Pedro Menezes   |   10/09/2026 09:00

Machu Picchu Brasil: ex-colaboradores denunciam salários atrasados e rescisões pendentes

Colaboradores no regime CLT, PJs, guias e prestadores de serviço aguardam pagamentos por parte da empresa


Divulgação
Denúncia aponta que funcionários CLT e PJ teriam sido desligados em 17 de agosto e que, até agora, não há qualquer previsão clara para o pagamento dos valores devidos
Denúncia aponta que funcionários CLT e PJ teriam sido desligados em 17 de agosto e que, até agora, não há qualquer previsão clara para o pagamento dos valores devidos

O encerramento das atividades da Machu Picchu Brasil, como estamos acompanhando com exclusividade aqui no Portal PANROTAS, ganhou um novo capítulo nesta semana.

Semanas após a operadora anunciar o fim das operações, ex-colaboradores procuraram a PANROTAS para relatar supostas pendências relacionadas a salários, comissões, rescisões e pagamentos de prestadores de serviços.

Não iremos identificar os responsáveis pela denúncia por razões de segurança, mas um dos relatos enviados em nome de ex-colaboradores da empresa aponta que funcionários CLT e PJ teriam sido desligados em 17 de agosto e que, até agora, não há qualquer previsão clara para o pagamento dos valores devidos.

Segundo o relato, parte dos colaboradores do escritório no Brasil recebeu a documentação de formalização do desligamento, incluindo informações sobre multas rescisórias e dias trabalhados, mas sem indicação de prazo para que os pagamentos fossem efetivamente realizados. O mesmo também acontece com os clientes afetados que exigem reembolso da empresa.

"Infelizmente desde o encerramento das operações e desligamento massivo de colaboradores CLT e PJ, em 17/08/2026, não houve qualquer menção da empresa acerca do pagamento dos dias trabalhados e das rescisões contratuais", afirma o relato enviado à nossa reportagem.

A denúncia também envolve profissionais que atuavam diretamente no destino. De acordo com a fonte, guias locais e outros prestadores de serviços também estariam com pagamentos pendentes. "Os guias locais seguem sem o devido pagamento, assim como demais prestadores de serviços", diz o(a) ex-colaborador(a).

Falta de informação sobre pagamentos

PANROTAS / Emerson Souza
Willian Cavalcante, fundador da Machu Picchu Brasil
Willian Cavalcante, fundador da Machu Picchu Brasil

Profissionais que fizeram a denúncia afirmaram ainda que ex-funcionários teriam tentado obter informações diretamente com o fundador da Machu Picchu Brasil, Willian Cavalcante, e com o departamento de Recursos Humanos, mas sem qualquer previsão para os pagamentos.

"Willian Cavalcante e o RH não nos respondem quando questionados sobre quando será efetuado o pagamento, em todas as nossas tentativas individuais de contato. Além disso, todos os prazos previstos na CLT sobre pagamentos rescisórios já foram ultrapassados, e prazos de contrato de Prestação de Serviço (PJ) também"

Denúncias anônimas recebidas pelo Portal PANROTAS

Salários, comissões e clientes

Além das questões envolvendo os trabalhadores, o relato menciona ainda outras pendências decorrentes do encerramento da operadora. Segundo a fonte, ainda não há uma comunicação clara sobre o pagamento de "salários, comissões, rescisões e reembolsos dos clientes".

A situação dos clientes e das agências de viagens impactadas inclusive já havia sido levantada pela PANROTAS após o anúncio do encerramento. Na ocasião, agências de viagens procuraram a reportagem demonstrando preocupação com reembolsos e devolução de créditos.

Questionado pelo Portal PANROTAS sobre como seria o processo de reembolso das agências afetadas e se a empresa forneceria cartas para que os agentes pudessem solicitar o cancelamento de compras feitas por cartão de crédito, Willian Cavalcante não detalhou os procedimentos.

"Desrespeito com nosso trabalho"

Os ex-colaboradores afirmam estar preocupados não apenas com os valores pendentes, mas também com a falta de comunicação durante o processo de encerramento. "Estamos completamente indignados com a situação e o desrespeito com nosso trabalho e com as leis trabalhistas brasileiras e peruanas", informaram.

O grupo também relata preocupação com impactos profissionais provocados pelo encerramento da empresa. Segundo a denúncia, equipes do comercial, operacional, guias e de atendimento saíram muito prejudicados e todos têm encontrado muita dificuldade de se recolocar no mercado devido à reputação deixada pela Machu Picchu Brasil no mercado.

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Sobre o autor

Natural do Rio de Janeiro, Pedro Menezes é bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e atua há 12 anos na imprensa especializada em Turismo. Atualmente, é editor do maior portal brasileiro voltado a profissionais do setor, com base em São Paulo. O jornalista tem experiência em cobertura nacional e internacional de feiras, congressos e eventos, além de pautas de política e economia ligadas ao Turismo.