Filip Calixto   |   04/02/2026 10:48
Atualizada em 04/02/2026 10:50

Governo inicia processo de leilão do Galeão (RJ); lance mínimo é de quase R$ 1 bilhão

Proponente vencedora assumirá a execução do contrato de concessão do aeroporto até 2039

Divulgação/MPor
Leilão do Aeroporto do Galeão avança com início do roadshow
Leilão do Aeroporto do Galeão avança com início do roadshow

O Governo Federal, através do MPor (Ministério de Portos e Aeroportos), deu início ao processo de leilão do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. A venda assistida do terminal busca assegurar a sustentabilidade da concessão até o término do contrato em 2039.

A ideia é seguir com a preservação dos investimentos já realizados, além de também readequar o contrato de concessão, garantindo a continuidade da prestação do serviço público, a ampliação da capacidade operacional e o atendimento aos passageiros e ao departamento de carga.

Entre as principais mudanças estão: contribuição variável de 20% sobre o faturamento bruto até 2039; exclusão da obrigação de construção de uma terceira pista; e criação de mecanismo de compensação em caso de restrições operacionais no Aeroporto Santos Dumont (RJ).

A primeira reunião do roadshow, com a apresentação dos detalhes do edital de concessão, foi realizada nessa terça-feira (3). A iniciativa consiste em encontros individuais com potenciais investidores interessados no terceiro maior aeroporto do país, que movimentou 17,5 milhões de passageiros no ano passado, sendo 5,6 milhões em voos internacionais.

Divulgação
O valor mínimo do leilão, que deverá ser pago à vista, é de R$ 932 milhões
O valor mínimo do leilão, que deverá ser pago à vista, é de R$ 932 milhões

O roadshow é conduzido pelo ministério, em parceria com a Seppi (Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos), da Casa Civil da Presidência da República, e com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). As reuniões tiveram início na manhã dessa terça-feira (3), em formato on-line, e seguem pelos próximos dois dias de forma presencial, na sede da Anac, em São Paulo.

O Leilão de Venda Assistida do Galeão está previsto para ocorrer no dia 30 de março, na sede da B3, em São Paulo. O modelo adotado tem como base o acordo firmado no TCU (Tribunal de Contas da União) entre o MPor, a Anac e a concessionária RIOgaleão.

O valor mínimo do leilão, que deverá ser pago à vista, é de R$ 932 milhões. A proponente vencedora assumirá a execução do contrato de concessão, conforme as readequações previstas no Termo Aditivo de Repactuação. Além disso, ainda assumirá o compromisso de pagar à União uma contribuição variável anual correspondente a 20% do faturamento bruto da concessão até 2039.

A disputa será aberta ao mercado. No entanto, conforme estabelecido no acordo homologado pelo TCU, os acionistas privados das concessionárias Changi, de Cingapura, e Vinci, da França, que detêm 51% da RIOgaleão, deverão apresentar ao menos uma proposta no valor mínimo para participar do certame. Ainda como parte do acordo, a Infraero, que atualmente possui 49% de participação na concessão, deixará a administração do terminal após a conclusão do processo de venda.

Principais regras

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O leilão terá como critério de julgamento a melhor proposta econômica, definida pela maior oferta de contribuição inicial
O leilão terá como critério de julgamento a melhor proposta econômica, definida pela maior oferta de contribuição inicial

O edital com as regras do leilão já está no Diário Oficial da União (DOU). O documento estabelece as condições para a venda assistida de 100% das ações da operadora do terminal, a Concessionária Aeroporto Rio de Janeiro (CARJ), vinculada à saída da Infraero do quadro societário.

O leilão terá como critério de julgamento a melhor proposta econômica, definida pela maior oferta de contribuição inicial. A participação é restrita a pessoas jurídicas e fundos de investimento, brasileiros ou estrangeiros, que podem concorrer individualmente ou em consórcio.

A Infraero alienará sua participação acionária de 49% na CARJ, que também poderá participar do leilão. A venda abrange todos os ativos, passivos, direitos e obrigações da atual operadora. A aquisição deverá ocorrer em lote único, sem possibilidade de compra parcial.

Aeroporto se beneficia de decisão do Lula sobre Santos Dumont

Ricardo Stuckert/PR
Eduardo Paes, Lula e Silvio Costa Filho
Eduardo Paes, Lula e Silvio Costa Filho

Você viu aqui no Portal PANROTAS que o governo federal vai revogar o Despacho Decisório nº 6/2025, do Ministério de Portos e Aeroportos, que flexibilizava o limite de passageiros no Aeroporto Santos Dumont. Até então, o terminal estava autorizado a receber até 1,5 milhão de passageiros adicionais durante o ano de 2026.

O Ministério de Portos e Aeroportos confirmou a decisão do governo federal, que beneficia diretamente o Galeão. A medida foi motivada pelo expressivo crescimento da aviação e do Turismo no Estado do Rio de Janeiro, que levou a uma discussão conjunta acerca da construção de uma agenda estratégica para o Estado.

Desde a implementação da coordenação entre os aeroportos, iniciada em outubro de 2023, o Galeão registrou crescimento superior a 50% no número de passageiros no primeiro trimestre de 2025 e, entre janeiro e julho deste do ano passado, recebeu quase 10 milhões de viajantes.

No acumulado entre 2023 e 2025, a movimentação conjunta do Santos Dumont e do RIOgaleão cresceu 21%. Para o trade, os dados comprovam que a política de restrição e coordenação dos voos é fundamental para garantir maior conectividade, fortalecer a malha aérea e ampliar a movimentação de passageiros e cargas, com reflexos diretos no desenvolvimento econômico da cidade, do Estado e do País.

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Integrante da equipe PANROTAS desde 2019, atua na cobertura de Turismo com olhar tanto para as tendências do mercado quanto para histórias que movimentam o setor. Formado em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e também em Processos Fotográficos, formações que permitem colaborar de forma dupla com a redação - entre textos e imagens. Fora do trabalho, encontra inspiração no samba, no cinema, na literatura e nos esportes