Recife é o melhor e Confins o pior; estudo avalia acesso terrestre aos aeroportos do País
Mozio analisa tempo de deslocamento, opções de transporte e custos dos principais terminais do País

A jornada do passageiro não termina no momento do desembarque. Em muitos casos, o deslocamento até o destino final pode ser um dos principais desafios da viagem, seja pelo tempo gasto no trajeto, pela falta de opções de transporte ou pelos custos envolvidos.
Para entender quais aeroportos brasileiros oferecem a experiência de mobilidade mais eficiente, a Mozio realizou uma análise dos principais terminais localizados nas capitais dos Estados brasileiros.
Confira o ranking da plataforma:
Os campeões da conveniência
Localização privilegiada, preços acessíveis e conexões diretas com a cidade: nesses terminais, os passageiros têm a sensação de já terem chegado ao destino no momento em que passam pelo portão de desembarque.
1º lugar: Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes–Gilberto Freyre (REC)
Segundo a Mozio, Pernambuco lidera por possuir uma característica única no País: é o único aeroporto internacional brasileiro conectado diretamente a um sistema de metrô (e não apenas a um trem suburbano ou monotrilho), por meio de uma passarela coberta que leva os passageiros diretamente ao centro da cidade ou à praia de Boa Viagem.
Essa combinação de acesso ferroviário direto, preços acessíveis e integração multimodal faz do Recife uma referência nacional em mobilidade aeroportuária, segundo a análise da Mozio.
Pontos fortes:
- conexão direta e coberta com o metrô;
- múltiplas alternativas de transporte;
- excelente custo-benefício;
- proximidade de importantes atrações turísticas.
Pontos fracos:
- intervalos maiores do metrô fora dos horários de pico;
- sinalização limitada em inglês para turistas estrangeiros.
2º lugar: Aeroporto Internacional de Porto Alegre/Salgado Filho (POA)
A proximidade com a região central garante a segunda posição para Porto Alegre. O principal diferencial do aeroporto é o Aeromóvel, sistema elevado que conecta o terminal à estação Aeroporto da Trensurb, uma solução rápida e pouco comum no Brasil, destacada pela Mozio como uma das conexões aeroporto-ferrovia mais diferenciadas do país.
Pontos fortes:
- proximidade do centro;
- integração ferroviária entre aeroporto e cidade quando está funcionando;
- baixo custo para usuários do transporte público.
Pontos fracos:
- Aeromóvel permanece fora de operação, sem data confirmada de retorno;
- passageiros precisam combinar diferentes modais para acessar a Trensurb durante a paralisação;
- a rede ferroviária não atende diretamente todos os bairros turísticos.
3º lugar: Aeroporto Internacional de Fortaleza/Pinto Martins (FOR)
Sem conexão ferroviária, mas com uma rede de ônibus bem distribuída e localização próxima ao centro, a capital cearense oferece trajetos curtos e tarifas previsíveis, características que colocam Fortaleza entre os aeroportos com desempenho mais consistente segundo os dados da Mozio.
Pontos fortes:
- curta distância até o centro;
- entre as tarifas mais baratas de carros de aplicativos do ranking;
- boa disponibilidade de táxis.
Pontos fracos:
- ausência de transporte ferroviário;
- ônibus podem enfrentar lentidão nos horários de pico.
4º lugar: Aeroporto Internacional de Rio Branco/Plácido de Castro (RBR)
Um dos aeroportos mais próximos de um centro urbano no País, com distância semelhante à de Fortaleza, mas que, segundo a Mozio, fica abaixo no ranking devido ao menor número de opções de transporte e à grande dependência de carros e ônibus.
Por que se destaca: a distância reduzida até o centro é uma vantagem, mas a falta de diversidade de modais, sem opção ferroviária e com menos alternativas do que Fortaleza, faz Rio Branco perder posições.
Pontos fortes:
- distância mínima até o centro;
- deslocamento rápido independentemente do modal escolhido.
Pontos fracos:
- ausência de transporte ferroviário;
- menor variedade de opções em comparação aos líderes do ranking.
Menção honrosa: Aeroporto Santos Dumont, Rio de Janeiro (SDU)
Embora não esteja incluído nesta análise por atender principalmente voos domésticos, o Aeroporto Santos Dumont merece uma menção honrosa pela excelente experiência de mobilidade oferecida aos passageiros. Localizado a apenas 2 km do centro do Rio de Janeiro, o terminal permite acesso ao VLT a poucos passos da saída do desembarque, conectando rapidamente os viajantes a diferentes regiões da cidade a baixo custo.
A Mozio destaca o Santos Dumont como exemplo de como a proximidade ao centro urbano e um transporte público integrado podem melhorar significativamente a experiência do passageiro, mesmo sem fazer parte do ranking de aeroportos internacionais.
Os piores em transporte terrestre
Distâncias elevadas, tarifas caras e ausência de alternativas ferroviárias: nesses terminais, o deslocamento até a cidade se torna uma parte da viagem — e nem sempre uma experiência positiva. A análise da Mozio identificou esses quatro aeroportos como aqueles que apresentam os maiores desafios de transporte terrestre para passageiros.
1º lugar (pior desempenho): Aeroporto Internacional de Belo Horizonte/Confins–Tancredo Neves (CNF)
No topo da lista dos aeroportos com maior dificuldade de acesso, Confins, em Minas Gerais, mostra como a distância pode se tornar um dos principais obstáculos para uma chegada tranquila. A longa distância até a capital mineira torna praticamente obrigatório o uso de ônibus executivo ou aplicativos de transporte, sendo o trajeto mais longo de todo o ranking.

Por que apresenta os maiores desafios: a combinação de três fatores — maior distância, tarifas mais altas de carros de aplicativos e ausência total de conexão ferroviária — coloca Confins na pior posição. Nenhum outro aeroporto analisado reúne simultaneamente todos esses problemas.
Pontos fortes:
- ônibus executivo confortável e com boa frequência;
- boa infraestrutura do terminal.
Pontos fracos:
- grande distância do centro;
- alto custo via aplicativos;
- ausência de alternativa ferroviária.
2º lugar: Aeroporto Internacional de Natal/Governador Aluízio Alves, São Gonçalo do Amarante (NAT)
Localizado no município vizinho de São Gonçalo do Amarante, o terminal enfrenta limitações de transporte público. O ônibus até a região hoteleira pode levar mais de uma hora e meia.
Pontos fortes:
- uma das tarifas de ônibus mais baratas do País;
- táxis disponíveis 24 horas.
Pontos fracos:
- viagem longa de ônibus;
- distância significativa do centro e das praias;
- aplicativos com tarifas elevadas.
3º lugar: Aeroporto de Palmas/Brigadeiro Lysias Rodrigues (PMW)
Por que apresenta desafios: Serviço limitado de ônibus e ausência de transporte ferroviário fazem com que o acesso ao centro dependa quase totalmente de transporte privado.
Pontos fortes:
- trânsito local mais tranquilo que em grandes metrópoles;
- tarifa baixa de ônibus quando disponível.
Pontos fracos:
- poucas linhas e baixa frequência de ônibus;
- grande dependência de táxis ou aplicativos, com custos elevados.
4º lugar: Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Tom Jobim (Galeão) (GIG)
Um grande terminal que enfrenta gargalos de acesso. Sem uma estação própria de metrô, a combinação entre BRT e metrô exige uma integração, enquanto passageiros que optam por carros enfrentam trânsito intenso nas vias de acesso.
Pontos fortes:
- boa variedade de opções de transporte;
- alternativa econômica via BRT + metrô.
Pontos fracos:
- necessidade de integração entre BRT e metrô;
- trânsito intenso nas vias de acesso;
- maior distância da Zona Sul.
"Uma boa experiência de viagem não termina quando o avião pousa. O deslocamento entre o aeroporto e o destino final é uma parte importante da jornada e, quando é simples e previsível, contribui para uma experiência muito mais tranquila para o passageiro. Por isso, planejar o transporte com antecedência pode ajudar a evitar filas, custos inesperados e dificuldades para encontrar a melhor opção de traslado na chegada", diz o gerente de Operações da Mozio, Germán Zannier.
Germán Zannier
O estudo considerou critérios como tempo médio de deslocamento até o centro da cidade, diversidade de opções de transporte disponíveis (como metrô, trem, ônibus, aplicativos de transporte, táxis e transfers), custo médio da viagem e facilidade de integração com a rede de transporte urbano.