Explora Journeys aumentará sua oferta em 57% e vê Brasil como fundamental na estratégia
Presidente da empresa de luxo do Grupo MSC, Anna Nash falou com a PANROTAS na inauguração do Explora III
Anna Nash não usa a palavra "luxo". Prefere "elegância", "sofisticação" e, principalmente, "como fazemos o hóspede se sentir". A presidente da Explora Journeys recebeu convidados, incluindo a PANROTAS, a bordo do Explora III, recém-batizado em Barcelona, e explica a abordagem: a marca não é um cruzeiro, não é um hotel, é uma categoria própria. E todo o time da Explora Journeys vem defendendo essa convicção.
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Anna Nash chegou à Explora Journeys há dois anos, vinda de uma carreira de mais de uma década no grupo Aman Resorts, referência mundial em hospitalidade de ultra-luxo. Ela foi contratada para trazer para o mar aquilo que os melhores hotéis do mundo fazem em terra. "Nossa proposta é trazer uma emoção mais profunda para a marca, uma alma. Não basta entregar o serviço. É preciso que o hóspede sinta que pertence a esse lugar", aponta a britânica.
O segmento de cruzeiros de luxo está entre os que mais crescem na indústria: segundo a CLIA, profissionais de viagens apontaram os cruzeiros de luxo como a principal área de crescimento em 2025, e a previsão é que 1,7 milhão de viajantes escolham esse tipo de experiência até 2029. Não à toa, várias grifes da hotelaria, incluindo a antiga empresa de Anna, estão colocando navios nos mares e rios do mundo.

Também sem nenhuma coincidência, a Explora Journeys lançou, depois da chegada de Anna Nash, o slogan "Às vezes o melhor hotel não é um hotel". "Passamos a evitar imagens típicas de cruzeiro nas campanhas de marketing, aquelas encenadas, com foco excessivo em rostos e pessoas. O hóspede de luxo quer se imaginar naquele espaço, não ver outras pessoas nele." O resultado foi uma campanha centrada na arquitetura do navio, na gastronomia e no bem-estar, com imagens cuidadosamente produzidas.
Para reforçar essa mentalidade, a Explora Journeys também tem seu vocabulário próprio a fim de fugir dos estigmas. A empresa que diz muito sobre o posicionamento da marca. "Cabine" foi substituído por "suíte". "Varanda" deu lugar a "terraço". "Tripulação" sempre foi "anfitriões". Até o termo "cruzeiro" perdeu espaço para "ocean travel", ou viagem oceânica.
"No segmento de luxo, cruzeiro ainda carrega a percepção de que 'não é para mim', de que é algo massificado e apressado. Fazemos parte da indústria de cruzeiros e temos muito orgulho disso. Mas preferimos falar em ocean travel, viagem oceânica. Na Explora Journeys, não há viajantes nem passageiros. Há apenas hóspedes. Viajante soa muito transacional. Hóspede é quem está em nossa casa. E é exatamente assim que tratamos cada pessoa a bordo."
Anna Nash, presidente da Explora Journeys
Investimento no trade
Outro fator mencionado pela britânica como de grande mudança em sua gestão foi a experiência antes da viagem. Ela admite que havia uma lacuna entre a experiência a bordo e o que acontecia antes do embarque. "O feedback que recebi era que a experiência a bordo era excepcional, mas a pré-viagem talvez não estivesse no mesmo nível." Nos últimos dois anos, a empresa investiu para corrigir isso. "Para mim, toda a jornada, do início ao fim, precisa ser contínua e sem fricção."
Segundo ela, o agente de viagens é fundamental para que essa estratégia antes da viagem seja bem correspondida, e portanto a Explora Journeys investe fortemente no trade de luxo global, incluindo capacitação, famtours e suporte, para que as vendas fluam como desejado pelos mais altos níveis de exigência dos consumidores de alto poder aquisitivo. Conforme a companhia e os navios começam a deixar o estaleiro, o desafio passa a ser justamente a escala. A Explora Journeys crescerá 57% em oferta no ano que vem.
"Estamos fortalecendo nossas relações com os parceiros, investindo em sistemas, no call center e no portal de trade. O sucesso de vocês é o nosso sucesso", afirma ela aos consultores parceiros, mencionando também que a empresa está desenvolvendo um guia específico para ajudar agentes a vender a marca para clientes que nunca consideraram viagens oceânicas. "Entendemos que recomendar algo novo para um cliente fiel é um risco. Queremos dar a eles as ferramentas para fazer isso com confiança."
Mercado brasileiro
Questionada especificamente sobre o Brasil, Anna Nash vê no País um mercado em crescimento acelerado, que protagoniza cada vez mais no radar estratégico da marca. "Implementamos o parcelamento em reais no último ano, traduzimos páginas do site para o português e temos ofertas mais direcionadas para o mercado brasileiro." Ela também destacou a popularidade das boutiques de marcas exclusivas entre o público brasileiro a bordo.
Corporativo e incentivo
Outro investimento importante é no segmento corporativo e de incentivos. Anna Nash confirmou que a empresa está investindo em equipe e materiais para atender essa demanda. "Recentemente tivemos um charter privado com a Ferrari. O navio é o ambiente ideal para grupos: você tem uma audiência cativa, ninguém pode ir embora", afirma, rindo. "É perfeito para team building."
Fotos do Explora III
A PANROTAS viajou a convite da Explora Journeys, com proteção Hero Seguros.