Reforma tributária pode eliminar 3,6 milhões de viagens internacionais
Nova tributação poderá acrescentar cerca de US$ 195 ao valor médio de uma passagem internacional no País

RIO DE JANEIRO - A proposta da reforma tributária brasileira foi um dos assuntos da abertura da 82ª Assembleia Geral da Iata. Em discurso para líderes do setor aéreo global, o diretor-geral da entidade, Willie Walsh, fez duras críticas à possibilidade de incidência de uma alíquota de 26,5% sobre passagens aéreas e alertou para os impactos da medida sobre a conectividade do País.
O alerta já tinha sido feito nesse sábado (6) pelo vice-presidente Regional da Iata para Américas, Peter Cerda. Segundo estimativas da Iata, a nova tributação poderá acrescentar cerca de US$ 195 ao valor médio de uma passagem internacional, hoje estimado em US$ 740.
"O resultado seria a eliminação de até 3,6 milhões de viagens internacionais, reduzindo a conectividade do Brasil justamente em momento de forte expansão da demanda. Voar não é um luxo. É um serviço essencial e um catalisador econômico que amplia a base tributária”
Willie Walsh, diretor-geral da Iata
Ele afirma que a arrecadação prevista pelo governo seria muito menor do que os impactos negativos provocados sobre Turismo, comércio Exterior, geração de empregos e desenvolvimento econômico. “O que o governo ganhará em receita tributária será insignificante quando comparado aos danos econômicos causados”, declarou o executivo.
Em meio às duras críticas, Walsh ressaltou que a posição da Iata está alinhada às recomendações da Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci), que historicamente orienta os governos a evitarem a tributação excessiva sobre o transporte aéreo.
O executivo citou ainda exemplos de países que vêm revendo políticas tributárias sobre a aviação. Segundo ele, a Suécia eliminou recentemente um imposto considerado prejudicial ao desenvolvimento do setor.
A PANROTAS viaja a convite da Iata, voando Latam Airlines.