Filip Calixto   |   19/08/2026 16:32

DNA de Agente: VP Viagens Personalizadas transforma perfil do cliente em roteiro

Em Belo Horizonte, agência de Rodrigo Gurgel trabalha com roteiros sob medida e foco no consultivo

Nesta quarta-feira (19), PANROTAS e Sakura Consolidadora apresentam a 15ª agência da seção “DNA de Agente”. Desta vez, o personagem é a VP Viagens Personalizadas, fundada em 2017, mas cuja trajetória iniciou, na prática, ainda em 2010. Rodrigo Gurgel conta como essa história começou e os caminhos que levaram à construção da empresa. Confira.

Há uma pergunta que ajuda a explicar a forma como Rodrigo Gurgel trabalha na VP Viagens Personalizadas, de Belo Horizonte: se ele fosse o cliente, como gostaria que aquela viagem fosse montada? A resposta não está em simplesmente reproduzir suas próprias preferências, mas em entender como aquela pessoa viajaria, o que valoriza, quanto quer se envolver no planejamento e quais experiências fazem sentido para ela.

“Não é exatamente como eu quero, é como eu faria. É entender o comportamento de quem está comprando de você”

Rodrigo Gurgel, fundador da VP Viagens Personalizadas

Para o empresário, esse exercício é uma das bases do trabalho consultivo da agência, que atua no segmento de viagens premium e personalizadas.

Arquivo Pessoal
Formado em Turismo, com estudos voltados a planejamento, desenvolvimento e sustentabilidade, ele inicialmente imaginava trabalhar com políticas públicas e desenvolvimento turístico
Formado em Turismo, com estudos voltados a planejamento, desenvolvimento e sustentabilidade, ele inicialmente imaginava trabalhar com políticas públicas e desenvolvimento turístico

Do planejamento ao agenciamento

A relação de Gurgel com o Turismo começou antes da ideia de ter uma agência. Formado em Turismo, com estudos voltados a planejamento, desenvolvimento e sustentabilidade, ele inicialmente imaginava trabalhar com políticas públicas e desenvolvimento turístico. As oportunidades nessa área, porém, foram se mostrando escassas.

Uma indicação o levou a trabalhar com Luiz Guadalupe, profissional que Rodrigo considera um de seus mestres no ramo. Foi nesse período, durante cerca de sete anos, que ele conheceu outra possibilidade de atuação no setor: a construção de viagens de alto padrão.

"Eu não imaginava que existia isso, que era possível fazer isso numa viagem, tornar a experiência de uma pessoa tão memorável e ajudar a proporcionar tanta felicidade. E aí eu me apaixonei"

Rodrigo Gurgel

Em 2010, Rodrigo abriu seu primeiro CNPJ e manteve uma parceria com a Master Turismo. Em 2017, criou a VP Viagens Personalizadas, inicialmente com uma equipe de cinco ou seis pessoas. A empresa atravessou a pandemia e chegou ao formato atual, com 12 profissionais.

Arquivo Pessoal
Gurgel conta que boa parte dos seus clientes chega por indicação e muitos deles estão há anos na carteira de clientes
Gurgel conta que boa parte dos seus clientes chega por indicação e muitos deles estão há anos na carteira de clientes

Uma viagem que não vem pronta

O nome da agência resume parte da proposta. Para o agente de viagens, personalizar uma viagem significa justamente fugir de um roteiro fechado e entender o que o viajante procura.

“A gente precisa entender o que essa pessoa gosta para montar a viagem. Se ela gosta de festa, de compras ou de ambientes mais alternativos, por exemplo, isso vai influenciar a escolha do hotel, da localização e dos serviços que vamos contratar. Tudo precisa estar de acordo com o perfil e o padrão que ela espera”, explica.

O trabalho começa, portanto, antes da escolha dos fornecedores. A equipe procura identificar preferências que nem sempre aparecem de forma explícita. Um cliente pode querer conhecer profundamente a cultura local, fazer uma experiência gastronômica, assistir a um show, ter tempo livre ou, simplesmente, deixar que alguém organize todos os detalhes.

"Às vezes, a pessoa não diz. A gente acaba pescando, aplicando algumas técnicas para entender qual o perfil dela, o que está sendo dito e o que não está sendo dito”

Rodrigo Gurgel

A clientela está concentrada nos públicos com alto poder aquisitivo, geralmente incluindo viajantes bem informados e acostumados a pesquisar antes de comprar. Há também quem procure a agência justamente para não precisar se ocupar da pesquisa. A empresa trabalha principalmente com Europa, Ásia, Oceania e América do Sul, além de destinos mais remotos e experiências fora do roteiro convencional.

Conhecimento como parte do produto

Para Rodrigo, a personalização também depende de conhecimento. Com a evolução da inteligência artificial e o acesso cada vez maior a informações sobre destinos, ele acredita que o diferencial do agente de viagens reside menos em simplesmente encontrar uma informação e mais em saber o que fazer com ela.

"Com a IA bombando e fazendo um monte de coisas, a aposta de verdade é investir muito mais em conhecimento", afirma.

A estratégia da VP passa por estimular a equipe a viajar e conhecer destinos para levar essas experiências aos clientes. A empresa também está reorganizando processos para que os profissionais responsáveis pela consultoria tenham mais tempo para exercer justamente essa função.

A ideia é separar melhor a parte operacional da consultiva, sem abandonar a personalização. “Continua sendo personalizado, mas colocando um pouco mais de processo para ter celeridade e liberar quem faz consultoria para fazer consultoria, viajar mais e emprestar esse serviço mais consultivo”, explica.

Arquivo Pessoal
Gurgel conta que a VP Viagens Personalizadas incentiva os integrantes da equipe a conhecer de perto os destinos e produtos de seu portfólio
Gurgel conta que a VP Viagens Personalizadas incentiva os integrantes da equipe a conhecer de perto os destinos e produtos de seu portfólio

Relacionamento que atravessa gerações

A VP não trabalha com atendimento de "porta para a rua". Segundo Gurgel, cerca de 90% dos negócios chegam por indicação, enquanto parte dos novos clientes vem das redes sociais. A base também é formada por clientes recorrentes, alguns com relações que chegam a duas décadas.

“São os mesmos clientes recorrentes, de muitos anos atrás, que estão com a gente. Esses clientes indicam outras pessoas, as famílias deles vêm. Ou seja, o trabalho precisa ser consistente”, diz.

A lógica se estende aos fornecedores. Rodrigo se define como exigente e espera dos parceiros mais do que preço ou disponibilidade de produto. Como muitos dos roteiros envolvem múltiplos trechos aéreos, hotéis e serviços, ele procura empresas e profissionais capazes de compreender a construção da viagem e atuar quando surge um problema.

Arquivo Pessoal
Na VP Viagens Personalizadas, Rodrigo Gurgel rechaça os pacotes com opções fechadas e busca entender o perfil e os gostos de seus clientes para organizar o roteiro e seus detalhes
Na VP Viagens Personalizadas, Rodrigo Gurgel rechaça os pacotes com opções fechadas e busca entender o perfil e os gostos de seus clientes para organizar o roteiro e seus detalhes

“Os parceiros que a gente escolhe estão conosco na hora da venda, mas, na hora que o 'pau quebra', quando um avião não vai sair ou uma empresa do outro lado quebra, eles estão junto conosco para não deixar ninguém na mão”, afirma.

É essa combinação de conhecimento, relacionamento e capacidade de interpretar o viajante que sustenta o modelo da agência. Para Gurgel, em um cenário no qual cada vez mais ferramentas conseguem montar um roteiro em poucos segundos, o agente precisa entregar aquilo que não está simplesmente escrito na internet: entender a pessoa e transformar informação em uma viagem que faça sentido para ela.

VP Viagens Personalizadas


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Sobre o autor

Integrante da equipe PANROTAS desde 2019, atua na cobertura de Turismo com olhar tanto para as tendências do mercado quanto para histórias que movimentam o setor. Formado em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e também em Processos Fotográficos, formações que permitem colaborar de forma dupla com a redação - entre textos e imagens. Fora do trabalho, encontra inspiração no samba, no cinema, na literatura e nos esportes