ITA Airways pode se tornar referência do Grupo Lufthansa na América do Sul; veja planos
CEO Jörg Eberhart já avalia aumentar o número de frequências no Brasil e abrir bases inéditas na região

RIO DE JANEIRO - O Brasil e a América do Sul como um todo são considerados a "galinha dos ovos de ouro" no processo de expansão global da ITA Airways. Além de voos para Rio e São Paulo, a companhia italiana já avalia a abertura de novos destinos como Caracas, na Venezuela, Lima, no Peru, e Santiago, no Chile.
É o que disse Jörg Eberhart, CEO da ITA Airways, em entrevista exclusiva à PANROTAS durante a Assembleia Geral da Iata, realizada no Rio de Janeiro. Segundo ele, a empresa pretende ampliar sua presença no Brasil, inicialmente por meio do aumento de capacidade nas rotas já operadas para São Paulo e Rio de Janeiro.
“O mercado brasileiro é particularmente interessante para a ITA porque temos muitos italianos vivendo no Brasil. Temos cerca de um milhão de portadores de passaporte italiano no País. Isso é impressionante. Além disso, existem mais de 25 milhões de brasileiros com raízes italianas. É uma comunidade enorme e isso gera um importante fluxo de tráfego entre Roma e o Brasil”
Jörg Eberhart, CEO da ITA Airways
A avaliação do executivo ocorre em um momento especial para a ITA Airways, que passou a fazer parte do Grupo Lufthansa. A companhia avança em seu processo de integração ao maior grupo aéreo da Europa e passa a olhar para a América do Sul como uma região de importância crescente dentro da holding.
Para Eberhart, o Brasil ocupa uma posição especial nesse sentido não apenas pelo tamanho de sua economia, mas também pelos laços históricos e culturais com a Itália. Atualmente, a companhia opera voos entre Roma e os aeroportos de Guarulhos, em São Paulo, e Galeão, no Rio de Janeiro.
Segundo o executivo, a prioridade da empresa no curto prazo será fortalecer essas operações antes de avaliar a abertura de novas cidades brasileiras. “Por enquanto, mais do que adicionar outro destino no Brasil, preferimos colocar mais capacidade nos destinos que já operamos. Gostaríamos de ampliar as ligações que temos hoje com Rio de Janeiro e São Paulo antes de abrir uma nova rota", disse ele.
Apesar disso, Eberhart deixou claro que o crescimento da malha brasileira segue sempre em análise e não descartou futuras expansões, incluindo Brasília e outros grande destinos no Nordeste.
“Vamos continuar analisando a situação de forma permanente. Existem cidades que podem ser interessantes para nós, como Brasília. O Brasil é um país enorme e com um potencial gigantesco. No geral, vemos crescimento, vemos estabilidade política no Brasil e estamos apostando muito na continuidade dos investimentos no País"
Jörg Eberhart, CEO da ITA Airways
Novos voos para América do Sul?

Além do mercado brasileiro, a ITA Airways pretende ampliar sua atuação em toda a América do Sul. Eberhart revelou que a companhia estuda novos destinos na região, incluindo Lima, no Peru, e Santiago, no Chile, além da possível abertura de Caracas, na Venezuela, ainda este ano.
Segundo ele, a América do Sul pode se tornar uma especialidade da ITA Airways dentro do Grupo Lufthansa, assim como outras empresas do conglomerado desempenham papéis específicos em determinadas regiões do mundo. O executivo acredita que a combinação das operações da Lufthansa, Swiss, Austrian Airlines, Brussels Airlines e ITA Airways poderá criar uma presença ainda mais relevante na região.
“Sabemos que a Lufthansa procura definir funções específicas para cada companhia do grupo. A Brussels Airlines tem uma presença muito forte na África. A Austrian Airlines é muito forte na Europa Oriental. Cada uma dessas empresas possui uma especialização. Acredito que a ITA Airways pode complementar muito bem as atividades do grupo na América do Sul. Se conseguirmos reunir tudo isso, teremos uma presença realmente importante para o Grupo na América do Sul"
Jörg Eberhart, CEO da ITA Airways
Lufthansa dobra aposta na ITA

A entrevista aconteceu poucos dias após a Lufthansa anunciar o exercício da opção que elevará sua participação na ITA Airways de 41% para 90%. Para Eberhart, a decisão demonstra a confiança do grupo alemão no processo de recuperação da companhia italiana.
“É um passo muito importante porque mostra o comprometimento da Lufthansa. Eles poderiam ter exercido essa opção apenas no próximo ano, mas decidiram fazê-lo agora. Ou seja, mesmo diante de todas as incertezas da indústria, a Lufthansa exerceu a opção de compra agora. Isso é um sinal muito forte do trabalho que foi realizado na ITA e dos resultados que alcançamos com a companhia"
Jörg Eberhart, CEO da ITA Airways
Segundo ele, a empresa passou por uma profunda transformação desde sua criação. “No início, a ITA registrava perdas muito significativas. Hoje estamos próximos do breakeven. Isso representa um passo enorme e mostra que conseguimos apresentar uma prova concreta de que o modelo funciona", disse.

A integração ao Grupo Lufthansa também poderá ajudar a ITA Airways a crescer em um momento em que boa parte da indústria enfrenta dificuldades para receber novos aviões. Eberhart explicou que a companhia italiana poderá se beneficiar da carteira de encomendas já existente dentro do grupo alemão.
“Nesse aspecto, nos beneficiamos dos pedidos que a Lufthansa fez anos atrás. Eles possuem encomendas firmes e também diversas opções de compra. Se apresentarmos casos de negócio sólidos, podemos receber capacidade adicional a partir dessas encomendas. E se o grupo aprovar os projetos, podemos receber logo novas aeronaves, como o Airbus A350, de última geração. Isso significa que não precisamos entrar na fila da Airbus para ter essa capacidade"
Jörg Eberhart, CEO da ITA Airways
A PANROTAS viaja a convite da Iata, voando Latam Airlines.