Rodrigo Vieira   |   18/08/2026 12:57
Atualizada em 18/08/2026 12:58

Explora Journeys aumentará sua oferta em 57% e vê Brasil como fundamental na estratégia

Presidente da empresa de luxo do Grupo MSC, Anna Nash falou com a PANROTAS na inauguração do Explora III

Anna Nash não usa a palavra "luxo". Prefere "elegância", "sofisticação" e, principalmente, "como fazemos o hóspede se sentir". A presidente da Explora Journeys recebeu convidados, incluindo a PANROTAS, a bordo do Explora III, recém-batizado em Barcelona, e explica a abordagem: a marca não é um cruzeiro, não é um hotel, é uma categoria própria. E todo o time da Explora Journeys vem defendendo essa convicção.

Anna Nash chegou à Explora Journeys há dois anos, vinda de uma carreira de mais de uma década no grupo Aman Resorts, referência mundial em hospitalidade de ultra-luxo. Ela foi contratada para trazer para o mar aquilo que os melhores hotéis do mundo fazem em terra. "Nossa proposta é trazer uma emoção mais profunda para a marca, uma alma. Não basta entregar o serviço. É preciso que o hóspede sinta que pertence a esse lugar", aponta a britânica.

O segmento de cruzeiros de luxo está entre os que mais crescem na indústria: segundo a CLIA, profissionais de viagens apontaram os cruzeiros de luxo como a principal área de crescimento em 2025, e a previsão é que 1,7 milhão de viajantes escolham esse tipo de experiência até 2029. Não à toa, várias grifes da hotelaria, incluindo a antiga empresa de Anna, estão colocando navios nos mares e rios do mundo.

PANROTAS / Rodrigo Vieira
Anna Nash, presidente da Explora Journeys, com Flavio Correa, diretor da empresa no Brasil
Anna Nash, presidente da Explora Journeys, com Flavio Correa, diretor da empresa no Brasil

Também sem nenhuma coincidência, a Explora Journeys lançou, depois da chegada de Anna Nash, o slogan "Às vezes o melhor hotel não é um hotel". "Passamos a evitar imagens típicas de cruzeiro nas campanhas de marketing, aquelas encenadas, com foco excessivo em rostos e pessoas. O hóspede de luxo quer se imaginar naquele espaço, não ver outras pessoas nele." O resultado foi uma campanha centrada na arquitetura do navio, na gastronomia e no bem-estar, com imagens cuidadosamente produzidas.

Para reforçar essa mentalidade, a Explora Journeys também tem seu vocabulário próprio a fim de fugir dos estigmas. A empresa que diz muito sobre o posicionamento da marca. "Cabine" foi substituído por "suíte". "Varanda" deu lugar a "terraço". "Tripulação" sempre foi "anfitriões". Até o termo "cruzeiro" perdeu espaço para "ocean travel", ou viagem oceânica.

"No segmento de luxo, cruzeiro ainda carrega a percepção de que 'não é para mim', de que é algo massificado e apressado. Fazemos parte da indústria de cruzeiros e temos muito orgulho disso. Mas preferimos falar em ocean travel, viagem oceânica. Na Explora Journeys, não há viajantes nem passageiros. Há apenas hóspedes. Viajante soa muito transacional. Hóspede é quem está em nossa casa. E é exatamente assim que tratamos cada pessoa a bordo."

Anna Nash, presidente da Explora Journeys

Investimento no trade

Outro fator mencionado pela britânica como de grande mudança em sua gestão foi a experiência antes da viagem. Ela admite que havia uma lacuna entre a experiência a bordo e o que acontecia antes do embarque. "O feedback que recebi era que a experiência a bordo era excepcional, mas a pré-viagem talvez não estivesse no mesmo nível." Nos últimos dois anos, a empresa investiu para corrigir isso. "Para mim, toda a jornada, do início ao fim, precisa ser contínua e sem fricção."

Segundo ela, o agente de viagens é fundamental para que essa estratégia antes da viagem seja bem correspondida, e portanto a Explora Journeys investe fortemente no trade de luxo global, incluindo capacitação, famtours e suporte, para que as vendas fluam como desejado pelos mais altos níveis de exigência dos consumidores de alto poder aquisitivo. Conforme a companhia e os navios começam a deixar o estaleiro, o desafio passa a ser justamente a escala. A Explora Journeys crescerá 57% em oferta no ano que vem.

"Estamos fortalecendo nossas relações com os parceiros, investindo em sistemas, no call center e no portal de trade. O sucesso de vocês é o nosso sucesso", afirma ela aos consultores parceiros, mencionando também que a empresa está desenvolvendo um guia específico para ajudar agentes a vender a marca para clientes que nunca consideraram viagens oceânicas. "Entendemos que recomendar algo novo para um cliente fiel é um risco. Queremos dar a eles as ferramentas para fazer isso com confiança."

Mercado brasileiro

Questionada especificamente sobre o Brasil, Anna Nash vê no País um mercado em crescimento acelerado, que protagoniza cada vez mais no radar estratégico da marca. "Implementamos o parcelamento em reais no último ano, traduzimos páginas do site para o português e temos ofertas mais direcionadas para o mercado brasileiro." Ela também destacou a popularidade das boutiques de marcas exclusivas entre o público brasileiro a bordo.

Corporativo e incentivo

Outro investimento importante é no segmento corporativo e de incentivos. Anna Nash confirmou que a empresa está investindo em equipe e materiais para atender essa demanda. "Recentemente tivemos um charter privado com a Ferrari. O navio é o ambiente ideal para grupos: você tem uma audiência cativa, ninguém pode ir embora", afirma, rindo. "É perfeito para team building."

Fotos do Explora III


A PANROTAS viajou a convite da Explora Journeys, com proteção Hero Seguros.

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Sobre o autor

Rodrigo Vieira é jornalista com 12 anos de especialização na indústria de Turismo, todo esse tempo orgulhosamente na PANROTAS. Sua maior satisfação profissional é quando, por meio de seu trabalho, ajuda um agente de viagens a obter êxito. Conhece 30 países e ama viajar para o Exterior, mas jamais moraria fora do melhor destino de todos, o Brasilzão.