globais;
  • Um efeito inibidor nas viagens com destino aos EUA, podendo desviar reuniões, eventos e investimentos para outros mercados.


GBTA revela preocupação generalizada

De acordo com a pesquisa da GBTA de janeiro sobre o setor de viagens corporativas, que refletiu a opinião de 571 profissionais da área em 40 países, a preocupação com as mudanças propostas para o ESTA é substancial e generalizada:

  • 78% dos profissionais de viagens que representam organizações que enviam regularmente funcionários aos EUA estão muito (42%) ou um tanto (36%) preocupados;
  • 65% citam o aumento da dificuldade em gerenciar viagens e 64% a complexidade adicional no envio de viajantes aos EUA;
  • 63% esperam custos mais altos para fazer negócios nos EUA, enquanto 61% dizem que os funcionários podem estar menos dispostos a viajar devido a preocupações com a privacidade ou encargos administrativos;
  • Entre os profissionais de viagens europeus, 67% dizem que os funcionários prefeririam não viajar para os EUA se fossem obrigados a divulgar muitas informações pessoais;
  • Os requisitos propostos podem mudar significativamente os padrões de viagem:
    • 43% dizem que suas empresas têm maior probabilidade de realizar reuniões fora dos EUA;
    • 29% esperam uma diminuição de curto prazo nas viagens de negócios aos EUA, enquanto 25% antecipam diminuições de longo prazo;
    • 19% planejam revisar as políticas de viagens para limitar as viagens aos EUA.

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Sobre o autor

Jornalista formada pela PUC-SP, com experiência em redações como Forbes Brasil e Agora São Paulo, além de colaborações para CNN Brasil e UOL. Entrou na PANROTAS em 2017, com foco especialmente no PANROTAS Corporativo, e, desde 2021, atua como coordenadora de Redação