Conflitos e fechamento de espaços aéreos seguem elevando os custos da aviação, alerta Iata
Entidade aponta alta de custos operacionais e crescimento das interferências em sistemas de navegação

RIO DE JANEIRO - Os conflitos geopolíticos em diferentes regiões do mundo impõe novos desafios à aviação global. Fechamentos de espaços aéreos, desvios de rotas, aumento dos custos operacionais e ameaças à segurança passaram a fazer parte da rotina das companhias aéreas.
É o que constata a Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata), em coletiva de imprensa durante a Assembleia Geral da Iata no Rio de Janeiro. Segundo o diretor de Segurança e Operações da entidade, Nick Careen, as restrições ao espaço aéreo no Oriente Médio e em outras zonas de conflito estão obrigando as empresas a operar voos mais longos e mais caros.
De acordo com dados da Iata, algumas ligações entre Europa e Ásia passaram a registrar aumentos de até 20% na distância efetivamente voada. Um exemplo citado foi a rota entre Roma e Délhi, que teve acréscimo de 19% no tempo de voo devido aos desvios necessários para evitar áreas consideradas de risco.
"O custo adicional varia entre US$ 10 e US$ 45 por passageiro. Para uma indústria que opera com margens muito pequenas, isso pode representar todo o lucro de determinados voos. E além dos custos, a situação tornou o ambiente operacional mais complexo para companhias aéreas, autoridades e reguladores. Primeiro, os governos precisam realizar avaliações de risco. Depois, essas informações são transmitidas aos reguladores e às companhias aéreas, que realizam suas próprias análises antes de cada voo"
Nick Careen, diretor de Segurança e Operações da Iata
O executivo explicou que o cenário pode mudar rapidamente, inclusive durante uma operação já em andamento, exigindo monitoramento constante dos riscos.
Cadeia de suprimentos agrava cenário

A Iata ressaltou ainda que os problemas na cadeia global de suprimentos dificultam a capacidade das empresas de responder rapidamente às crises. Indisponibilidade de peças, motores e serviços de manutenção afeta diretamente a flexibilidade operacional das companhias em um momento em que rotas alternativas e ajustes de malha se tornaram cada vez mais necessários.
"A cadeia de suprimentos continuará sendo um desafio por vários anos", alertou o executivo, diante deste atual cenário que existe coordenação mais próxima entre governos, reguladores, aeroportos, fornecedores e companhias aéreas, segundo a própria Associação.
A PANROTAS viaja a convite da Iata, voando Latam Airlines.