Com presença de Alckmin, Iata defende potencial brasileiro na abertura de Reunião Geral
Cerimônia de abertura marcou o início dos debates sobre os desafios e oportunidades da aviação global

RIO DE JANEIRO - A Cidade Maravilhosa voltou a ocupar o centro das atenções da aviação mundial neste domingo (7), com a cerimônia oficial de abertura da 82ª Assembleia Geral Anual da Iata (AGM) e do World Air Transport Summit (WATS). Após 27 anos, a principal reunião da indústria aérea global retorna à América do Sul reunindo cerca de 1,5 mil líderes de todos os setores da aviação global.
No palco da sessão inaugural, marcaram presença o diretor-geral da Iata, Willie Walsh, o CEO do Grupo Latam, Roberto Alvo, e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. O encontro marca o início dos debates sobre os desafios e oportunidades da aviação global em um momento de crescimento e desafios.
Em seu discurso, o vice-presidente da República fez questão de conectar o passado e o presente da aviação brasileira. O vice-presidente lembrou os pioneiros Bartolomeu de Gusmão e Santos Dumont para destacar a tradição do País na história da aviação e afirmou que a realização da Assembleia Geral da Iata representa um reconhecimento da relevância que o Brasil conquistou no cenário internacional.

“Receber a 82ª Assembleia Geral da Iata nesta cidade é muito mais do que um evento de prestígio. É um reconhecimento do lugar que o Brasil ocupa na aviação civil mundial. E isso acontece em um momento em que o País transportou quase 130 milhões de passageiros em voos domésticos e internacionais em 2025, crescimento de 9,4% em relação ao ano anterior e acima do recorde histórico anterior. Pela primeira vez, o mercado doméstico superou a marca de 100 milhões de passageiros em um único ano"
Geraldo Alckmin, vice-presidente da República
Alckmin também ressaltou o papel estratégico da aviação para um País de dimensões continentais como o Brasil. “Ainda não chegamos ao nosso potencial. Temos mais de 215 milhões de habitantes, uma classe média vigorosa e uma geografia que torna o avião não um luxo, mas uma necessidade”, disse.
Willie Walsh reforça preocupações da indústria global

O CEO da Iata, Willie Walsh, por sua vez, reforçou preocupações com a indústria global. O executivo afirmou que as companhias aéreas enfrentam um cenário mais desafiador em 2026, com alta dos custos de QAV e desaceleração do crescimento da demanda.
"O lucro líquido global das companhias aéreas deve cair de US$ 45 bilhões em 2025 para US$ 23 bilhões em 2026, reduzindo a margem líquida do setor de 4,2% para apenas 2%", disse Willie Walsh.
O diretor-geral da Iata não poupou críticas diretas às políticas tributárias e regulatórias que afetam a aviação, citando nominalmente o Brasil. Walsh voltou a alertar para os impactos da proposta de aplicação de uma alíquota de 26,5% sobre passagens aéreas prevista no contexto da reforma tributária.
"De acordo com nossas estimativas, a Reforma Tributária pode aumentar em cerca de US$ 195 o valor médio de uma passagem internacional e eliminar até 3,6 milhões de viagens internacionais. O que o governo ganhará em arrecadação será insignificante quando comparado aos danos econômicos causados”
Willie Walsh, CEO da Iata
Apesar das críticas, Walsh reforçou que a conectividade aérea continua sendo uma ferramenta essencial para o crescimento econômico e destacou que a Iata pretende ampliar sua atuação junto a governos para defender políticas alinhadas aos padrões globais de segurança, infraestrutura e descarbonização.
A PANROTAS viaja a convite da Iata, voando Latam Airlines.