Filip Calixto   |   07/04/2026 15:19

Passagens devem continuar pressionadas mesmo com pacote do governo, avaliam especialistas

Medidas aliviam custos das companhias, mas cenário global ainda aponta alta nos preços

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O impacto sobre as passagens no Brasil é significativo porque o combustível representa a fatia maior dos custos das companhias aéreas no País
O impacto sobre as passagens no Brasil é significativo porque o combustível representa a fatia maior dos custos das companhias aéreas no País

Apesar das medidas anunciadas pelo governo federal para reduzir o impacto do combustível de aviação, especialistas avaliam que as passagens aéreas devem continuar sob pressão nos próximos meses.

O pacote, que inclui isenção de impostos sobre o querosene de aviação (QAV), linhas de crédito e adiamento de tarifas, tende a suavizar os aumentos, mas não deve ser suficiente para provocar queda imediata nos preços ao consumidor.

A avaliação é reforçada por análises ouvidas pela BBC News Brasil e pela Folha de S.Paulo, que apontam um cenário de "tempestade perfeita" para o setor aéreo brasileiro.

Pressão vem de fora – e é forte

A principal origem da alta está no mercado internacional. A guerra envolvendo o Irã elevou o preço do petróleo, base para o QAV, após aumentar os riscos no estreito de Ormuz – rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Com isso, o barril do tipo Brent mais que dobrou durante o conflito, impactando diretamente o custo do combustível de aviação.

No Brasil, o efeito é ainda mais intenso devido à política de preços alinhada ao mercado externo, o que faz com que variações internacionais sejam rapidamente repassadas, mesmo com produção nacional relevante.

Combustível pesa mais no Brasil

O impacto sobre as passagens é incontornável porque o combustível representa uma fatia maior dos custos das companhias aéreas no País.

Enquanto a média global gira em torno de 27%, no Brasil esse percentual pode chegar a 45% após os recentes reajustes. Isso reduz a margem das empresas e aumenta a tendência de repasse ao consumidor.

Além disso, o conflito internacional também pode levar a mudanças nas rotas aéreas por questões de segurança, aumentando o tempo de voo e o consumo de combustível, outro fator que pressiona os preços.

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Especialistas lembram que, mesmo antes das medidas do governo, o cenário já era de alta. A prévia da inflação de março (IPCA-15) indicou aumento de 5,94% nas passagens aéreas
Especialistas lembram que, mesmo antes das medidas do governo, o cenário já era de alta. A prévia da inflação de março (IPCA-15) indicou aumento de 5,94% nas passagens aéreas

Passagens já vinham subindo

Mesmo antes das medidas do governo, o cenário já era de alta. A prévia da inflação de março (IPCA-15) indicou aumento de 5,94% nas passagens aéreas.

Com a continuidade das incertezas no cenário externo, a tendência é de manutenção dessa pressão, ainda que em ritmo possivelmente menor com as medidas de alívio.

Vale comprar agora?

Diante desse contexto, especialistas indicam que antecipar a compra de passagens pode ser uma estratégia para evitar preços mais altos no futuro.

Isso porque o setor aéreo não costuma ter ajustes graduais: aumentos de custo tendem a ser repassados de forma mais rápida. Além disso, há risco de redução na oferta de voos, o que, combinado à demanda, pode elevar ainda mais os preços.

Outro ponto de atenção é o cenário jurídico. Uma decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu processos contra companhias aéreas em casos de cancelamentos por “força maior”.

Na prática, isso pode afetar passageiros em situações ligadas a eventos externos, como conflitos internacionais, dependendo do entendimento final da Corte.

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Sobre o autor

Integrante da equipe PANROTAS desde 2019, atua na cobertura de Turismo com olhar tanto para as tendências do mercado quanto para histórias que movimentam o setor. Formado em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e também em Processos Fotográficos, formações que permitem colaborar de forma dupla com a redação - entre textos e imagens. Fora do trabalho, encontra inspiração no samba, no cinema, na literatura e nos esportes