Pedro Menezes   |   14/01/2026 09:16

Book2Pay estreia com proposta inédita: pagamento em até 7 dias para agentes e fornecedores

Empresa quer resolver a falta de previsibilidade e segurança nas relações entre agências e fornecedores


PANROTAS / Pedro Menezes
Fábio Bordin, CEO do Book2Pay, quer mudar a forma como o dinheiro circula no Turismo B2B do Brasil
Fábio Bordin, CEO do Book2Pay, quer mudar a forma como o dinheiro circula no Turismo B2B do Brasil

O setor de Turismo começa o ano de 2026 com uma novidade que promete ser disruptiva: o lançamento da Book2Pay, plataforma de intermediação B2B que chega com uma proposta objetiva de reorganizar o fluxo financeiro do Turismo a partir de um modelo de pagamento previsível, transparente e garantido.

A ideia é resolver um problema antigo e estrutural que vem acabando com a confiança de boa parte da cadeia: a falta de previsibilidade e segurança nas relações financeiras entre agências e fornecedores. E assim mudar a forma como o dinheiro circula no Turismo B2B do Brasil.

A nova empresa, que nasce já com a pretensão de ter até 10% de fatia de mercado, concorrerá diretamente com grandes operadoras e OTAs no País. E o responsável por essa promessa de disrupção é o empresário Fábio Bordin, ex-Gramado Parks e Grupo Brocker, que decidiu investir em uma empresa B2B (travel tech) para simplificar e trazer segurança às transações financeiras no Turismo.

Em entrevista ao Portal PANROTAS, Fabio Bordin detalhou o modelo operacional da empresa:

“O Turismo não quebra por falta de venda, nem por falta de produto. Ele quebra porque, durante muitos anos, normalizou-se um modelo financeiro frágil, baseado em segurar dinheiro que não é seu, em empurrar pagamentos para frente e acreditar que o mercado nunca iria virar. Quando o câmbio muda, o juro sobe ou a demanda desacelera, essa estrutura simplesmente não se sustenta. E toda vez que isso acontece, o prejuízo não fica concentrado em quem quebrou, ele se espalha pela cadeia inteira"

Fabio Bordin, CEO da Book2Pay, sobre as dores financeiras do setor

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Tudo isso, segundo ele, porque o setor segue fragilizado por um modelo financeiro que acumulou distorções ao longo de décadas. Quebras de operadoras, insolvência de empresas de milhas e prejuízos em cadeia deixaram claro que o problema não está na venda nem no produto, mas na forma como o dinheiro circula.

Divulgação
Book2Pay promete pagar aos fornecedores e agentes de viagens tudo que for vendido em até sete dias
Book2Pay promete pagar aos fornecedores e agentes de viagens tudo que for vendido em até sete dias

É nesse cenário que a Book2Pay surge. Na visão da empresa, o Turismo não sofre de excesso de concorrência ou de falta de margem operacional, mas de sistema financeiro que transfere riscos de maneira desequilibrada, concentrando capital no meio da cadeia e empurrando compromissos para o futuro.

E para ser disruptiva num mercado tão concorrido, a Book2Pay promete pagar aos fornecedores e agentes de viagens tudo que for vendido em até sete dias corridos.

O que eu estou prometendo é muito simples e muito objetivo: tudo o que for vendido na Book2Pay é pago em até sete dias. Não importa se a viagem acontece daqui a uma semana ou daqui a seis meses. Fornecedor e agente não precisam esperar o passageiro viajar para receber. O dinheiro entra, é separado via split, e em até sete dias ele está na conta de quem prestou o serviço. Só não pago imediatamente, porque preciso esperar os sete dias de possível desistência do cliente, sob proteção do Direito do Consumidor. Esse é o compromisso central do nosso modelo, porque é isso que dá previsibilidade, tira o risco do meio da cadeia e devolve segurança para todo mundo que participa do Turismo"

Fabio Bordin, CEO do Book2Pay

O modelo Book2Pay e a centralidade do pagamento

Pexels
Fábio afirma que a Book2Pay propõe uma inversão clara dessa lógica. Em vez de tratar o pagamento como consequência do uso do serviço, a plataforma o coloca como eixo central da operação
Fábio afirma que a Book2Pay propõe uma inversão clara dessa lógica. Em vez de tratar o pagamento como consequência do uso do serviço, a plataforma o coloca como eixo central da operação

Como sabemos, o Turismo opera hoje, essencialmente, como um sistema de intermediação. Fornecedores como hotéis, receptivos, transportadoras e prestadores de serviço estão conectados a operadores e agências, que fazem a distribuição desses produtos até o consumidor final.

O problema histórico, segundo Fábio Bordin, está no intervalo entre a venda e o pagamento efetivo ao fornecedor. Durante anos, consolidou-se a prática de reter recursos por 30, 60, 90 ou até 120 dias, muitas vezes condicionando o pagamento ao uso do serviço, e não à venda. Esse modelo permitiu portanto que intermediários financiassem suas operações com capital de terceiros.

Fábio afirma que a Book2Pay propõe uma inversão clara dessa lógica. Em vez de tratar o pagamento como consequência do uso do serviço, a plataforma o coloca como eixo central da operação. Com isso, fornecedores e agentes de viagens recebem em até sete dias após a venda, e não após a viagem ou o check-out do cliente.

Isso altera profundamente a dinâmica financeira da cadeia, reduz a necessidade de capital de giro e elimina a dependência de prazos longos para sustentar a operação.

“Se o cliente paga à vista, eu recebo à vista. Se ele paga parcelado, eu antecipo. O juro existe, está calculado e está precificado. O que não existe aqui é empurrar esse custo para o fornecedor ou fingir que ele não existe. O dinheiro entra, o dinheiro é separado e o dinheiro é pago. Simples assim"

Fabio Bordin, CEO da Book2Pay

Transparência e o fim da ilusão do parcelamento sem juros


PANROTAS / Emerson Souza
Fabio Bordin está no Turismo há mais de 10 anos, como mostra esta foto de 2016
Fabio Bordin está no Turismo há mais de 10 anos, como mostra esta foto de 2016

Um dos pontos mais sensíveis do modelo da Book2Pay é o abandono do parcelamento sem juros como prática estrutural. Embora amplamente utilizado no Turismo como ferramenta comercial, esse formato, segundo o empresário, historicamente mascarou custos financeiros que acabaram sendo absorvidos de forma difusa pela cadeia, pressionando margens e aumentando riscos operacionais.

Na plataforma, o parcelamento é possível, mas com juros explícitos e visíveis para o consumidor final. O fornecedor recebe sempre dentro do mesmo prazo, independentemente da forma de pagamento escolhida.

“Dez vezes sem juros não existe. Alguém sempre paga essa conta. Normalmente, quem paga é o fornecedor ou o próprio mercado, sem perceber. O que a gente faz é trazer honestidade para a equação. Quem quer parcelar, parcela sabendo quanto custa. Quem vende, recebe sabendo quando vai receber"

Fabio Bordin, CEO da Book2Pay

Regras operacionais para reduzir risco e ruído

Para sustentar o modelo com segurança, a Book2Pay estabelece regras operacionais rígidas. A plataforma não realiza vendas com menos de 72 horas de antecedência, como forma de mitigar riscos de fraude, chargeback e exercício do direito de arrependimento previsto no Código de Defesa do Consumidor.

Viagens com embarque entre três e sete dias podem ter o pagamento liquidado em até dois dias, enquanto viagens a partir do oitavo dia seguem o prazo padrão de até sete dias.

Esse desenho garante que não exista cliente em serviço sem que o pagamento correspondente já tenha sido realizado, reduzindo significativamente situações recorrentes de reservas não reconhecidas, overbooking ou realocações forçadas no destino.

“O cliente não viaja com uma promessa. Ele viaja com pagamento feito. Isso muda completamente a relação no destino. Reserva paga é outra conversa. É muito mais difícil alguém dizer ‘desculpa, tivemos um problema’ quando o serviço já está quitado", destacou Fabio Bordin.

O impacto direto para o agente de viagens

Shutterstock
Plataforma permite que o agente acompanhe o status financeiro das reservas, com visibilidade clara de que fornecedores e parceiros foram devidamente liquidados
Plataforma permite que o agente acompanhe o status financeiro das reservas, com visibilidade clara de que fornecedores e parceiros foram devidamente liquidados

Para os agentes de viagens, a proposta da Book2Pay vai além da antecipação de comissão. De acordo com Fabio Bordin, o principal ganho está na previsibilidade e na redução do risco reputacional.

Ele lembra que, em um mercado no qual o agente costuma ser o primeiro a ser acionado quando algo dá errado, saber que o serviço está pago traz segurança na relação com o cliente final.

A plataforma permite que o agente acompanhe o status financeiro das reservas, com visibilidade clara de que fornecedores e parceiros foram devidamente liquidados. A comissão também é paga dentro do mesmo prazo de até sete dias.

“O maior risco do agente de viagens hoje não é financeiro, é reputacional. É o cliente ligar dizendo que chegou no hotel e a reserva não está lá. Quando o agente sabe que tudo está pago, ele dorme tranquilo. Esse é o valor real da segurança"

Fabio Bordin, CEO da Book2Pay

Relação com operadoras e posicionamento de mercado

Embora atue no mesmo espaço das operadoras tradicionais, a Book2Pay não se posiciona como concorrente baseada em volume ou guerra de preços. A empresa deixa claro que seu foco está em um perfil específico de agente e fornecedor, que prioriza segurança financeira e clareza operacional.

“O mercado é grande demais para brigar por preço. Eu não quero disputar quem parcela mais ou quem promete mais. Eu quero atender quem cansou de trabalhar no escuro e quer previsibilidade", finalizou Fabio Bordin, CEO da Book2Pay, em entrevista ao Portal PANROTAS.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.